A primeira vez que você alterna os gráficos em uma sala de The Last Revelation, o impacto é quase físico. As texturas granuladas dão lugar a hieróglifos nítidos, a iluminação ganha profundidade, e a tumba parece respirar de novo. Mas nem tudo é beleza nessa viagem ao passado. Entre 1999 e 2003, Tomb Raider viveu sua fase mais conturbada: do auge no PS1 para os tropeços no PS2, com títulos que dividiram fãs e críticos. Agora, Aspyr e Crystal Dynamics reuniram os três jogos em uma coletânea que promete redenção, ou ao menos uma segunda chance.
Passei dezenas de horas com essa versão de PS5, alternando modos gráficos ora para admirar, ora para entender um puzzle. A conclusão? Tomb Raider IV-VI Remastered é um tributo sincero, mas que escancara as arestas de uma era em que Lara Croft parecia ter perdido o rumo. E que ainda exige paciência, muita paciência, para ser aproveitado.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Antes de comprar, entenda que esta é uma coletânea de três jogos com propostas e qualidades diferentes. The Last Revelation é o mais sólido; Chronicles é uma antologia curta e irregular; The Angel of Darkness ainda carrega problemas estruturais mesmo com o conteúdo restaurado.
- Os controles modernos (com câmera no analógico direito) são uma tentativa válida, mas não funcionam perfeitamente com o level design original baseado em câmera fixa. Se você é veterano, talvez prefira o esquema clássico (tanque).
- A remasterização visual impressiona em The Last Revelation e Chronicles, mas decepciona em The Angel of Darkness, que recebeu apenas um upscalling básico. Não espere o mesmo nível de fidelidade da primeira coletânea.
- Prepare-se para uma campanha longa: só a história principal leva cerca de 35 horas, e o completista pode passar das 70 horas. A paciência será sua maior aliada.
1. Tomb Raider IV-VI Remastered Starring Lara Croft para PlayStation 5: remasterização generosa e controles controversos
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A primeira impressão é visual. The Last Revelation ganhou texturas nítidas, iluminação dinâmica e modelos detalhados – os hieróglifos nas tumbas egípcias parecem esculpidos de novo. Pressionar Options e ver a transformação instantânea dos gráficos clássicos para os modernos é um truque que nunca cansa. Chronicles também se beneficiou, com cenários de Roma e um navio que antes pareciam borrados e agora têm personalidade. O problema? Jogar. Os controles modernos, mesmo refinados em relação à primeira coletânea, ainda lutam contra a câmera fixa. Num salto crucial sobre um abismo, a câmera muda o ângulo e você cai. Ou tenta dar um giro de 180 graus com L2 + círculo e o timing falha. A frustração é real. Já The Angel of Darkness continua sendo o elo fraco: a dublagem brasileira recuperada e o conteúdo restaurado (novas áreas, armas, diálogos) são bem-vindos, mas a movimentação lerda e bugs eventuais (inimigos atravessando paredes, itens não coletáveis) lembram por que o jogo foi odiado. Ainda assim, para fãs, a coletânea entrega: modo Photo, Flyby Camera Maker, o nível bônus The Times e mais de 150 troféus. É um tributo sincero a uma era controversa, que exige do jogador a mesma paciência que os originais pediam.
Prós
- Remasterização visual de alto nível em The Last Revelation e Chronicles, com texturas e iluminação renovadas
- Alternância instantânea entre gráficos clássicos e modernos funciona como um encanto e ajuda na navegação
- Conteúdo restaurado em The Angel of Darkness (diálogos, áreas, armas) torna o jogo mais completo
- Dublagem brasileira recuperada e modo Photo/Flyby Camera Maker são destaques criativos
Contras
- Controles modernos ainda geram frustração em ângulos de câmera fixa, com saltos imprecisos e comandos pouco intuitivos
- The Angel of Darkness permanece fraco graficamente (apenas upscalling) e estruturalmente, mesmo com restaurações
A remasterização que transforma (e às vezes atrapalha)
Pisar nas areias do Egito em The Last Revelation com texturas repaginadas é quase um exercício de nostalgia aumentada. Os hieróglifos ganham relevo, as tochas projetam sombras que dançam nas paredes, e o balanço de Lara nas cordas parece mais fluido, até você precisar pular em uma plataforma e a câmera fixa travar o ângulo errado. Aí a frustração bate. A iluminação moderna, embora bonita, pode esconder alavancas ou buracos no chão, especialmente nas tumbas mais escuras. Há momentos em que o melhor é apertar Options e voltar aos gráficos originais, só para entender onde você deve ir. Chronicles se beneficia de uma paleta mais variada e de cenários que misturam Roma, uma ilha e um navio. A furtividade introduzida em alguns segmentos funciona razoavelmente, mas a qualidade dos níveis oscila entre o inspirado e o esquecível. Já The Angel of Darkness. bem, ele continua sendo The Angel of Darkness. Os cenários parisienses noturnos têm uma atmosfera única, mas a movimentação travada e os puzzles mal explicados lembram por que o jogo foi tão criticado. Pelo menos, a restauração de conteúdo dá uma sobrevida: novas rotas, mais armas e a possibilidade de jogar com Kurtis Trent em trechos que antes estavam incompletos.
Controles: a briga entre o clássico e o moderno
Se você jogou Tomb Raider I-III Remastered, já conhece o dilema. O esquema moderno mapeia a movimentação para o analógico esquerdo e a câmera para o direito, mas a física de Lara ainda responde melhor aos comandos do tanque clássico. Em Tomb Raider IV-VI, a Aspyr tentou refinar os controles: agora é possível personalizar botões, e o 'pulinho' (segurar olhar + para trás) ajuda em manobras curtas. Ainda assim, em momentos de pressão (uma armadilha de serra, uma queda iminente), a imprecisão aparece. O giro de 180 graus, por exemplo, exige segurar L2 e apertar círculo, algo que nunca se torna intuitivo. O pior inimigo aqui é a câmera fixa. Nos jogos originais, cada ângulo era calculado para funcionar com o controle tanque. Quando você tenta usar o analógico direito para olhar ao redor, Lara pode andar para trás em vez de virar, ou pular na direção errada. A recomendação? Teste os dois esquemas. Para mim, o clássico ainda é o mais confiável, mas o moderno tem seus momentos – principalmente nas fases de tiro de The Last Revelation, onde mirar com o analógico faz diferença.
Para quem realmente vale a pena?
Essa coletânea é, antes de tudo, um presente para quem viveu a transição do PS1 para o PS2 e sente falta da Lara poligonal, cheia de arestas e carisma. The Last Revelation sozinho justifica a compra: é um dos melhores jogos da série clássica, com level design labiríntico, quebra-cabeças inteligentes e uma ambientação egípcia de primeira. Chronicles e Angel of Darkness são bônus interessantes, mas não espere se apaixonar por eles se você já os achou fracos na época. Para quem nunca jogou a fase clássica, o alerta é simples: venha com paciência. A curva de aprendizado existe, os controles exigem adaptação, e o ritmo é mais contemplativo do que os reboots modernos. Se você encara como uma viagem arqueológica a um game design de outra era, vai se surpreender. Se quer ação desenfreada e fluidez, melhor procurar outro título. No fim, Tomb Raider IV-VI Remastered é uma cápsula do tempo que você pode abrir e fechar apertando um botão, e isso por si só já é uma proeza.
Perguntas frequentes sobre review Tomb Raider IV-VI Remastered Starring Lara Croft PlayStation 5
Qual jogo da coleção é o melhor?
The Last Revelation, sem dúvida. É o mais completo em level design, atmosfera e puzzles. Chronicles é curto e irregular, enquanto The Angel of Darkness ainda luta contra problemas de design mesmo com o conteúdo restaurado.
Os controles modernos são bons?
Melhoraram em relação à primeira coletânea, mas ainda sofrem com a câmera fixa dos jogos originais. Saltos imprecisos e comandos como o giro de 180 graus não são intuitivos. Vale testar os dois esquemas e escolher o que mais se adapta a você.
Vale para quem nunca jogou um Tomb Raider clássico?
Sim, desde que você tenha paciência para controles datados e level design que exige exploração e backtracking. Se você curte desafios e atmosfera, vai encontrar aqui horas de conteúdo. Se prefere ação moderna e fluida, essa não é a melhor porta de entrada.
O jogo tem dublagem em português?
Sim, a dublagem brasileira de The Angel of Darkness foi recuperada e está presente. Os outros dois jogos vêm com textos em português, mas a dublagem é apenas para Angel of Darkness.
