Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties: o remake que brilha na porrada, mas divide na história

Cada soco em Yakuza tem peso. Em Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, esse impacto vira um show: golpes de tonfa e chutes em câmera lenta. Kiryu nunca esteve tão versátil, com dois estilos que transformam qualquer briga de rua em algo violento e divertido. O Dragon of Dojima mantém a essência de socos e chutes. Já o novo estilo Ryukyu traz armas que mudam o ritmo: tonfa, nunchaku, sansetsukon. Cada uma exige timing, e quando a parada certa encaixa, o contra-ataque é pura satisfação.

Mas não é só remake. Dark Ties, campanha inédita com Yoshitaka Mine, traz um estilo shoot-boxing agressivo e um modo Dark Awakening que transforma cada golpe em execução brutal. Duas experiências, mesmo motor polido, propostas diferentes. O problema? Nem todo mundo vai engolir as mudanças narrativas que o remake introduz.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Antes de comprar, pense no que você busca. Se a prioridade é combate refinado e conteúdo variado, o pacote entrega bem.
  • Verifique a compatibilidade: o jogo sai para PC, PS4, PS5, Xbox Series e Nintendo Switch 2, mas a melhor experiência é no PS5 e consoles mais novos.
  • Para fãs antigos, o remake altera personagens e substories. Se a nostalgia importa, você pode sentir falta de alguns momentos. Quem nunca jogou a série encontra aqui uma porta de entrada sólida.

1. Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties – PlayStation 5: remake completo com campanha inédita

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é um jogo que divide opiniões. Para quem adora a porradaria e não liga para algumas mudanças na história, o combate é o melhor que o estúdio já fez. Kiryu alterna entre o estilo Dragon of Dojima, clássico e direto, e o Ryukyu, que desbloqueia um arsenal de armas típicas de Okinawa. Numa luta em Kamurocho, ele usa uma tonfa para desviar de um golpe de faca e, no movimento, aplica um heat action com nunchaku: a câmera desacelera, ossos estalam, o inimigo voa. A fluidez impressiona, e a parada, embora exija precisão, recompensa com contra-ataques de tirar o fôlego. No lado de Mine, o shoot-boxing é rápido e agressivo. Em um beco escuro, ele ativa o Dark Awakening, agarra um inimigo pela cabeça e arrasta pelo asfalto, soltando faíscas. A campanha principal recria a jornada de Kiryu em Okinawa, onde ele administra o orfanato Morning Glory. Só que a interação com as crianças foi transferida para um modo secundário chamado Life at Morning Glory (ou Daddy Rank). Você cozinha, costura, caça insetos e ajuda com a lição de casa. É charmoso e viciante, mas perde o peso emocional que a história principal tinha. Dark Ties acompanha Mine desde seus dias como empresário até sua ascensão na yakuza. É curta na história principal, mas compensa com um combate diferenciado e um roguelike chamado Survival Hell, que gera masmorras aleatórias e testa sua resistência. Onde o pacote tropeça é nas mudanças narrativas. Personagens queridos ganharam novos modelos e dubladores, substories foram cortadas, e o tom mais sério deu lugar ao visual padronizado do Dragon Engine. Para quem nunca jogou Yakuza 3, isso pode passar batido. Para os veteranos, a sensação é de que algo se perdeu no caminho. Ainda assim, o pacote é generoso: Bad Boy Dragon (gerenciamento de gangue feminina), Hell's Arena (torneios) e dezenas de minigames. Se você topar revisitar Okinawa com combate renovado e não se apegar a cada detalhe original, o jogo entrega diversão de sobra.

Prós

  • Combate refinado com dois estilos variados e uso de armas
  • Modo orfanato expandido e atividades secundárias charmosas
  • Bad Boy Dragon e Hell's Arena adicionam horas extras de conteúdo

Contras

  • Campanha Dark Ties muito curta (algumas horas de história)
  • Mudanças narrativas e recriação de personagens controversas

Combate versátil: os punhos e as armas do Dragão

Em uma rua de Kamurocho, Kiryu saca uma tonfa no estilo Ryukyu. O inimigo avança com uma faca, ele desvia no timing certo e responde com um heat action que arremessa o sujeito contra uma barraca. Cada encontro vira uma pequena coreografia. O Dragon of Dojima mantém a essência de socos e chutes, mas o Ryukyu adiciona oito tipos de armas: tonfa, nunchaku, sai, bo staff, eku, kamas, surujin e tinbe-rochin. Cada arma muda alcance e ritmo. O sistema de parry exige precisão, mas acertar a defesa no momento certo e ver o contra-ataque em câmera lenta vale a pena.

Mine, no Dark Ties, usa um shoot-boxing agressivo. Em um beco escuro, ele ativa o Dark Awakening, agarra um inimigo pela cabeça e arrasta pelo asfalto: faíscas voam. O estilo é direto, com golpes que soam metálicos. O parry adiciona risco e recompensa, mas o jogo não pune quem só quer sair na mão.

Duas campanhas, um mar de conteúdo (e algumas arestas)

Duas campanhas, muitos modos e dezenas de minigames. Kiwami 3 sozinho consome dezenas de horas na história, e quem quiser fazer tudo pode passar mais de 40 horas. Dark Ties cabe em uma tarde, mas o Survival Hell, um roguelike com masmorras aleatórias, estica a diversão para quem gosta de desafio.

Os modos extras são generosos. Bad Boy Dragon coloca Kiryu comandando uma gangue feminina em batalhas de 20 contra 100, com upgrades e turfeiras. Hell's Arena é um clube de luta com desafios variados. Já o Daddy Rank transforma o orfanato em um minigame de gerenciamento: cozinhar, pescar, costurar e ajudar com a lição de casa. No orfanato, Kiryu ajuda uma criança com a tarefa enquanto outra mostra um inseto capturado. De repente, uma briga começa. Esse tipo de cena, antes parte da história, agora está no modo secundário. É um contraponto relaxante à violência, mas substituiu momentos importantes da trama. Para quem joga pelo conteúdo, é um prato cheio. Para quem busca narrativa coesa, pode frustrar.

Polêmicas e acertos: um remake que não agrada a todos

As controvérsias não passam despercebidas. O remake troca a aparência e a dublagem de personagens queridos, como Hamazaki (agora com Teruyuki Kagawa), e corta substories. A atmosfera de Okinawa perdeu o calor original, substituída pelo visual padronizado do Dragon Engine. Para novos jogadores, isso é irrelevante. Para os veteranos, o jogo foi 'alisado' demais.

No entanto, o combate nunca esteve tão bom. Se você joga Yakuza pela porradaria, pelos minigames absurdos e pelo carisma dos personagens, este pacote oferece horas de diversão. Dark Ties, apesar de curta, humaniza Mine com eficiência e preenche lacunas da cronologia. O ideal é entrar sabendo que o foco está na ação, e não na fidelidade histórica. Para puristas, talvez revisitar o original seja melhor. Para quem quer ver Kiryu quebrar todo mundo com uma tonfa, é dinheiro bem gasto.

Perguntas frequentes sobre review Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties PlayStation 5

Vale a pena jogar Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties se eu sou fã da série?

Sim, principalmente se você prioriza combate e conteúdo extra. O remake moderniza a jogabilidade de Yakuza 3, e Dark Ties adiciona uma campanha inédita focada em Mine. Mas esteja preparado para mudanças narrativas que podem incomodar veteranos.

O jogo tem legendas em português do Brasil?

Sim, Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties oferece legendas e menus em português brasileiro. A dublagem original japonesa está presente e é excelente. A localização foi bem recebida pela crítica nacional.

Dark Ties é uma campanha longa?

Não. A história principal de Dark Ties dura algumas horas. Para completar tudo (incluindo Survival Hell e missões secundárias), você chega a cerca de uma dezena de horas. É um extra, não um jogo completo.

Preciso jogar Yakuza 3 original antes deste remake?

Não, o remake conta a mesma história com melhorias. Se você nunca jogou Yakuza 3, pode começar por aqui sem problemas. Dark Ties é independente, mas se passa após os eventos de Kiwami 3.

Qual estilo de luta é melhor: Dragon of Dojima ou Ryukyu?

Depende do seu estilo. Dragon of Dojima é mais direto e poderoso, ideal para quem gosta do combate clássico. Ryukyu oferece variedade com armas e alcance, mas exige mais timing. Experimente ambos e alterne conforme a situação.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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