Você escolhe um elfo ladino, um anão guerreiro, uma gnoma sacerdotisa e um humano mago. Nenhum tutorial explica que misturar alinhamento bom e maligno no mesmo grupo é receita para desastre. O primeiro corredor da masmorra é escuro, a música de Winifred Phillips soa tensa, e um grupo de slimes pula sobre seu time. Seu mago tem 4 de vida. Ele morre no primeiro turno.
Wizardry: Proving Grounds of the Mad Overlord é uma cápsula do tempo de 1981. o código original do Apple II roda escondido sob gráficos 3D no Unreal Engine. A Digital Eclipse construiu um remake que não alivia. Não tem checkpoint, não tem mãozinha, não tem narrativa te guiando. Só um labirinto de 10 andares, um amuleto roubado pelo mago Werdna, e a certeza de que cada passo pode ser o último.
As opções modernas existem. mapa automático, redirecionamento de ataques, distribuição manual de atributos. mas a essência do original aparece forte. Você vai aprender a desarmar baús na base do erro: um ladrão que falha ativa uma armadilha que vaporiza metade do grupo. E aí você forma um grupo de resgate para recuperar os corpos, se conseguir chegar até eles. A pergunta não é se você vai morrer, mas quantas vezes.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- O jogo não explica nada. Você monta um grupo de até seis aventureiros, escolhe raça, classe e alinhamento, e desce as escadas. A diversão está em superar um desafio que não te dá trégua.
- As Modern Options ajudam: mapa automático, desligar morte permanente, redirecionar ataques. Mas mesmo com elas, o grind de descer, lutar, voltar para descansar e repetir pode cansar.
- A versão de PS5 roda estável, com gráficos bonitos e trilha sonora marcante. Pequenos glitches visuais aparecem, mas não quebram a experiência.
- A campanha leva de 18 a 35 horas, dependendo da sua paciência para o loop de grind e da quantidade de vezes que seu grupo é exterminado.
1. Wizardry Proving Grounds of the Mad Overlord – Remake fiel, difícil e nostálgico para PlayStation 5
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Se você jogou Wizardry no Apple II ou cresceu ouvindo que ele inventou o RPG de party, esse remake é um presente. A Digital Eclipse pegou o código original de 1981 e construiu por cima um visual 3D que transforma corredores pixelados em ambientes texturizados e com iluminação digna de dungeon moderna. Os monstros ganharam designs baseados na arte de Jun Suemi, e a trilha sonora de Winifred Phillips. sim, a mesma de Assassin's Creed e LittleBigPlanet. dá uma atmosfera que falta em muitos jogos do gênero hoje. Mas calma: não confunda fidelidade com moleza. O jogo não perdoa. A falta de tutoriais significa que você vai aprender na base do erro. e do erro vem a perda de personagens. Um ladrão que falha ao desarmar um baú pode ativar uma armadilha que vaporiza metade do grupo. Um grupo de monstros com sorte nos dados pode zerar seu time em dois turnos. E aí você forma um novo grupo de resgate para recuperar os corpos e os itens perdidos. se conseguir chegar até eles. As opções de qualidade de vida impedem que você desista: mapa ambiente (que elimina a necessidade de papel milimetrado), redirecionamento de ataques (para não desperdiçar golpes em inimigos mortos), e a possibilidade de desligar a morte permanente. Mas mesmo com tudo ligado, a essência do Wizardry original aparece forte. A cada descida ao labirinto, o coração acelera. Cada andar novo é um lembrete de que você é pequeno num mundo que não se importa. É meditativo, tenso e recompensador na medida certa. desde que você esteja disposto a sofrer.
Prós
- Remake extremamente fiel, preservando a essência do clássico de 1981
- Gráficos 3D bonitos e bem trabalhados, com design de monstros marcante
- Trilha sonora de Winifred Phillips de altíssima qualidade
- Opções de qualidade de vida que reduzem a frustração sem descaracterizar o jogo
- Profundidade tática: posicionamento, classes, alinhamento e ações contam muito
Contras
- Dificuldade brutal e punitiva, com curva de aprendizado dura para novatos
- Ausência total de tutoriais: você aprende por tentativa e erro
Para quem Wizardry foi feito?
Feche os olhos e imagine 1981: um menu verde de computador, 5 raças, 4 classes, e a exigência de que alinhamento bom e mau não podem se misturar. Se isso te dá nostalgia, você é o público-alvo. O remake não tenta conquistar todo mundo. Ele é dedicado a quem sente falta de um RPG que exige paciência, memória e um pouco de masoquismo. Jogadores de Etrian Odyssey, Bard's Tale ou do Wizardry original vão se sentir em casa.
Agora, se você veio de God of War ou The Witcher, prepare-se para o choque. Não há cutscenes, não há diálogos com opções, não há checkpoints. Você cria um grupo, desce as escadas e se vira. Quem gosta de descobrir mecânicas por conta própria vai adorar a liberdade. Quem prefere ser guiado, não.
O que o remake faz de diferente?
Além dos gráficos modernos, a grande adição são as Modern Options. Dá para distribuir pontos de atributo manualmente, expandir os serviços da vila (inclusive opções de ressurreição mais baratas), ativar um mapa que se preenche sozinho e redirecionar ataques que iriam para inimigos já mortos. Ladrões podem usar esconderijo e emboscada. mecânicas vindas de Wizardry: Story of Llylgamyn.
Para quem quer a experiência hardcore pura, há o modo Original, que remove esses confortos. E nos andares 6 a 8, você pode escolher entre o layout original do Apple II ou o do NES. É uma flexibilidade rara, que mostra respeito tanto pelos veteranos quanto pelos curiosos.
Outro acerto: as conquistas (achievements). Elas dão um incentivo extra para explorar cada canto do labirinto e tentar composições de grupo diferentes. Nada de novo, mas bem-vindo.
O calcanhar de Aquiles: o grind e a falta de polimento
O maior problema de Wizardry é o loop que se repete: descer, lutar, voltar para descansar, subir de nível, descer de novo. Isso funciona por um tempo, mas lá pelo quinto andar a sensação de déjà vu aperta. As batalhas aleatórias são frequentes e, depois de certo ponto, as ameaças conhecidas perdem a graça.
Além disso, a falta de personalização visual dos personagens. sem retratos customizados, apenas uma lista de nomes e números. diminui o apego emocional. Você se importa com o grupo pelo que eles conquistam, não por quem são. Para alguns, é minimalismo charmoso. Para outros, é frieza.
E há os pequenos problemas técnicos. Nenhum crash grave, mas alguns glitches visuais e a sensação de que os controles no PS5 poderiam ser mais ágeis nos comandos de menu durante o combate. Nada que quebre a experiência, mas que impede o remake de ser a versão definitiva que poderia.
Veredito: nostalgia que exige dedicação
Wizardry: Proving Grounds of the Mad Overlord é um trabalho de restauração apaixonado. Ele não tenta modernizar o que não precisa, mas oferece ferramentas para quem quer uma experiência menos cruel. Para o público certo. os que cresceram com RPGs de party e querem revisitar ou entender as origens -, é uma jornada inesquecível. Para os demais, pode ser uma provação.
Se você está disposto a aprender, falhar e aprender de novo, vale cada centavo. Se prefere uma aventura mais linear e acolhedora, passe longe. Aqui, a loucura do título não é só do Overlord. é sua também.
Perguntas frequentes sobre review Wizardry Proving Grounds of the Mad Overlord PlayStation 5
Wizardry Proving Grounds of the Mad Overlord tem morte permanente?
Sim, personagens podem morrer permanentemente, mas a ressureição é possível no templo (se o corpo for recuperado). Nas opções modernas, é possível desligar a perda de itens e a morte permanente, mas o risco continua alto.
Precisa jogar o original para entender o remake?
Não. O remake conta a mesma história simples (recuperar o amuleto) e o foco está na exploração, combate e progressão do grupo. Não há continuidade narrativa com outros jogos da série.
O jogo tem modo multiplayer?
Não. É single-player, formando um único grupo de até seis personagens controlados pelo jogador.
Vale a pena para quem não é fã de RPG clássico?
Provavelmente não. A falta de tutoriais, a dificuldade alta e o grind intenso podem afastar quem não está acostumado com o estilo. É um título de nicho.
Quanto tempo leva para zerar?
A campanha principal leva em média 19 horas, mas com extras e exploração completa pode chegar a 34 horas. Tudo depende da sua paciência com o grind.
