The Plucky Squire Deluxe Edition no PS5: criatividade que encanta (e alguns percalços)

Imagine um livro de histórias que você pode folhear, pular para fora das páginas e pegar objetos da mesa. Essa é a premissa de The Plucky Squire. Você começa naquela visão 2D clássica, com cenários desenhados à mão que lembram os melhores livros ilustrados. De repente, a câmera se afasta, o mundo vira 3D e você está andando entre um pote de lápis e uma caneca. Essa alternância não é truque de apresentação: é a alma do jogo. Você controla Pontinho (Jot), um personagem que descobre que seu universo é só uma página, e a partir daí começa a brincar com as fronteiras entre planos, virar folhas, pegar objetos do mundo real e trocar palavras para mudar o cenário.

Desenvolvido pela All Possible Futures (estúdio formado por ex-artistas da Nintendo e da Devolver) e publicado pela Devolver Digital, o jogo chegou em setembro de 2024 e ganhou uma edição física Deluxe em fevereiro de 2025. Essa versão para PS5 vem com artbook, trilha sonora e caixa de colecionador. A pergunta que fica: a criatividade compensa o baixo desafio e alguns tropeços técnicos? Foi o que procurei descobrir ao mergulhar nas páginas de Pontinho.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Em pouco mais de um dia de jogatina, você termina a história principal. de 8 a 10 horas. Para vasculhar cada canto atrás de colecionáveis, conte com até 14 horas.
  • A Deluxe Edition entrega o disco, um livro de arte de 108 a 112 páginas (capa mole), um voucher da trilha sonora e uma caixa de colecionador. Perfeita para quem curte extras físicos.
  • Duas dificuldades: Story Mode (mais tranquilo) e Adventurer Mode (o indicado para quem quer um pingo de resistência). Mesmo no mais alto, não espere suor na testa.
  • Localização completa em português brasileiro, com legendas e dublagem. A voz do narrador é de Mauro Ramos (Shrek). um acerto de casting que dá personalidade à aventura.
  • Fique atento a relatos de bugs e soft-locks, especialmente na versão Nintendo Switch. No PS5, a performance é boa, mas há engasgos pontuais que não chegam a estragar o passeio.

1. The Plucky Squire [Devolver Deluxe] – PlayStation 5: edição física com artbook

A primeira vez que Pontinho salta do livro para cima da mesa é de tirar o fôlego. Você está naquela visão 2D, cenários bonitos desenhados à mão, e do nada a câmera abre, o mundo vira 3D e você está andando entre um pote de lápis e uma caneca. É uma virada de chave que o jogo explora com inteligência. O tempo todo, você alterna entre os dois planos: na mesa, pode mover objetos, usar carimbos para imobilizar engrenagens, ou arrancar palavras do texto para mudar o ambiente dentro do livro. Trocar 'sapo' por 'gigante' e ver o inimigo inchar na sua frente é um daqueles momentos que só videogame proporciona. Os puzzles são o coração da experiência. Eles variam de associações simples a desafios que pedem para pensar nas duas dimensões ao mesmo tempo. Nada punitivo: o jogo foi feito para ser acessível. Tem um botão para pular seções mais tensas (como boss fights e stealth), e as opções de acessibilidade incluem invencibilidade e um-hit kill. O combate, por outro lado, é o ponto fraco. Você tem espada, dodge roll e alguns upgrades compráveis com lâmpadas (a moeda do jogo), mas os inimigos são poucos e pouco variados. As lutas contra chefes seguem o mesmo padrão e podem cansar perto do final. Onde o jogo realmente brilha é na variedade. Cada capítulo traz um minigame diferente: você luta boxe com texugos, joga um rhythm game, participa de uma batalha em cartas no estilo RPG de turnos, ou encara um puzzle match-3. Controlar Violet em uma fase que homenageia Puzzle Bobble, atirando esferas coloridas contra alvos, é uma das surpresas mais criativas. Nada disso se repete, e a cada virada de página parece que uma nova surpresa espera. A narrativa, que abusa da quarta parede e tem diálogos bem escritos (destaque para o troll baterista Thrash), mantém o ritmo consistente. Mas o final pode parecer meio apressado, e o pacing do último terço é mais irregular. No geral, é uma aventura deliciosa para quem curte criatividade e não se importa com falta de desafio. A edição Deluxe agrega valor com o artbook e a trilha sonora, mas o jogo base já entrega o essencial.

Prós

  • Ideia original e execução criativa da alternância 2D/3D
  • Direção de arte deslumbrante, com textura de papel e contraste com o mundo real
  • Variedade constante de minigames e mecânicas que evitam repetição
  • Localização impecável para o português brasileiro, com dublagem de Mauro Ramos

Contras

  • Combate simples e chefes repetitivos, pouco desafiadores
  • Alguns bugs e soft-locks relatados, que podem atrapalhar o progresso

A mágica da alternância entre 2D e 3D

O grande trunfo de The Plucky Squire é que mudar de perspectiva não é só enfeite: é a ferramenta central de progressão. Dentro do livro, Pontinho corre por cenários 2D no estilo top-down ou plataforma lateral. Fora dele, o mundo é tridimensional, e você pode pegar objetos, usar manoplas para virar páginas, ou aplicar carimbos que afetam o interior do livro. Uma cena inesquecível acontece no capítulo 4: trocar a palavra 'chuva' por 'sol' em uma frase faz a grama ficar dourada e os inimigos mais lentos. É uma sensação de poder criativo rara.

Mas nem tudo é perfeito. A transição 3D, embora legal, tem uma câmera que às vezes trava ou atrapalha a visão. E alguns puzzles de palavras exigem um pouco de tentativa e erro, mas nunca a ponto de frustrar. No geral, a sensação é de estar folheando um livro interativo que respeita sua inteligência sem exigir esforço demais.

Minigames que roubam a cena

Se o combate é simples, os minigames são o oposto. Cada capítulo traz pelo menos uma atividade completamente diferente: uma luta de boxe no estilo Punch-Out, uma batalha em cartas que funciona como RPG de turnos, um rhythm game com o troll baterista, uma seção de stealth sem espada, e até um clone de Candy Crush. A variedade é tanta que o jogo nunca deixa você se acomodar. Controlar Violet, a bruxa, em um puzzle que homenageia Puzzle Bobble (atirando esferas para acertar alvos) é um dos pontos altos.

O problema é que alguns minigames parecem um pouco forçados, como se estivessem ali só para aumentar o repertório. A parte de stealth, por exemplo, é tensa mas dura pouco e não se aprofunda. Ainda assim, a sensação de estar sempre experimentando algo novo segura o interesse até o final. Para completistas, os colecionáveis (Glitchbirds e Art Scrolls) estão bem escondidos e exigem exploração cuidadosa em cada capítulo.

Performance, bugs e para quem realmente serve

No PS5, o jogo se mantém fluido, com engasgos raros e uma taxa de quadros estável na maior parte do tempo. Relatos de soft-locks e crashes ocasionais existem em todas as plataformas, mas a Devolver já lançou patches que minimizam o problema. No capítulo 7, há uma área que pode travar se você fizer ações fora de ordem. é um dos poucos pontos de atenção. Para quem joga no Switch, os bugs são mais frequentes, então a versão de PS5 é a mais segura.

The Plucky Squire é um jogo para quem valoriza criatividade acima de desafio. Se você gosta de Zelda 2D, It Takes Two e aventuras curtas com muito charme, vai se deliciar. Agora, se busca combate profundo, tutoriais opcionais e um teste de habilidade, talvez se frustre. É uma aventura que prioriza o sorriso no rosto, não o suor na testa. E, para mim, isso já vale o ingresso.

Perguntas frequentes sobre review The Plucky Squire Deluxe Edition PlayStation 5

Qual é a diferença da Deluxe Edition para a versão padrão?

A Deluxe Edition inclui o jogo físico, um livro de arte com 108 a 112 páginas (capa mole), um voucher para download da trilha sonora e uma caixa de colecionador. A versão padrão é apenas digital ou física sem esses extras.

The Plucky Squire tem localização em português brasileiro?

Sim, o jogo tem localização completa em português brasileiro, com legendas e dublagem. O narrador é dublado por Mauro Ramos, conhecido por dar voz a Shrek.

Quantas horas dura a campanha de The Plucky Squire?

A campanha principal leva de 8 a 10 horas. Para completar 100% (coletando todos os colecionáveis), espere entre 10 e 14 horas. É um jogo linear, sem side quests.

O jogo tem bugs no PlayStation 5?

A versão de PS5 é estável na maior parte do tempo, com alguns engasgos raros e relatos de soft-locks ocasionais. A Devolver já lançou atualizações que minimizam esses problemas. A versão de Switch é a que mais sofre com bugs.

Vale a pena comprar a Deluxe Edition para quem não liga para extras físicos?

Se você valoriza artbook e trilha sonora física, a Deluxe é uma ótima pedida. Mas o jogo base já oferece a experiência completa. Os extras são cosméticos e não afetam a jogabilidade.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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