Você está na proa de um barco improvisado e vê uma sombra passar pelo corredor de um navio naufragado. Não é um inimigo: é o eco de alguém que jogou antes, pegando um item que você talvez precisasse. Tides of Tomorrow, da DigixArt (os mesmos de Road 96), coloca você no planeta oceânico Elynd, onde cada escolha sua pode mudar a experiência de outro jogador real. É uma das propostas mais ousadas do ano, e também uma das mais contraditórias.
Você é um Tidewalker, um sobrevivente que enfrenta a Plastemia, doença que transforma seres vivos em plástico. O medicamento Ozen alivia os sintomas, mas é controlado por facções como os Marauders e os Reclaimers. Suas decisões sobre onde conseguir Ozen, quem ajudar ou trair, não afetam só você: elas viajam pelo sistema Online Story-Link para o mundo de outro jogador. A ideia é linda, mas o jogo às vezes tropeça na execução.
Quando o sistema acerta, a mágica aparece: você entra num mercado flutuante e os guardas estão mais hostis porque seu predecessor causou confusão. Quando erra, o combate naval se resume a apertar quadrado enquanto ondas batem, e a furtividade é se abaixar em dutos. A ambição narrativa não veio com mecânicas refinadas, e algumas escolhas parecem ter impacto menor do que o prometido. Ainda assim, os momentos de brilho fazem valer a viagem.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Pense no tipo de experiência que você busca: Tides of Tomorrow é focado em narrativa, escolhas e exploração, não em ação ou combate intenso.
- O sistema Online Story-Link funciona via servidores: você pode seguir amigos, streamers ou jogadores aleatórios, e suas escolhas afetam o mundo deles. Se prefere controle total sobre sua história sem interferência externa, isso pode frustrar.
- A campanha leva de 10 a 15 horas, com múltiplos finais. Quem gosta de revisitar mundos e ver consequências diferentes vai encontrar incentivo, mas se você só quer uma jornada fechada, o ritmo pode parecer arrastado.
- A direção de arte plasticpunk é o grande destaque visual: cores vibrantes, cenários oceânicos deslumbrantes. Se você valoriza estética e atmosfera, o jogo entrega de sobra.
1. Tides of Tomorrow (PS5). Aventura narrativa com multiplayer assíncrono inovador
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Pisar no planeta Elynd é visualmente deslumbrante: cores berrantes, plástico brilhando sob um sol pálido, uma trilha sonora groovy que não combina com a decadência. E então você vê a sombra de outro jogador deslizando por um beco. É o sistema Online Story-Link em ação. Quando funciona, cria momentos reais: um NPC que te trata com medo porque seu predecessor roubou dele, um caminho alternativo que se abre porque alguém poupou um guarda. Mas a jogabilidade deixa a desejar. A furtividade é básica demais, o combate naval repetitivo, e algumas escolhas parecem não ter peso real. Mesmo assim, a direção de arte plasticpunk e a inovação do conceito fazem de Tides of Tomorrow uma experiência que fica na cabeça. Para quem aceita suas limitações.
Prós
- Direção de arte plasticpunk vibrante e única, com visuais oceânicos de tirar o fôlego
- Sistema de multiplayer assíncrono inovador que cria uma sensação de comunidade e consequência real
- Variedade de finais e escolhas que incentivam múltiplas jogatinas
- Trilha sonora groovy e integração bacana com o DualSense
Contras
- Jogabilidade básica: furtividade e combate naval repetitivos e simplórios
- Consequências nem sempre profundas: algumas escolhas parecem inconsequentes
Como funciona o Online Story-Link?
Você segue um jogador real: um amigo, um streamer, um completo estranho. A partir daí, seus passos ficam gravados como ecos. Uma sombra que se esgueira por um corredor, um baú vazio porque ele pegou tudo, uma área mais perigosa porque ele ativou alarmes. É um experimento social silencioso. Quando você percebe que seu próprio jogo está sendo assistido por outra pessoa, a sensação é única. O mundo nunca é o mesmo para dois jogadores.
O mundo de Elynd e a estética plasticpunk
O planeta Elynd é um espetáculo visual. Ilhas flutuantes, mercados de sucata, facções como os Reclaimers que constroem e os Marauders que saqueiam. O visual é cartoon plástico e decadente: cores vibrantes contrastam com a sujeira e a doença. A trilha sonora groovy gruda na cabeça e contrasta com a gravidade da situação. É um mundo que dá vontade de explorar, mesmo que a jogabilidade simples limite um pouco a interação.
Para quem Tides of Tomorrow realmente encaixa?
Se você curtiu Road 96 ou Detroit: Become Human, vai se sentir em casa. Tides of Tomorrow é uma aventura narrativa que valoriza escolhas e consequências, mas não exige reflexos rápidos. O ritmo é contemplativo, a exploração recompensadora, e a conexão indireta com outros jogadores pode ser fascinante. Por outro lado, se você prefere controle absoluto sobre a história ou ação constante, talvez se frustre. Entre com a expectativa certa: você não controla uma história sozinho, contribui para um mosaico de escolhas compartilhadas.
Perguntas frequentes sobre review Tides of Tomorrow PlayStation 5
Quanto tempo leva para terminar Tides of Tomorrow?
A campanha principal leva entre 10 a 15 horas, dependendo do quanto você explora. Se focar apenas na história, pode fechar em cerca de 10 horas. O jogo tem múltiplos finais, então revisitar com escolhas diferentes é encorajado.
Precisa de internet para jogar?
Sim, para aproveitar o sistema Online Story-Link é necessário estar conectado. Porém, é possível jogar offline com perfis de bot pré-definidos que simulam as escolhas de outros jogadores, mas a experiência perde parte da graça.
O jogo tem modo cooperativo tradicional?
Não. O multiplayer é assíncrono: você joga sozinho, mas suas decisões afetam o mundo de outro jogador em tempo real ou futuro. Não há cooperação simultânea.
Vale a pena jogar mais de uma vez?
Sim, especialmente se você gosta de explorar consequências diferentes. As escolhas que você faz e as de quem você segue podem mudar drasticamente a atmosfera de cada área, os NPCs disponíveis e até os finais. Mas a duração relativamente curta e a jogabilidade simples podem desestimular alguns.
