Truck Driver: The Dutch Connection: um passeio holandês com peso na direção e tropeços no trânsito

A chuva bate no para-brisa, o vento balança a cabine e, pelo controle, sentimos o tamborilar dos pingos contra o metal. Lá fora, moinhos de vento cortam o horizonte holandês enquanto o caminhão responde com peso e inércia. Cada curva exige freada calculada, cada retomada pede paciência. Esse é o melhor momento de Truck Driver: The Dutch Connection, um spin-off que troca as estradas americanas pelos canais e tulipas de uma Holanda fictícia em 2027.

A campanha alterna entre Lucas, um novato, e Felix, um veterano. São entregas, gerenciamento de combustível, fome e sono. O charme do visual e da física colide com escolhas de design que irritam.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Quer dirigir sem pressa? A física pesada e os efeitos climáticos são o destaque. Dirigir numa tempestade com moinhos ao fundo é inesquecível.
  • Se IA de trânsito irrealista e multas frequentes tiram seu sono, prepare-se para mais estresse que relaxamento.
  • O DualSense faz diferença: gatilhos endurecem e a chuva vibra no controle. No PS5, a imersão ganha pontos.
  • O modo gráfico no PS5 Pro ajuda, mas ainda há texturas que carregam tarde e um FOV de primeira pessoa apertado.

1. Truck Driver: The Dutch Connection: PlayStation 5

A física de direção é o motor que sustenta essa viagem. Cada caminhão tem massa, balança nas curvas e derrapa no asfalto molhado. O DualSense transforma a experiência: os gatilhos oferecem resistência ao acelerar e frear, e a chuva é sentida como uma vibração constante no controle. Dirigir sob uma tempestade com moinhos ao fundo, enquanto o vento empurra o veículo, é um daqueles momentos em que o jogo faz valer a pena. Mas nem tudo na estrada é paisagem bonita. A inteligência artificial do trânsito é terrível. Carros trocam de faixa sem sinal, freiam do nada, ultrapassam pela direita. Batemos mais por culpa de um NPC do que por erro próprio. O sistema de sobrevivência. gerenciar fome e sono. parece pensado para atrapalhar: em várias áreas do mapa não há restaurante ou hotel, e o personagem pode simplesmente apagar se o medidor zerar. As multas por velocidade e infrações são frequentes e pesadas, transformando cada corrida numa equação financeira frustrante. O mapa é pequeno e, fora da estrada principal, as cidades são vazias, sem pedestres, sem vida. A direção noturna é prejudicada por um FOV estreito e faróis que demoram a aparecer. Os gráficos, apesar do Unreal Engine 5, sofrem com texturas que carregam tarde e uma saturação exagerada que cansa a vista. O áudio também patina: as rádios são genéricas e a dublagem, apesar de funcional, tem roteiro clichê. Mesmo assim, Truck Driver: The Dutch Connection entrega o que promete: uma viagem relaxante para quem quer dirigir sem pressa, ouvir o ronco do motor e apreciar o visual holandês. As 35 missões iniciais e o modo Livre para Andar estendem a vida útil para cerca de 12 horas. Não espere profundidade de simulador hardcore. Isso aqui é um passeio de caminhão com história, ideal para quem curtiu o antecessor ou busca um tipo diferente de jogo no PS5.

Prós

  • Direção com peso e inércia satisfatórios, reforçada pelo DualSense
  • Efeitos climáticos impressionantes (chuva, vento, neblina)
  • Narrativa entre Lucas e Felix surpreendentemente envolvente
  • Suporte a volantes e patches frequentes corrigindo bugs

Contras

  • IA do trânsito errática e frustrante
  • Sistema de sobrevivência mal calibrado (fome/sono)

O peso da estrada e o charme dos moinhos

Ao entrar numa curva fechada a 80 km/h, o caminhão inclina, os pneus guincham e o DualSense aperta os gatilhos. Essa é a melhor sensação do jogo. As tempestades são espetáculo: raios cortam o céu, o vento empurra o veículo e os moinhos giram sob nuvens carregadas. A combinação entre física e clima cria uma imersão forte. Mesmo com texturas que carregam tarde e uma saturação exagerada, há beleza nos campos de tulipas ao pôr do sol com ray tracing ligado.

Tropeçando no trânsito e na sobrevivência

Na estrada, o pior obstáculo é outro motorista: um carro que freia do nada, outro que ultrapassa pela direita. A IA é caótica. As multas aparecem em momentos injustos, e o sistema de fome e sono é desbalanceado: em certas regiões não há lugar para comer, e o personagem desmaia. Subidas? O caminhão engatinha. A falta de estações de reparo transforma qualquer batida num pesadelo logístico.

Uma viagem para poucos, mas com personalidade

Truck Driver: The Dutch Connection não tenta ser Euro Truck Simulator. É um simulador casual com história. Quer relaxar ao volante sem se preocupar com marchas? Fãs do antecessor vão se sentir em casa. Quem busca realismo pesado, mapa enorme ou IA coerente vai bater cabeça. O jogo funciona melhor em sessões curtas: pegar uma carga, atravessar uma tempestade e parar. Não espere profundidade técnica. Espere um passeio com personalidade, alguns soluços e uma dupla de protagonistas que, apesar dos diálogos clichês, segura o volante com dignidade.

Perguntas frequentes sobre review Truck Driver: The Dutch Connection PlayStation 5

Quantas horas dura a campanha de Truck Driver: The Dutch Connection?

A campanha principal tem 35 missões, totalizando cerca de 12 horas. Depois, o modo Livre para Andar permite dirigir sem objetivos, estendendo o tempo conforme sua vontade.

O jogo tem suporte a volante?

Sim. São compatíveis os modelos Logitech G29, G923, Thrustmaster 128, 248, 80, 300RS e HORI DLX AB-05. A experiência com volante melhora bastante a sensação de peso e controle.

Truck Driver: The Dutch Connection é melhor que The American Dream?

É um passo sutil à frente: gráficos com UE5, clima dinâmico e suporte ao DualSense. Mas o mapa é menor e a IA continua problemática. Fãs do anterior vão reconhecer a fórmula, com alguns acertos e os mesmos tropeços.

O jogo está em português brasileiro?

Sim, o jogo oferece localização completa para o português do Brasil, incluindo textos e menus. A dublagem está em inglês, mas as legendas e interface estão em PT-BR.

Vale a pena comprar no PS5 em vez do Xbox?

A versão PS5 aproveita o DualSense com gatilhos adaptáveis e vibração por chuva. Ambas recebem os mesmos patches e suporte a volante. A escolha depende de qual plataforma você prefere para jogos casuais.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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