Vinte anos. Treze jogos. Uma única história que começou em Liberl e agora chega ao espaço. The Legend of Heroes: Trails beyond the Horizon é o capítulo que conecta décadas de narrativa, reunindo heróis de três arcos diferentes em uma trama sobre corrida espacial, conspirações e o peso do passado. Para quem acompanha desde o início, é um presente. Para quem nunca ouviu falar de Bracers, Guilds ou Septium, é um muro de texto com cara de videogame.
Você assume o controle de três protagonistas em uma jornada que cruza o planeta. Na rota de Van, as primeiras horas são um passeio lento por Calvard: conversas com NPCs, tarefas cotidianas, a sensação de que nada acontece. Mas quando o mistério do Project Startaker se anuncia, as coisas começam a andar. A pergunta não é se o jogo é bom, mas para quem ele é bom. A resposta, depois de dezenas de horas com o controle na mão, é mais complexa.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Novato? A história depende pesadamente dos treze jogos anteriores. O jogo oferece o Timely Terms para explicar siglas, mas é como ler o último capítulo de um romance sem ter visto o começo.
- O combate híbrido é o ponto alto. Você começa em tempo real, esquivando e atacando, e a qualquer momento pode pausar para um turno tático. Vale explorar Shard Commands e Awakening para virar batalhas difíceis.
- A Edição Deluxe adiciona a trilha sonora digital e um mini art book. Se você é fã e quer o extra, compensa. Caso contrário, a versão padrão entrega a mesma experiência de jogo.
- No PS5, o jogo roda a 60 fps no modo desempenho, com carregamento quase instantâneo. A performance é sólida, sem engasgos.
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The Legend of Heroes: Trails beyond the Horizon não é um jogo para qualquer um. Ele exige bagagem, paciência e disposição para encarar diálogos extensos antes de chegar à ação. Mas para quem tem essa bagagem, é recompensador como poucos. A narrativa conecta pontas soltas de mais de uma década, colocando personagens de diferentes arcos em uma corrida espacial chamada Project Startaker. As três rotas jogáveis (Van, Rean e Kevin) oferecem perspectivas distintas, mas o peso é desigual: a rota de Van é a mais longa e também a mais arrastada no começo. Nas primeiras sete horas, você praticamente só anda pela cidade, conversa com NPCs e resolve pequenos problemas. O combate aparece em conta-gotas. Já Kevin entra com um tom de thriller, mais direto e cheio de mistério, com conexões diretas ao Project Startaker. A rota de Rean, infelizmente, parece um extra: menos desenvolvida, com momentos que não alcançam o impacto das outras. Onde o jogo brilha é no combate. Você enfrenta um soldado mecanizado em tempo real, esquivando e atacando. Quando ele prepara um golpe pesado, você ativa o modo turn-based e usa um Shard Command para virar o jogo. A transição é instantânea. O sistema híbrido é o melhor da série até hoje: você pode correr por inimigos fracos no modo ação ou parar para pensar em chefes. A Z.O.C. congela o tempo e permite posicionamento estratégico. A masmorra opcional Grim Garten, com elementos roguelite, é essencial para a narrativa e oferece um bom desafio. No PS5, o jogo roda muito bem. Modo performance mantém 60 fps estáveis, e os carregamentos são quase instantâneos. Visualmente, não há salto geracional: muitos assets são reciclados de títulos anteriores, mas a direção de arte consistente e os efeitos especiais nos ataques salvam a apresentação. A trilha sonora é um ponto alto: variada e emocionante nos momentos certos. O maior problema é a ausência de legendas em português. Para um jogo tão denso, isso pesa. O texto em inglês é carregado de jargão e lore, o que pode afastar até quem tem um bom nível do idioma. Além disso, o final em cliffhanger pode frustrar. A Edição Deluxe adiciona a trilha sonora digital e um mini art book. Nada que mude a experiência, mas para os fãs são extras bem-vindos. Em resumo: Trails beyond the Horizon é um épico feito sob medida para quem vive a série. Se você começou com Trails in the Sky e acompanhou cada capítulo, este é o payoff. Se você está pensando em entrar agora, prepare-se para uma barreira alta e um início lento. Para os iniciados, é quase obrigatório.
Prós
- Combate híbrido refinado e flexível, o melhor da série
- Narrativa que amarra duas décadas de história de forma satisfatória
- Trilha sonora de alto nível e direção de arte consistente
- Performance sólida no PS5: 60 fps e carregamento rápido
Contras
- Ritmo muito lento no começo, especialmente na rota de Van
- Altíssima barreira de entrada para novos jogadores
Três rotas, três experiências, um mesmo horizonte
Pegar o controle e escolher por onde começar é a primeira decisão difícil. A rota de Van é a mais longa e densa: nas primeiras horas você explora Calvard, faz tarefas cotidianas, conversa com NPCs e sente o peso do slice of life. Quando o combate finalmente engrena, a narrativa ganha força, mas a sensação de que poderia ser mais enxuto fica. Já Kevin entra com um tom de thriller, mais direto e cheio de mistério, com conexões diretas ao Project Startaker. A rota de Rean, infelizmente, parece um extra: menos desenvolvida, com momentos que não alcançam o impacto das outras.
No ato final, as três rotas convergem em uma sequência de tirar o fôlego. Ver Van, Rean e Kevin lutando lado a lado contra ameaças cósmicas é o payoff que justifica as horas de preparação. É o tipo de fan service que funciona porque foi construído ao longo de anos. O problema é que, para chegar lá, você precisa atravessar um trecho de ritmo irregular. A rota de Van sofre com excesso de filler, enquanto a de Rean parece acelerada demais. É um desequilíbrio que pode cansar, mas que não apaga o brilho do conjunto.
Combate híbrido: o melhor dos dois mundos
Durante uma luta contra um chefe, você alterna entre esquivar golpes em tempo real e pausar para conjurar uma magia poderosa. O botão de transição está sempre ali, e o jogo nunca te pune por mudar de estratégia. Os Shard Commands consomem uma barra que enche com ataques bem-sucedidos; ativar um pode virar o combate. O Awakening transforma personagens em formas poderosas, com visuais impactantes. A Z.O.C. congela o tempo e permite reposicionar ou encadear golpes críticos. Tudo isso se soma à customização de Orbment, que volta com novas opções. Em momento algum o combate parece tedioso. Até nas masmorras mais longas do Grim Garten, a variedade de inimigos e a necessidade de adaptar táticas mantém o interesse. No PS5, a fluidez é excelente. Os 60 fps fazem diferença, especialmente nas batalhas em tempo real. E o DualSense vibra sutilmente, sem exageros.
Alguns veteranos sentem falta do turno puro, mas a liberdade de escolher quando parar e pensar é um dos pontos fortes do jogo. Você não fica refém de um estilo. Se uma luta está difícil, mude para turnos e pense. Se está fácil, ataque na ação e economize tempo. É o melhor dos dois mundos, bem equilibrado.
Para quem realmente faz sentido?
Você abre o menu de Timely Terms e se depara com siglas que remetem a eventos de jogos lançados há quinze anos. A trama assume que você sabe quem é o Gralsritter, o que é o Septium e por que a corrida espacial importa. Para um novato, é como assistir a um filme começando pela metade. O jogo até tenta ajudar com o sistema Timely Terms, mas isso não substitui a experiência. Além disso, a falta de legendas em português é um problema real. O texto é denso, com vocabulário específico e diálogos longos. Ler tudo em inglês pode ser cansativo e afastar jogadores que têm um conhecimento mediano do idioma.
Para quem viveu cada capítulo, cada reviravolta, cada personagem secundário que reaparece, este jogo é um presente. A trilha sonora toca nos momentos certos, a arte evoca nostalgia, e a história amarra pontas soltas que você nem lembrava que existiam. Mais de 100 horas de conteúdo, um combate refinado e uma conclusão digna para uma das maiores sagas do JRPG. O valor da versão completa é salgado, mas para o fã que sabe que vai passar mais de cem horas imerso, cada centavo pode valer a pena. Não espere gráficos de nova geração ou inovação radical. Espere uma experiência que respeita sua inteligência e pede comprometimento. Se você está na dúvida, pense: você gosta de RPGs que exigem dedicação? Se sim, encare. Do contrário, talvez seja melhor começar por um ponto mais acessível da série.
Perguntas frequentes sobre review The Legend of Heroes: Trails beyond the Horizon Deluxe Edition PlayStation 5
Preciso jogar os outros Trails antes de Trails beyond the Horizon?
Sim, e a dependência é grande. O jogo é a continuação direta de histórias que começaram há mais de 20 anos. Embora tenha um compêndio de lore, a experiência será confusa e pouco recompensadora para quem não conhece os arcos anteriores.
Quanto tempo leva para zerar?
A campanha principal leva cerca de 56 horas. Se você fizer sidequests e explorar, sobe para 85 horas. Para completar tudo, incluindo o Grim Garten e segredos, prepare-se para mais de 100 horas de jogo.
O jogo tem legendas em português?
Não. As legendas disponíveis são em inglês e francês. O texto é denso e cheio de jargão da série, o que pode ser um obstáculo mesmo para quem tem um bom nível de inglês.
O que a Edição Deluxe inclui de diferente?
A Deluxe Edition adiciona a trilha sonora digital e um mini art book. O jogo em si é idêntico ao padrão. Os extras agradam fãs que querem mais do universo.
O combate é em turnos ou ação?
Os dois. O sistema é híbrido: você começa lutando em tempo real e pode alternar para o modo turn-based no meio da batalha. Isso dá liberdade para adaptar sua estratégia conforme a situação.
