Review The Thing: Remastered no PS5. nostalgia, tensão e design congelado no tempo

Entrar em Outpost 31 outra vez, décadas depois, é daquelas sensações que só um remaster bem feito consegue trazer. The Thing: Remastered chega ao PS5 com a promessa de reviver o clássico cult de 2002, mas também com o peso de um design que já nasceu controverso. A Nightdive Studios, especialista em ressuscitar títulos esquecidos, caprichou na parte técnica: resolução 4K, FPS estável e uma série de melhorias visuais que fazem o gelo da Antártida brilhar como nunca. Mas o jogo em si, com seu sistema único de paranoia e gerenciamento de esquadrão, ainda consegue prender?

Se você tolera mecânicas datadas em troca de uma atmosfera opressiva e ideias originais, The Thing: Remastered é um prato cheio. Para saudosistas e fãs do filme de John Carpenter, é uma viagem no tempo. Já quem busca um survival horror moderno e polido vai se decepcionar. Passei alguns dias na pele do Capitão Blake, e o que vi foi uma experiência de altos e baixos: ora tensão genuína, ora repetição e microgerenciamento irritante.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • A campanha principal dura entre 4 e 7 horas, ideal para uma jogatina de fim de semana, mas pode parecer curta para quem busca um jogo mais longo.
  • Não há legendas em português: o áudio e os textos estão apenas em inglês. Isso pode ser um obstáculo para quem não tem fluência.
  • O sistema de esquadrão exige paciência: você vai gerenciar a confiança, o medo e a munição de cada aliado, além de testar sangue para detectar infectados.
  • A remasterização no PS5 oferece 4K e 120 FPS estáveis, com iluminação e texturas renovadas. Carregamentos são rápidos e o desempenho é consistente.
  • Bugs de progressão e falhas visuais foram relatados, mas a Nightdive já lançou atualizações para corrigir os principais problemas.

1. The Thing: Remastered para PlayStation 5 – Remaster técnico primoroso com game design datado

A primeira meia hora em The Thing: Remastered é de tirar o fôlego. Você acorda em uma base gelada, tocha na mão, e um civil entra em pânico. O medidor de confiança está baixo, você saca uma seringa para acalmá-lo, mas no fundo sabe que ele pode estar infectado. Esse tipo de tensão, construída em cima de um sistema de confiança e medo que já parecia inovador em 2002, ainda funciona. A Nightdive fez um trabalho preciso: os modelos de personagens ganharam definição, as texturas em alta resolução revelam detalhes antes invisíveis, e a iluminação dinâmica transforma corredores escuros em armadilhas visuais. No PS5, o jogo roda a 4K com 120 FPS sólidos, carregamentos praticamente instantâneos e raros engasgos. Mas o brilho técnico não esconde as falhas do jogo original. The Thing: Remastered é, antes de tudo, um produto de seu tempo, e isso pesa. A campanha linear de 4 a 7 horas é recheada de missões repetitivas: encontrar chaves, consertar fusíveis, ligar geradores. O sistema de esquadrão, que deveria ser o grande diferencial, se torna uma fonte de microgerenciamento frustrante. Os NPCs travam em portas, param no meio do caminho e exigem atenção constante para receber armas e munição. Pior: na segunda metade do jogo, os monstros dão lugar a soldados humanos genéricos, e a tensão se transforma em tiroteio mediano. A falta de um mapa ou indicador de objetivos claros torna a navegação um pesadelo, especialmente nos cenários nevados onde tudo parece igual. Ainda assim, há algo genuinamente especial aqui. O sistema de confiança e medo, combinado com a infecção aleatória que a Nightdive implementou, cria momentos de imprevisibilidade que poucos jogos conseguem replicar. Você nunca sabe se aquele aliado quieto vai se transformar em um monstro no meio de um combate. O teste de sangue, que você precisa fazer em si mesmo e nos outros, adiciona uma camada de paranoia que remete direto ao filme. Para quem viveu o lançamento original ou é fã da obra de Carpenter, esse remaster é a melhor forma de revisitar a experiência. Para os demais, é uma homenagem a um jogo que, apesar dos defeitos, ainda tem ideias que merecem ser lembradas.

Prós

  • Remaster técnico impressionante: 4K e 120 FPS estáveis, iluminação e texturas renovadas
  • Sistema de confiança e medo ainda gera tensão genuína e rejogabilidade imprevisível
  • Combate melhorado em relação ao original, com boa variedade de armas
  • Maior sucesso de lançamento da Nightdive, com suporte contínuo de atualizações

Contras

  • Gameplay datada e repetitiva, com missões de 'pegue a chave, ligue o gerador'
  • Sistema de esquadrão frustrante: NPCs travam, são burros e exigem microgerenciamento excessivo

O sistema de confiança que ainda assusta

A grande carta na manga de The Thing: Remastered é o sistema de confiança e medo. Cada NPC tem uma barra de confiança que você precisa gerenciar entregando armas, munição e usando seringas para acalmar os mais tensos. Se a confiança cai muito, o aliado pode entrar em pânico, atirar em você ou até cometer suicídio. A cereja do bolo é a infecção: a qualquer momento, um companheiro pode se revelar um Thing e se transformar em uma massa de tentáculos no meio de um corredor. A Nightdive aleatorizou esse sistema, então cada partida pode ser diferente. Lembro de uma cena em que um engenheiro, que eu tinha equipado com um lança-chamas, virou monstro bem na hora de enfrentar um chefe. O caos foi total. Esses momentos salvam o jogo da mesmice e justificam, em parte, a paciência com o design datado.

A ambição do sistema esbarra na execução. Os NPCs são burros: ficam presos em portas, param de andar do nada e exigem que você fique indo e voltando para buscá-los. O microgerenciamento para dar armas e munição é tão trabalhoso que, em certos trechos, você vai preferir deixar os aliados para trás. E, convenhamos, não há recompensa narrativa para esse esforço: a história é clichê e os personagens são genéricos. Ainda assim, quando o sistema funciona, funciona bonito. A tensão de andar pelos corredores com um colega que pode se virar contra você é algo que poucos jogos conseguem gerar.

Um remaster que faz jus ao título, mas o jogo base não acompanha

Tecnicamente, a Nightdive mandou bem. No PS5, The Thing: Remastered roda a 4K nativos com 120 FPS estáveis, sem quedas perceptíveis. As texturas em alta definição revelam detalhes dos cenários gelados, a iluminação dinâmica dá profundidade aos ambientes e os efeitos atmosféricos (neve, partículas) estão nítidos. A suavização de serrilhado e a iluminação por pixel fazem diferença, especialmente nas cenas. Os carregamentos são praticamente instantâneos, e os troféus inéditos dão um incentivo extra para quem gosta de platinar. É, sem dúvida, a melhor forma de jogar The Thing visualmente.

Mas aí você lembra que o jogo base é de 2002, e que a física e os controles não envelheceram bem. A câmera em cenas ainda é ruim e corta abruptamente. Os controles têm muitos comandos mapeados, o que atrapalha em combates mais frenéticos. E, apesar das melhorias, alguns bugs de progressão e falhas visuais ainda aparecem. Nada que quebre a experiência, mas que mostram os limites do que um remaster pode consertar. O trabalho da Nightdive é louvável, mas o jogo original tem limitações que o remaster não consegue esconder.

Para quem realmente faz sentido?

Duas tribos vão amar este remaster: fãs do filme O Enigma do Outro Mundo e saudosistas do original de 2002. Para esses, The Thing: Remastered é um presente: gráficos modernos, desempenho suave e a chance de reviver aquela paranoia sem os problemas técnicos de antigamente. O sistema de confiança e infecção aleatória ainda é único e pode render boas histórias para contar.

Agora, se você nunca viu o filme e busca um survival horror moderno com narrativa envolvente e jogabilidade refinada, este jogo provavelmente vai te decepcionar. A campanha é curta, as missões se repetem e o terço final é fraco. A falta de legendas em português é outro ponto que pesa. É um jogo que precisa ser encarado como uma peça de museu: interessante de visitar, mas não o lugar onde você vai morar. Se você entra nessa vibe, vai encontrar momentos de tensão genuína. Senão, melhor deixar congelado na estante.

Perguntas frequentes sobre review The Thing: Remastered PlayStation 5

O jogo tem modo multiplayer?

Não. The Thing: Remastered é exclusivamente single-player, focado na campanha com gerenciamento de esquadrão controlado por IA.

Preciso ter visto o filme para aproveitar o jogo?

Não é obrigatório, mas ajuda. A história é uma continuação direta do filme de 1982, então conhecer o universo enriquece a experiência.

Quanto tempo leva para zerar a campanha?

A campanha principal dura entre 4 e 7 horas, dependendo do seu ritmo. Para fazer 100%, incluindo colecionáveis, pode chegar a 7h30.

Tem legendas em português?

Não. O jogo possui apenas áudio e legendas em inglês. Não há suporte para português do Brasil.

Vale a pena para quem nunca jogou o original?

Depende do seu perfil. Se você curte clássicos cult e não se importa com design datado e missões repetitivas, sim. Caso contrário, pode ser frustrante.

Nossas recomendações ajudaram você a escolher?

Conheça nossos especialistas

Especialista editorial

Especialista editorial

Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

Equipe de redação

O Quarto Nerd

Produção de conteúdo baseada em análise independente, curadoria especializada e comparação de produtos para apoiar decisões de compra mais claras.

Artigos relacionados

O que você está procurando?

Digite pelo menos 3 caracteres para começar a busca.