Quinze anos. Foi quanto tempo os fãs esperaram por uma sequência digna de Bloodlines. Quando a Paradox e a The Chinese Room cravaram outubro de 2025, a excitação veio com um pé atrás: será que o novo jogo honraria o clássico ou só usaria o nome? Depois de dezenas de horas sugando sangue em Seattle, a resposta é clara, e frustrante.
Bloodlines 2 brilha na narrativa. Phyre, vampiro ancião que desperta décadas depois em uma Seattle dominada por facções, protagoniza diálogos afiados e personagens como Lou Graham e o Malkaviano Fabien, carismáticos e bem escritos. A mitologia dos vampiros é tratada com reverência. Mas o resto? O combate desanda. A progressão de RPG? Rasa. O mundo aberto? Um palco vazio.
Subir em um prédio em Downtown, planar entre telhados, se alimentar de um humano com raiva para ganhar dano extra: esses momentos são genuinamente divertidos. A trilha de Rik Schaffer e a iluminação da Unreal Engine 5 entregam uma Seattle noturna e suja, digna de horror gótico. Mas quando o jogo pede para você lutar, a magia quebra. É ali que Bloodlines 2 tropeça e não levanta.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Foque na história: se você quer uma boa trama de vampiro, Bloodlines 2 entrega. Se o combate é mais importante, melhor passar longe.
- O combate é simples: sem lock-on, golpes imprecisos e telecinese como substituta de armas. A árvore de habilidades é legal, mas o corpo a corpo frustra.
- O mundo aberto é enxuto: Seattle tem uns 5×5 quarteirões, NPCs repetitivos e missões que parecem tarefa de entrega.
- No PS5, jogue no modo Desempenho. O modo Qualidade com RTGI cai abaixo de 30 fps. O modo performance fica em 60 fps na maior parte, com alguns bugs.
- Duração honesta: campanha de 20 a 30 horas. Completistas chegam a 40. Não espere um épico de 100 horas.
1. Vampire: The Masquerade, Bloodlines 2 (PS5): O melhor e o pior do RPG vampírico
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A primeira vez que você escala um arranha-céu em Downtown Seattle e plana sobre uma praça lotada, Bloodlines 2 parece perfeito. Aí você pousa, enfrenta dois inimigos comuns e a câmera treme, os golpes não acertam, e a frustração toma conta. Essa é a essência do jogo: uma narrativa de nove noites em Seattle, com política de clãs, diálogos excelentes e um mistério em torno de Fabien que gruda. O sistema de alimentação com ressonância emocional é uma sacada rara: sugue um humano com raiva e ganhe dano extra, por exemplo. A movimentação vertical (escalar, planar) dá uma liberdade que o combate não acompanha. E o combate é o calcanhar de Aquiles: sem lock-on, ataques sem peso, telecinese para armas de fogo. A furtividade funciona, mas a Máscara é permissiva demais: se esconda por três segundos e os inimigos te esquecem. As missões secundárias? Entregar pacotes, matar alvos. Repetitivo. No PS5, o modo Desempenho segura 60 fps na maior parte do tempo, com alguns engasgos. O modo Qualidade tem RTGI bonito, mas cai abaixo de 30 fps. Bloodlines 2 é para quem ama história e atmosfera. Quem espera o RPG profundo de 2004, melhor repensar.
Prós
- Narrativa envolvente, com personagens carismáticos e escrita afiada
- Atmosfera sombria e imersiva, com ótimo design de áudio
- Movimentação vertical divertida (escalar e planar)
- Árvore de habilidades customizável com poderes variados
- Respeito pela mitologia de Vampire: The Masquerade
Contras
- Combate corpo a corpo impreciso e sem lock-on
- Mundo aberto vazio, com NPCs repetitivos e side quests fracas
O que esperar do combate e da exploração?
Você tenta acertar um Soco com um Brujah, mas o golpe passa ao lado. A câmera treme, o inimigo avança, outro aparece nas costas. Bloodlines 2 não tem lock-on, e o combate corpo a corpo é um caos impreciso. As Disciplinas salvam: telecinese arremessa um barril, possessão vira um humano contra o outro. Mas a recarga é longa. A movimentação vertical é o oposto: escalar fachadas, planar por becos, pular de um telhado a outro: isso sim funciona. O sistema de alimentação com ressonância emocional adiciona tática, mas é subutilizado. A furtividade é eficiente, mas a Máscara é generosa: quebre o sigilo, corra para uma sombra, e em segundos os inimigos desistem. A dificuldade é esquisita: grupos de inimigos comuns são tanques, chefes caem fácil.
Explorar Seattle rende marcas de sangue que dão pontos de habilidade e interiores caprichados (boates, prédios abandonados). Mas o mundo aberto é um teatro vazio. NPCs se repetem, faltam eventos aleatórios, e as side quests são 'vá, mate, volte' ou 'entregue isto'. A cidade é bonita, mas sem vida.
Narrativa e personagens: o coração que pulsa
The Chinese Room caprichou na história. Phyre, o ancião que desperta, é fixo (clã e gênero à escolha, personalidade não), e isso serve à trama. Seattle noturna, dividida em cinco facções, é o palco de intrigas políticas. Os diálogos são afiados, e mesmo que as escolhas nem sempre mudem o rumo, você sente o peso. Fabien, o Malkaviano dos flashbacks, é carismático, apesar de alguns críticos acharem os flashbacks longos. Dublagem em inglês de alto nível, com destaque para Lou Graham e Ysabella. A trilha de Rik Schaffer é um deleite, noir sobrenatural puro.
A mitologia de Vampire: The Masquerade é respeitada e explicada de forma acessível. Seis clãs (Brujah, Tremere, Banu Haqim, Ventrue, Toreador, Lasombra) oferecem estilos diferentes, mas a falta de atributos e a árvore rasa diminuem o impacto. Bloodlines 2 é mais uma visual novel com combate do que um RPG de ação. Para quem valoriza história, vale cada minuto. Para quem espera a liberdade do original, frustração certa.
Performance e versão de PlayStation 5
No PS5, o modo Qualidade com RTGI é bonito, mas cai abaixo de 30 fps em áreas abertas com inimigos. Não vale o sacrifício. O modo Desempenho roda a 60 fps na maior parte, com alguns engasgos em ação intensa. Bugs visuais aparecem: texturas que demoram a carregar, animações rígidas. Nada que quebre o jogo, mas perceptível. A versão de PC parece ter menos problemas, segundo análises.
Bloodlines 2 é single-player, campanha de 20 a 30 horas (até 40 para completistas). Rejogabilidade limitada: progressão linear, escolhas com impacto pequeno. Trocar de clã não muda tanto. É um jogo para ser vivido uma vez, saboreando a história.
Perguntas frequentes sobre review Vampire: The Masquerade – Bloodlines 2 () PlayStation 5
Quanto tempo leva para zerar Vampire: The Masquerade. Bloodlines 2?
A campanha principal dura entre 20 e 30 horas, dependendo do estilo de jogo. Quem quiser fazer tudo (missões secundárias e coletáveis) chega a 40 horas. É possível terminar em 15 horas correndo, mas não é o ideal.
Vale a pena para quem jogou o primeiro Bloodlines?
Depende do que você busca. Se o que te marcou no original foi a profundidade de RPG, a liberdade de personagem e o mundo vivo, Bloodlines 2 decepciona. Se você está aberto a uma experiência mais linear e focada em narrativa, ainda há diversão. especialmente pela atmosfera e pelos personagens.
O jogo tem suporte a português?
Não há confirmação de dublagem ou legendas em português brasileiro. A versão testada estava em inglês, com ótima dublagem. Verifique na loja antes de comprar para garantir que o idioma atende sua preferência.
