O som de uma katana cortando o ar, um revólver girando no coldre e a voz inconfundível de Kazuma Kiryu, agora samurai. Like a Dragon: Ishin! materializa essa fantasia: o remake do clássico de 2014 finalmente sai do Japão e chega ao PS5 com gráficos na Unreal Engine 4, combate brutal e o carisma de sempre. Mas por trás do visual novo, o esqueleto ainda range como um jogo de PS3.
Vale a viagem ao período Bakumatsu para quem não é fã de carteirinha? Ou Ishin! é só nostalgia para ver os velhos conhecidos de espada? Passei horas imerso em Kyoto feudal, entre goles de saquê e porradas, para descobrir.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Seu nível de inglês importa: sem legendas em português. Se você não se vira com textos em inglês ou espanhol, a experiência pode ser frustrante.
- Prefere ação ou turno? Ishin! mantém o combate em tempo real dos Yakuza clássicos. Se curtiu a porradaria de Yakuza 0, vai se sentir em casa.
- Prepare-se para muitas horas: só a campanha leva 20 a 25 horas. Para fazer tudo (substórias, minigames, Another Life), ultrapassa 100 horas. É jogo para mergulhar de cabeça.
1. Like a Dragon: Ishin! – Versão PlayStation 5
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Troquei de estilo no meio do combate, sentindo o impacto de cada Heat Action. Like a Dragon: Ishin! coloca Sakamoto Ryoma (com rosto de Kiryu) infiltrado no Shinsengumi para vingar o pai. A história é novelesca, com reviravoltas que grudam. O glossário integrado salva para entender termos históricos, mas a falta de legendas em português pesa. Nos quatro estilos (Espadachim, Pistoleiro, Dançarino Selvagem, Brigão), cada briga vira uma coreografia. Passei horas alternando entre katana e revólver, sentindo o baque de cada golpe. As substórias são um show: uma hora canta karaokê, outra cuida da horta em Another Life. O conteúdo é generoso, mas o ritmo inicial é arrastado e algumas mecânicas mostram a idade do original de 2014.
Prós
- Combate variado com quatro estilos que trocam na hora
- Ambientação histórica rica e personagens carismáticos da série Yakuza
- Quantidade absurda de conteúdo: substórias, minigames, Another Life
- Heat Actions brutais e cinematográficas
Contras
- Ausência de legendas em português do Brasil
- Algumas mecânicas e animações datadas, herança do original de 2014
Quatro estilos de luta, um samurai versátil
O combate de Ishin! é o ponto alto. Você alterna entre Espadachim (katana pura), Pistoleiro (revólver), Dançarino Selvagem (espada + pistola) e Brigão (soco e objetos). O Dançarino Selvagem é o mais divertido: corre, atira e corta em movimentos acrobáticos que lembram filme de samurai estiloso. O Heat Action dessa postura deixa o chão cheio de inimigos em câmera lenta. Já o Brigão é o mais fraco: faltam armas de ambiente para quebrar na cabeça dos oponentes.
Trocar de estilo no meio do combate é instantâneo e dá camada tática. Contra grupos, o Pistoleiro com munição infinita resolve, mas cansa. A sensação de impacto está toda nas Heat Actions: aquela animação que congela o tempo e destrói todo mundo ao redor. É visceral, exagerado e exatamente o que se espera de um Yakuza.
Conteúdo lateral: de karaokê a fazendinha
Se a campanha principal já é boa, o extra é onde Ishin! brilha. São 79 substórias que variam do hilário ao tocante, muitas quebrando a quarta parede. Você canta 'Baka Mitai' no karaokê (sim, com a voz do Kiryu), dança tradicional, aposta em corrida de galinhas ou cuida da sua horta no modo Another Life. Esse modo de vida pacata no campo é um respiro bem-vindo entre um combate sangrento e outro.
O sistema de Virtude recompensa tudo: pescar, rezar em santuários, cozinhar. Os Trooper Cards funcionam como golpes especiais invocáveis, mas são opcionais. Para quem gosta de completar tudo, a longevidade passa das 100 horas. O problema é que algumas substórias são mais curtas que nos Yakuza modernos e a qualidade varia, mas no geral o pacote é generoso.
No PS5, o passado e o presente se encontram
Visualmente, Ishin! é um remake caprichado. Kyoto tem ruas movimentadas, lojinhas e clima de época que impressiona. No PS5, roda em 4K nativo e 60 quadros por segundo, com carregamento quase instantâneo. Mas dá para sentir que a base é de 2014: algumas texturas são simples, as animações faciais não são tão expressivas e a paleta de cores é mais sóbria que a de Kamurocho. Nada que estrague a imersão, mas quem jogou Yakuza: Like a Dragon nota a diferença.
O áudio é apenas em japonês (que bom), com legendas em inglês e espanhol. A trilha sonora é marcante, com temas de ação e momentos dramáticos. O início é lento: leva cerca de 8 horas para a história engrenar. Depois disso, o ritmo melhora, mas a inconsistência tonal entre drama sério e missões absurdas pode incomodar. Para fãs da franquia, é prato cheio. Para novatos, talvez um choque cultural.
Perguntas frequentes sobre review Like a Dragon: Ishin! PlayStation 5
Like a Dragon: Ishin! tem legendas em português?
Não, o jogo não oferece legendas em português do Brasil. Conta com textos em inglês, espanhol, francês, alemão e italiano. Se você não se sente confortável com esses idiomas, pode ser uma barreira.
Preciso conhecer a série Yakuza para aproveitar?
Ajuda, mas não é obrigatório. A história é independente e se passa no século XIX, com personagens que têm o visual de Kiryu, Majima e outros. Quem conhece a série se diverte mais com as referências, mas novos jogadores acompanham a trama sem problemas.
Quantas horas dura a campanha principal?
A campanha principal leva entre 20 e 25 horas em dificuldade Normal. Com substórias e atividades extras, sobe para 40-50 horas. Para completistas, mais de 100 horas.
O combate é parecido com o de Yakuza 0?
Sim, segue a mesma base beat 'em up com troca de estilos e Heat Actions. A diferença é que aqui você tem katana e revólver, além dos socos. Quem curtia a porradaria dos Yakuza clássicos vai se sentir em casa.
Vale a pena para quem não é fã de Yakuza?
Depende. Se você gosta de jogos de ação com ambientação histórica, muito conteúdo e não se importa com mecânicas datadas, sim. Se prefere jogos mais modernos ou não curte dramas longos, talvez não seja a melhor escolha.
