Tomb Raider I-III Remastered: nostalgia com arestas (e isso é bom)

Lara Croft salta de uma plataforma e você prende a respiração. O ângulo é ingrato, a câmera não ajuda, e o abismo lá embaixo parece infinito. Nos anos 90, era assim: precisão milimétrica e um dedo no save manual. Agora, a trilogia que definiu os plataformas 3D volta em um remaster que promete o melhor dos dois mundos. a essência original com texturas novas e 60 fps no PS5.

E, na maior parte, entrega. Tomb Raider I-III Remastered é um pacote generoso: três jogos completos, todas as expansões, modo foto e mais de 200 troféus. Mas nem tudo são flores. Os controles modernos, pensados para atrair novos jogadores, esbarram no design de fases que exige movimentos tanque. E a ausência de autosave é um soco no estômago de quem cresceu com checkpoints automáticos. Vamos ao que interessa.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • O remaster inclui os três jogos completos com todas as expansões (Unfinished Business, Golden Mask e The Lost Artifact).
  • No PS5, roda em 4K nativo a 60 fps no modo remasterizado; o modo clássico fica em 30 fps.
  • Oferece dois esquemas de controle: tanque (original) e moderno (baseado em Tomb Raider Legend).
  • Não há autosave. você precisa salvar manualmente a qualquer momento, como nos originais.
  • O modo foto e o modo desafio (com modificadores) são extras bem-vindos para quem quer explorar além das campanhas.

1. Tomb Raider I-III Remastered Starring Lara Croft. PlayStation 5

Logo de cara, o jogo te dá um superpoder: apertar um botão e voltar no tempo. Os polígonos trêmulos de 1996 surgem, com aquela névoa que escondia o horizonte. Outro toque, e a iluminação dinâmica revela templos texturizados, modelos mais suaves e um mundo que ganhou vida nova sem perder a identidade. Preservaram até os bugs originais. o Corner Bug está lá, para alegria dos veteranos. O conteúdo é um tesouro. Três campanhas densas, cheias de segredos e quebra-cabeças, mais as expansões que antes eram só de PC. Você cai em uma fase sem mapa, sem tutorial, sem piedade. Descobrir para onde ir é parte do desafio. Cada alavanca puxada é uma vitória. E olha que o modo desafio ainda adiciona modificadores malucos. inimigos mais fortes, sem saves, caos puro. Mas os controles modernos tropeçam. A ideia era boa: movimento livre com câmera no analógico direito. Só que os níveis foram projetados para a rigidez do tanque. Você perde o backflip, o sidestep. A câmera gruda em Lara e você salta para o vazio. A água transparente demais no modo remasterizado esconde a superfície. você cai sem ver. A areia movediça quase some. Não é inutilizável, mas exige paciência. A verdade? O tanque ainda é o rei da precisão. E a falta de autosave assusta. Morreu? Volta ao último save manual. que pode estar no início da fase. É punitivo, mas é a alma da série. Cada save é um respiro. O PS5 segura tudo firme: 4K nativo, 60 fps, sem quedas. O áudio melhorou, as cutscenes em FMV continuam granuladas. charme old school. No fim, este remaster é uma carta de amor para quem viveu a era de ouro, e um teste de fogo para curiosos.

Prós

  • Pacote completo com três jogos e todas as expansões
  • Alternância instantânea entre gráficos clássicos e remasterizados
  • Desempenho sólido a 60 fps em 4K no PS5
  • Modo foto e modo desafio adicionam rejogabilidade

Contras

  • Controles modernos não se encaixam bem no design original da fase
  • Ausência de autosave pode frustrar jogadores novos

Jogabilidade: o embate entre o novo e o clássico

Antes do primeiro salto, você precisa escolher: tanque ou moderno? O tanque é o original. Lara se move em relação a si mesma, não à câmera. Parece arcaico, mas é preciso. Cada passo lateral conta, cada giro é calculado. Você alinha o corpo, aperta o pulo e pronto. Já o moderno mapeia a movimentação para o analógico esquerdo e a câmera para o direito. Só que as fases foram feitas para a rigidez do tanque. Resultado: o backflip desaparece. A câmera se aproxima demais e você salta no escuro. A água cristalina no novo visual esconde a superfície. Não é erro. é conflito de design. A dica? Use o tanque. Depois de algumas horas, ele vira extensão dos seus dedos.

Conteúdo e visual: um baú de tesouros (com algumas poeiras)

Três jogos completos, todas as expansões, segredos, mais de 200 troféus. Tem até o clássico de trancar Winston na geladeira. O modo desafio, que chegou depois, bagunça as regras: inimigos mais fortes, sem saves, etc. Visualmente, a remasterização impressiona: texturas em alta definição, iluminação dinâmica, modelos com dezenas de milhares de polígonos. Mas nem tudo é perfeito. algumas paredes ainda parecem lisas, e as cutscenes em FMV foram só upscaladas, mantendo o grão. Ainda assim, apertar o botão de alternar gráficos é uma viagem. Você compara o antes e depois e vê o trabalho artesanal.

Para quem este remaster faz sentido?

Se você jogou Tomb Raider na infância e quer sentir de novo a adrenalina de explorar tumbas sem GPS, é o pacote ideal. A dificuldade continua lá: sem autosave, sem mapa, sem tutorial. Cada passo exige atenção. Cada alavanca puxada é uma pequena vitória. Para quem nunca jogou, o choque pode ser grande. Não espere conveniências modernas. Espere um artefato restaurado com carinho. A câmera ainda vai te prender em corredores, e você vai morrer algumas vezes por não ter salvo. Mas a recompensa é genuína: fases bem desenhadas, puzzles inteligentes e uma Lara que não tem medo de nada. Se você topa o desafio, a coleção vale cada hora.

Perguntas frequentes sobre review Tomb Raider I-III Remastered Starring Lara Croft PlayStation 5

Qual esquema de controle é melhor: tanque ou moderno?

O tanque. Ele oferece mais precisão para saltos e movimentos laterais. essencial no design original. O moderno tenta facilitar, mas perde funções importantes e gera desalinhamento. Comece com o tanque e não se arrependa.

O jogo tem autosave?

Não. Você salva manualmente a qualquer momento (exceto durante quedas ou perigo iminente). Morrer sem salvar recentemente significa recomeçar a fase. É punitivo, mas é a experiência clássica. Cada save gera alívio.

Dá para alternar entre gráficos antigos e novos?

Sim, com um botão você troca instantaneamente. Útil para comparar e também para usar o visual antigo em áreas onde a iluminação nova esconde itens ou plataformas. Um recurso brilhante.

O remaster é muito difícil para novatos?

Sim, a dificuldade é alta. Sem tutorial, sem ajuda. Exige paciência e atenção. Novatos podem se frustrar com a precisão necessária nos saltos e a falta de indicações. Não é um jogo para quem quer relaxar.

Vale a pena comprar no PS5?

Sim. O PS5 oferece 4K nativo a 60 fps, carregamentos rápidos e troféus. É a versão com melhor performance. O conteúdo é o mesmo das outras plataformas, mas a estabilidade é superior. Para fãs, é a edição definitiva.

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Especialista editorial

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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