Review EA Sports WRC (PS5): Rally de volta ao topo, com alguns tropeços técnicos

O barulho da brita contra o parachoque, o chiado do pneu no asfalto molhado, a voz seca do copiloto em inglês: EA Sports WRC te joga na estrada sem rodeios. A Codemasters volta às origens com o rally mais denso que já criou, mas deixa algumas ferrugens no caminho.

Em horas de jogo, você oscila entre a euforia de um estágio perfeito e a frustração de um stuttering que desmonta o ritmo. EA Sports WRC é um simulador acessível, recheado de conteúdo, mas que saiu da oficina antes do polimento final.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Física de direção realista e estágios longos com clima dinâmico fazem deste o rally mais autêntico da nova geração.
  • Gráficos de ponta e desempenho sem falhas? Não espere: especialmente em consoles, a performance é inconsistente.
  • Copiloto apenas em inglês e sem legendas. Para quem não domina o idioma, as anotações viram um desafio extra.
  • Um volante com force feedback eleva a imersão, mas o DualSense também segura bem o tranco.

1. EA Sports WRC para PlayStation 5: simulação acessível com conteúdo vasto

EA Sports WRC chega como o primeiro título da franquia sob o selo EA, mas o DNA da Codemasters está ali. Acelerar em um estágio de terra na Letônia sob chuva torrencial mostra isso: a física conversa com o piso de um jeito que só DiRT Rally sabia fazer. Cada curva exige precisão, mas o sistema de Handling Dinâmico permite ajustar desde o controle de tração até a rigidez da suspensão, tornando o jogo surpreendentemente acessível para iniciantes que ativam as ajudas. Para os veteranos, o desafio está em extrair o máximo de cada um dos 78 carros, dos híbridos Rally1 aos clássicos dos anos 60. Mais de 200 estágios, alguns com 30 km: completar um desses sem errar é uma maratona. O modo Carreira te coloca como chefe de equipe, gerenciando orçamento, contratando mecânicos e decidindo entre reparos e upgrades. As escolhas têm peso, mas nem sempre refletem na pilotagem. Já o Modo Moments é um acerto: recria momentos históricos do rally e propõe desafios diários que variam de reviver uma vitória lendária a enfrentar condições climáticas extremas. O Builder permite montar seu próprio carro, mas a customização visual é limitada. O ponto fraco está na performance. No PS5, o jogo sofre com quedas de frames, stuttering e screen tearing que quebram a imersão em momentos críticos. Você está numa curva fechada, sentindo o peso do carro, e de repente um travamento tira o ritmo. Os gráficos, embora bonitos em alguns cenários, não representam um salto geracional em relação a DiRT Rally 2.0. Além disso, o copiloto só fala inglês, sem opção de legendas em português, o que pode afastar parte do público brasileiro. Mesmo assim, quem busca simulação rally com profundidade e conteúdo dificilmente encontra concorrente à altura em 2024.

Prós

  • Física de direção excelente, especialmente em terra
  • Quantidade massiva de conteúdo (estágios, carros, modos)
  • Som imersivo e realista
  • Modos variados: Builder, Moments, Carreira, Regularity Rally
  • Acessibilidade para diferentes níveis de habilidade

Contras

  • Problemas técnicos frequentes (stuttering, quedas de frames, screen tearing)
  • Gráficos não representam um salto geracional

Como o jogo se comporta no volante e no controle

Cada piso tem personalidade: o asfalto seco gruda, a terra escorrega, a neve faz o carro dançar. O sistema de Handling Dinâmico permite ajustar desde a sensibilidade do acelerador até a rigidez da suspensão. Com um volante, você sente cada brita; no controle, os gatilhos adaptáveis do DualSense dão uma boa noção do atrito, mas não substituem a profundidade de um wheel.

Paciência é chave no começo. Os pace notes são essenciais e, sem tradução, podem confundir. Mas depois de algumas horas, o ritmo encaixa e cada curva vira um diálogo com a pista.

Conteúdo e modos: horas de rally na veia

Mais de 200 estágios oficiais, 78 carros, modos que vão de corridas cronometradas a recriações históricas: é difícil se sentir sem o que fazer. A Carreira te coloca como chefe de equipe: gerenciar orçamento, contratar engenheiros, decidir entre reparos e upgrades. É estratégico, mas às vezes as escolhas não afetam a pilotagem tanto quanto deveriam. O Modo Moments, ao contrário, é um acerto: recria momentos históricos do campeonato e propõe desafios diários que variam de reviver uma vitória lendária a enfrentar condições climáticas extremas. O Builder permite montar seu próprio carro, mas a customização visual deixa a desejar comparado a outros jogos.

O multijogador multiplataforma aguenta até 32 jogadores, e o sistema de Clubes da EA Racenet ajuda a organizar torneios personalizados. Falta desafios semanais no estilo de DiRT Rally 2.0, mas a comunidade já criou seus próprios eventos. A campanha principal dura cerca de 15 horas, mas os completistas vão gastar o dobro ou triplo disso.

Desempenho e localização: onde o jogo escorrega

No PS5, o jogo sofre com stuttering que aparece justamente nos momentos de maior precisão: uma curva fechada, uma freada brusca. O screen tearing também ocorre com frequência, especialmente em estágios noturnos ou com chuva. Não chega a ser injogável, mas quebra a imersão e pode custar alguns segundos na classificação. A Codemasters já lançou patches, melhorando a estabilidade, mas ainda está longe do ideal.

Outro ponto que incomoda é a falta de localização. O copiloto narra tudo em inglês e não há legendas em português. Para um jogo oficialmente lançado no Brasil, isso é uma falha que afeta diretamente a acessibilidade. A trilha sonora também é fraca, com poucas músicas que não grudam na cabeça. No lado positivo, a apresentação visual, embora não seja um marco técnico, é competente: os carros são bem modelados, os cenários capturam a essência dos ralis reais e os efeitos climáticos alteram drasticamente a jogabilidade.

Perguntas frequentes sobre review WRC PlayStation 5

EA Sports WRC é melhor que DiRT Rally 2.0?

Em conteúdo, WRC ganha: mais estágios, mais carros, mais modos. Mas DiRT Rally 2.0 roda mais estável no PS5 e tem gráficos mais polidos. Se você quer quantidade, vá de WRC; se quer polimento, DiRT ainda é destaque.

Precisa de volante para jogar bem?

Não. O jogo foi ajustado para controle, com ajudas e sensibilidade customizável. O volante melhora a imersão, mas não é obrigatório.

O jogo tem modo cooperativo?

Não. O multijogador é competitivo online, com até 32 jogadores. Sem campanha cooperativa.

Tem suporte a português?

Não. Apenas inglês, sem legendas em português. Uma barreira para quem não domina o idioma.

Os problemas técnicos foram corrigidos?

Patches melhoraram a estabilidade, mas stuttering e screen tearing ainda aparecem, especialmente em estágios cheios de elementos. Não esqueça de verificar as atualizações.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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