Calçar a farda de Nick Cordell Jr. e cair nas ruas molhadas de Averno City é daquelas promessas que vendem o jogo antes mesmo de você girar a câmera isométrica. The Precinct se apoia pesado na estética neon-noir dos anos 80: carros quadrados, letreiros de néon, synthwave pulsando no rádio da viatura. A ideia é simples: você é um policial novato, herda o mistério da morte do pai e precisa limpar a cidade enquanto lida com infrações de trânsito, assaltos a bancos e gangues que disputam cada quarteirão.
Depois de algumas horas de patrulha, o charme visual esbarra na repetição dos chamados e uma IA que parece ter saído de outro jogo. The Precinct acerta na atmosfera, tropeça na execução e entrega uma experiência que agrada mais a quem busca um sandbox policial descompromissado do que a quem quer combate refinado ou história profunda.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Sandbox policial em visão top-down: você patrulha ruas, aplica multas, persegue bandidos. Perfeito para fãs de simuladores leves e ação nostálgica.
- Campanha principal leva cerca de 12 horas. Para platinar (39 troféus), conte com umas 14-15 horas.
- Limited Edition inclui mídia física, steelbook, mapa da cidade e trilha sonora digital. Para colecionadores, agrega valor; para jogadores casuais, a versão padrão basta.
- No PS5, roda a 60fps com carregamento instantâneo. O DualSense é bem aproveitado: feedback tátil na aceleração e peso das armas.
- Fãs de GTA clássico (top-down) e Police Quest vão curtir. Quem busca combate polido ou narrativa envolvente pode se decepcionar.
1. The Precinct Limited Edition. PlayStation 5
Fonte: Amazon.com.brThe Precinct: Limited Edition – PlayStation 5
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The Precinct é uma daquelas surpresas que acertam no coração de quem cresceu jogando GTA no PC com visão de cima. A ambientação em Averno City, 1983, é o ponto alto: cada esquina tem um letreiro de néon, os carros são caixotes coloridos e a trilha sonora sintetizada gruda na cabeça. Você começa o primeiro turno aplicando multas em carros mal estacionados e, minutos depois, está enfiado numa perseguição em alta velocidade com direito a espetos e helicóptero. Essa alternância entre o mundano e o caótico funciona bem nas primeiras horas. O sistema de procedimentos: verificar documentos, ler direitos Miranda, escolher a acusação certa dá um gostinho de role-play que falta em muitos jogos de ação. A progressão por XP mantém você voltando. Cada turno bem cumprido rende upgrades desbloqueáveis: habilidades, armas melhores, veículos. E o DualSense do PS5 capricha nos detalhes: você sente a tremedeira da arma e o rádio sussurrando no controle. O parceiro Kelly, um veterano ranzinza perto da aposentadoria, solta piadas que quebram o clima sério. Só que a repetição chega rápido. A maioria das ocorrências segue o mesmo molde: chegar no local, identificar o suspeito, escolher entre diálogo ou força, e resolver. Depois de uma dezena de assaltos e brigas de rua, o déjà vu pesa. O combate a pé é o calcanhar de Aquiles. Os tiroteios em visão top-down são confusos: a mira automática ajuda nos carros, mas no corpo a corpo o sistema de cobertura engasga e a IA dos bandidos varia entre agressiva burra e passiva demais. O parceiro às vezes abre fogo em suspeitos que estavam prestes a se render, quebrando a imersão. A física de direção, embora arcade e divertida em curvas fechadas, pode ser traiçoeira em perseguições longas. A história, que gira em torno da morte do pai do protagonista, é contada por quadros estáticos e diálogos clichê. Funciona como pano de fundo, mas não emociona. Mesmo com os defeitos, The Precinct tem um charme sincero. Para quem curte a temática policial e topa um loop mais relaxado, é uma boa pedida. A Limited Edition, com steelbook e mapa, agrada colecionadores, mas o jogo em si é o mesmo. Se você não se importa com repetição e busca uma experiência nostálgica e descompromissada, vale entrar na viatura. Só não espere um simulador policial realista ou uma campanha cheia de reviravoltas.
Prós
- Atmosfera neon-noir impecável com trilha synthwave marcante
- Progressão por XP que recompensa o bom policiamento
- Uso criativo do DualSense no PS5 (feedback tátil e áudio no controle)
- Alternância entre rotina e caos mantém o interesse nas primeiras horas
Contras
- Missões repetitivas após algumas horas de jogo
- Combate a pé impreciso e sistema de cobertura problemático
Patrulhando Averno City: o que esperar do dia a dia
Cada turno começa na delegacia. Você escolhe patrulhar a pé, de carro ou de helicóptero, e cada modalidade muda o ritmo. A pé dá mais controle para abordagens e revistas, mas a câmera isométrica pode atrapalhar em becos apertados. No carro, as perseguições são o ponto alto: bater de leve em outros veículos, usar espetos e chamar apoio. O helicóptero serve mais para apoio aéreo, localizando fugitivos. O sistema de crimes procedurais garante que sempre haja algo acontecendo: uma briga de rua, um carro furando o sinal, um assalto em andamento. O problema é que a variedade é mais ilusória do que real: você vai multar, perseguir e trocar tiros de maneiras muito parecidas ao longo das 12 horas.
A progressão por XP dá uma motivação extra. Cada prisão correta rende pontos; cada erro (como atirar em um suspeito que já estava rendido) tira pontos. Conforme sobe de nível, desbloqueia novas habilidades, como confiscar veículos, e armas mais potentes. O parceiro Kelly ajuda com comentários e, às vezes, com ações, mas a IA dele é errática: pode ficar parado no meio de um tiroteio ou avançar sozinho. Esses detalhes quebram a imersão em momentos que deveriam ser tensos.
Neon, synthwave e uma cidade que respira anos 80
A ambientação de The Precinct é impecável. Averno City é uma versão estilizada de Nova York nos anos 80, com chuva constante, fumaça saindo dos bueiros e letreiros de néon colorindo as ruas. A trilha sonora, uma mistura de synthwave e smooth jazz, é daquelas que você baixa depois de jogar. Cada bairro tem identidade visual própria, desde os arranha-céus corporativos até os becos sujos da periferia. O ciclo dia/noite e o clima dinâmico (chuva, neblina) reforçam a atmosfera de filme policial.
No PS5, o jogo roda a 60fps com carregamento instantâneo graças ao SSD. O DualSense é usado de forma inteligente: o gatilho resiste na aceleração, o controle vibra com o peso da arma e o áudio do rádio sai pelo alto-falante. São detalhes que elevam a imersão. Por outro lado, bugs visuais aparecem de vez em quando: carros presos em postes, suspeitos flutuando. Tiram um pouco o brilho, mas nada que estrague a diversão.
Para quem encaixa (e para quem não encaixa)
The Precinct é um prato cheio para quem sente saudade do GTA original, daquela visão de cima e da liberdade de fazer (ou desfazer) o que quiser. Também agrada fãs de Police Quest que curtem a parte burocrática de ser policial: revista, multa, algema. A pegada mais relaxada, sem pressa para cumprir objetivos, convida a experimentar o papel. Mas se você veio atrás de um combate refinado, com cobertura inteligente e tiroteios táticos, melhor dar uma volta. A ação aqui é funcional quando muito.
A repetição das missões também vai cansar quem busca variedade constante. A história, apesar do mistério inicial, não se aprofunda e os personagens são caricatos. O jogo é ideal para sessões curtas de uma ou duas horas, entrando e saindo do turno. Quem quer algo intenso e com narrativa forte talvez se frustre. No fim, The Precinct entrega o que promete: ser um sandbox policial nostálgico com atmosfera caprichada. O resto é bônus ou tropeço, dependendo do que você espera.
Perguntas frequentes sobre review The Precinct Limited Edition PlayStation 5
Quanto tempo dura a campanha de The Precinct?
A campanha principal leva cerca de 12 horas. Para conseguir todos os 39 troféus, prepare-se para umas 14-15 horas, incluindo exploração e repetição de ocorrências.
O combate de The Precinct é bom?
O combate é o ponto fraco. Os tiroteios em visão top-down são imprecisos, com sistema de cobertura problemático. A direção é mais divertida, mas a física arcade pode frustrar em perseguições longas.
Vale a pena comprar a Limited Edition?
Para colecionadores, sim: vem com steelbook, mapa e trilha sonora. Para quem só quer jogar, a versão padrão entrega a mesma experiência. O conteúdo físico não muda o jogo.
The Precinct tem modo multiplayer ou cooperativo?
Não. É um jogo estritamente single-player. Não há cooperativo local nem online. Apenas o parceiro controlado por IA acompanha as missões.
O jogo é muito difícil?
A dificuldade está mais na adaptação à câmera e aos controles do que em desafio puro. As perseguições podem ser frustrantes no início, mas logo você pega o jeito. O sistema de progressão ajuda.
