Boston nunca pareceu tão sombria. Depois de um tiroteio numa festa da Camarilla, a Máscara está por um fio e cabe a três vampiros de clãs muito diferentes descobrir o que realmente aconteceu. Vampire: The Masquerade – Swansong não é um jogo de ação. É um RPG narrativo que troca combate por investigação, diálogos afiados e uma tensão constante entre a Besta interior e as regras da sociedade vampírica.
Mas a ambição de traduzir a 5ª edição do RPG de mesa para as telas esbarra em problemas reais. A escrita é de alto nível, mas a execução capenga. Swansong entrega uma experiência que vai dividir opiniões. Para quem já conhece o universo, a imersão é imediata. Para novatos, o jogo faz pouco para te recepcionar. E, em ambos os casos, vai precisar de paciência com os bugs.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Fã do universo Vampire: The Masquerade? Swansong é um prato cheio de lore, referências e um sistema de escolhas que respeita o material original.
- Prepare-se para uma campanha de 15 a 25 horas focada em diálogos, investigação e quebra-cabeças. Não espere combate.
- A versão para PS5 está disponível no catálogo do PS Plus Extra – antes de comprar, confira se já não tem acesso por lá.
- O jogo tem legendas e menus em português do Brasil, o que ajuda quem não domina o inglês.
- A barreira de entrada é alta: um codex extenso e uma introdução confusa podem frustrar novatos no mundo das trevas.
1. Vampire: The Masquerade. Swansong para PS5. RPG narrativo fiel ao lore
Fonte: Amazon.com.brVampire: The Masquerade – Swansong (PS5)
Confira os detalhes completos diretamente na Amazon.
Swansong coloca você no papel de três vampiros da Camarilla: Galeb (Ventrue), Emem (Toreador) e Leysha (Malkavian). Cada um com habilidades únicas, uma árvore de perícias própria e uma perspectiva diferente sobre a conspiração em Boston. A premissa é excelente, e a escrita realmente faz jus ao material de mesa. Diálogos densos, escolhas com peso e o sistema de confrontos verbais – com rolagem de dados e gerenciamento de Fome e Força de Vontade – simulam uma sessão de Vampiro como nenhum outro jogo. Num dos momentos mais marcantes, Leysha usa Obfuscação para se disfarçar de segurança, transformando uma simples investigação em um exercício de furtividade vampiresca. Quando tudo funciona, a imersão é poderosa. Você investiga cenários, coleta pistas, interroga suspeitos e, de quebra, precisa se alimentar em locais seguros com QTEs que adicionam tensão. Mas a execução técnica atrapalha: movimentação travada, animações faciais datadas e bugs frequentes – personagem emperrado, câmera travada, missões que exigem reinício de capítulo. Nada que inviabilize a experiência, mas que quebra o ritmo várias vezes. Para quem busca história adulta com nuances políticas, Swansong acerta em cheio. Para quem espera ação ou polimento, a frustração é certa. O preço cheio é salgado, mas a presença no PS Plus Extra torna a recomendação mais fácil para assinantes. No fim, é um jogo de nicho que cumpre sua proposta – desde que você esteja disposto a relevar os defeitos.
Prós
- Narrativa e world-building de alto nível, fiel ao RPG de mesa
- Sistema de escolhas com consequências reais e múltiplos finais
- Mecânica de Fome e Força de Vontade traz tensão tática aos diálogos
Contras
- Bugs e problemas técnicos frequentes (travamentos, colisão, câmera)
- Curva de aprendizado ingrata para quem não conhece o universo
Como funciona a jogabilidade de Swansong?
Esqueça combate. Swansong é um jogo de investigação em terceira pessoa, onde o progresso depende de diálogos bem-sucedidos, exploração de cenários e uso de perícias como Persuasão, Intimidação e Tecnologia. Cada personagem tem disciplinas únicas: Leysha usa Obfuscação para se disfarçar (quase como um Hitman vampiresco), Galeb domina mentes com Dominação e Emem manipula multidões com Presença. Os confrontos de diálogo funcionam como batalhas: você gasta Força de Vontade para ativar habilidades especiais e tenta vencer a resistência do NPC. Se a Fome estiver alta, usar poderes pode despertar a Besta e fazer você perder o controle. Alimentar-se exige encontrar um local seguro, hipnotizar um humano e acertar um QTE para não matá-lo. Num confronto com um primogênito, usar Persuasão e Intimidação pode ser a diferença entre obter uma pista crucial e ser enganado. É um sistema profundo e gratificante quando você entende as regras – mas o jogo explica mal, e os primeiros capítulos podem ser frustrantes.
O maior acerto: a narrativa e o mundo das trevas
A narrativa é a espinha dorsal de Swansong. Passada em Boston, ela gira em torno de um ataque a uma festa da elite vampírica e suas consequências políticas. Cada protagonista tem motivações próprias e a trama se entrelaça de forma não linear. As escolhas morais são cinzentas – não existe opção certa, e as consequências podem aparecer capítulos depois. O Codex interno é um banquete para quem ama o lore: explica clãs, disciplinas, a Máscara, a Besta e a sociedade camarilha. A escrita é madura, os diálogos são bem construídos e os personagens têm personalidade. Quem já jogou RPG de mesa ou leu os livros vai se sentir em casa. Quem não conhece, porém, vai precisar de paciência para digerir tanta informação. O jogo não segura na mão: pistas não são marcadas, e você precisa realmente prestar atenção.
Para quem Swansong realmente faz sentido?
Swansong é um jogo de nicho. Ele foi feito para os fãs de Vampire: The Masquerade, ponto. Se você já jogou o RPG de mesa ou leu os livros, a imersão é imediata. Também agrada quem curte RPGs narrativos pesados, como Disco Elysium ou os jogos da Telltale. Agora, se você busca ação, gráficos de ponta ou uma experiência polida, melhor passar longe. Os bugs são reais e aparecem com frequência – especialmente na versão de lançamento, que até hoje não recebeu patches milagrosos. A movimentação é travada, os cenários têm clipping e alguns puzzles são obtusos. Para piorar, o sistema de save único (sim, apenas um slot) pode ser cruel: se um bug te prender, você perde progresso. Apesar de tudo, há um jogo sincero aqui. Ele respeita o material original, entrega uma história que vale a pena ser vivida e, para o público certo, pode ser uma experiência memorável.
Perguntas frequentes sobre review Vampire: The Masquerade – Swansong () PlayStation 5
Vampire: The Masquerade – Swansong tem combate?
Não. O jogo é focado em investigação, diálogos e puzzles. Não há combate tradicional. As únicas ações rápidas são QTEs durante a alimentação dos personagens.
Quanto tempo dura a campanha principal?
A campanha leva entre 15 e 25 horas, dependendo do seu ritmo de exploração e quantas missões opcionais você faz. O jogo incentiva múltiplas jogatinas por causa dos finais diferentes.
Preciso conhecer o universo de Vampire: The Masquerade para jogar?
Recomenda-se. O jogo tem um Codex explicativo, mas a introdução é confusa para novatos. Quem já conhece o lore aproveita muito mais a narrativa e as referências.
A versão de PS5 tem diferenças para as outras plataformas?
A versão PS5 oferece tempos de carregamento reduzidos e suporte a legendas em PT-BR. O conteúdo é o mesmo, e os bugs relatados são transversais a todas as plataformas.
