Ao pisar na Cidade Eterna, o impacto visual é imediato: estátuas distorcidas, corredores banhados em dourado, uma arquitetura que mistura o sagrado e o grotesco. Mas a beleza dura pouco. Logo o primeiro checkpoint mal posicionado, o primeiro inimigo que te vê através de uma parede, e a promessa de terror psicológico dá lugar à frustração. Unholy tenta ser ousado com munição emocional e máscaras, mas a execução não acompanha a ambição.
A campanha, que dura entre 7 e 8 horas, coloca você na pele de Dorothea, uma mãe em busca do filho Gabriel, raptado por uma seita chamada Primavera da Eternidade. A premissa é forte, mas a narrativa se perde em transições confusas entre a realidade decadente de uma cidade pós-soviética e o paraíso corrupto da Cidade Eterna. Os sustos, quando aparecem, são previsíveis. O medo genuíno, aquele que faz você hesitar antes de virar uma esquina, é raro.
Unholy não é um desastre, é verdade. Mas também não é o terror que poderia ser. Para quem valoriza atmosfera e direção de arte acima de tudo, talvez valha uma olhada. Para quem quer diversão fluida e assustadora, melhor procurar outro jogo.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- A furtividade é essencial, mas a IA dos inimigos é errática. Espere momentos em que um guarda fica parado na porta do seu esconderijo por minutos.
- A duração principal fica entre 7 e 8 horas. Se busca um jogo longo, não é aqui.
- As mecânicas de munição emocional e máscaras são interessantes na teoria, mas na prática você vai atordoar inimigos e procurar barris explosivos na maior parte do tempo.
- No PS5, quedas de quadro e travamentos são comuns, especialmente ao ativar a visão das máscaras. Não espere desempenho liso.
1. Unholy. PlayStation 5: terror atmosférico com execução problemática
Fonte: Amazon.com.brConfira os detalhes completos diretamente na Amazon.
Unholy é um survival horror em primeira pessoa que aposta em uma direção de arte caprichada e conceitos originais, mas esbarra em uma execução frustrante. Você controla Dorothea, uma mãe que invade a Cidade Eterna – um paraíso corrupto – atrás do filho Gabriel. A jogabilidade gira em torno de furtividade, puzzles simples e um estilingue que dispara munição emocional: raiva destrói obstáculos, desejo distrai inimigos, tristeza os atrai, medo os atordoa. Para matar, você depende de armadilhas ambientais como barris explosivos ou painéis elétricos. Não há ataque corpo a corpo, então cada confronto exige paciência e reposicionamento. As máscaras adicionam uma camada tática: a Máscara da Irmã permite atravessar gás venenoso, a do Servo revela objetos ocultos. Mas alternar entre modos é confuso e, no PS5, ativar a visão da máscara provoca quedas drásticas de desempenho. O sistema de upgrade, com memórias trocadas em altares, é funcional mas raso. Visualmente, o jogo impressiona nos cenários – a arquitetura brutalista do leste europeu contrasta com a iconografia religiosa grotesca da Cidade Eterna. As texturas, porém, são inconsistentes, e as animações faciais beiram o caricato. A trilha sonora de Jan Ignacy Królikowski cria clima, mas os sustos são previsíveis e raros. A história, que poderia explorar temas de trauma e culto, termina de forma anticlimática, com um desfecho que não recompensa o esforço. Para quem é: fãs de terror atmosférico que valorizam direção de arte e não se importam com imperfeições; jogadores pacientes que curtem furtividade e puzzles simples. Para quem não é: quem espera sustos genuínos, controles polidos, combate satisfatório ou uma narrativa envolvente. Unholy é um jogo de ideias boas que a execução não honrou.
Prós
- Direção de arte marcante e atmosfera visual única
- Conceito criativo de munição emocional e máscaras
- Trilha sonora competente que reforça o clima
- Legendado em português brasileiro
Contras
- Furtividade quebrada: IA errática e inimigos que acampam perto de esconderijos
- Combate frustrante: sem ataque corpo a corpo, dependência total de armadilhas
Jogabilidade: entre o conceito promissor e a execução frustrante
Você controla Dorothea com um estilingue que só atordoa. Não há socos, nem facas. Para matar, precisa de barris explosivos ou painéis elétricos. O combate é quase um puzzle: atrair o inimigo para a armadilha certa. Mas a furtividade, que deveria ser sua aliada, trava. Inimigos te veem através de paredes, ou param e não saem da frente do armário. Morreu? Volte 15 minutos, porque os checkpoints são raros e mal posicionados.
As máscaras adicionam camadas táticas: a da Irmã permite atravessar gás venenoso, a do Servo revela objetos escondidos. Só que alternar entre modos é lento e, no PS5, ativar a visão da máscara derruba os quadros por segundo. Você quer ver o que está oculto, mas o jogo engasga. Os puzzles, por sua vez, são simples demais – alinhar uns símbolos, achar uma chave. Cansam rápido. O loop se repete: andar devagar, se esconder, atordoar, explodir barril. E de novo.
Visual e som: o que salva e o que atrapalha
O forte de Unholy é o visual. A cidade real tem ares de filme de terror do leste europeu: prédios descascados, céu cinzento, uma umidade que parece grudar na tela. Já a Cidade Eterna aposta no exagero religioso – estátuas retorcidas, corredores dourados, uma opressão quase física. A direção de arte de Tomasz Strzałkowski merece elogios. Mas as texturas são inconsistentes: paredes ricas em detalhes ao lado de rostos de personagens que parecem de plástico. As animações faciais são caricatas, e o lip sync atrasado tira a imersão.
A trilha sonora de Jan Ignacy Królikowski é competente: cordas tensas, ruídos ambientes, silêncios que apertam o peito. Só que o jogo não sabe usar o som para criar medo. Os sustos são anunciados com antecedência – uma porta range, uma aparição se materializa lentamente. Faltam aqueles momentos de silêncio absoluto quebrado por um grito inesperado. Em vez disso, a atmosfera é sabotada por problemas técnicos: texturas que carregam tarde, queda de FPS ao usar a máscara, e travamentos que forçam reinicialização.
Para quem realmente vale a pena?
Unholy é para quem valoriza atmosfera acima de tudo. Se você curte explorar cenários bizarros, não se importa com controles imprecisos e tolera furtividade quebrada, pode encontrar beleza na Cidade Eterna. O jogo tem personalidade visual de sobra. Mas se sustos genuínos, combate fluido e uma história envolvente são prioridade, passe longe. As ideias aqui são melhores que a execução.
Com 7 a 8 horas de campanha e problemas técnicos evidentes, o preço cheio pesa. Em promoção, talvez faça mais sentido. Mas a decisão é sua: saiba que está comprando um jogo de promessas não cumpridas, com lampejos de brilho ofuscados por uma execução desastrada.
Perguntas frequentes sobre review Unholy PlayStation 5
Unholy tem legendas em português brasileiro?
Sim, o jogo oferece legendas em português brasileiro, com vozes originais em inglês.
Quanto tempo dura Unholy?
A campanha principal leva entre 7 e 8 horas. Para completar tudo, incluindo colecionáveis, pode chegar a 15 horas.
Unholy é um jogo de terror de verdade?
A proposta é de terror psicológico, mas a execução falha em criar sustos genuínos. A atmosfera é boa, mas os momentos de medo são raros e previsíveis.
O combate é satisfatório?
Não. Não há ataques corpo a corpo, e a única arma é um estilingue que só atordoa inimigos. Para matar, você depende de armadilhas ambientais. O combate é frustrante e desestimulado.
Unholy roda bem no PlayStation 5?
Infelizmente, não. Há quedas de quadro frequentes, travamentos, texturas que carregam tarde e problemas de desempenho ao usar máscaras. A otimização deixa a desejar para um console da geração atual.
