Review The Forgotten City (PS5): mistério, loop temporal e escolhas que pesam

Roube uma chave na frente de um guarda e veja todos virarem ouro num instante. Corra de volta ao portal, respire, e agora você sabe que aquele cidadão escondia algo. The Forgotten City transforma essa mecânica em um dos mistérios mais envolventes dos últimos anos. O que começou como um mod premiado de Skyrim virou um jogo independente que troca ação desenfreada por investigação, diálogos afiados e escolhas morais de verdade.

No comando de um personagem que você mesmo cria (entre arqueólogo, soldado, fugitivo ou amnésico), a missão é clara: descobrir quem está quebrando a Regra de Ouro e por que. A cada pecado cometido na cidade, todos viram estátuas douradas. A solução? Um loop temporal que permite resetar o tempo mantendo itens e conhecimento. Como um detetive numa bolha temporal, você repete ciclos para desvendar segredos.

Essa versão para PS5 entrega carregamentos rápidos e uma performance lisa, mas o que realmente brilha é o roteiro. São mais de 80 mil palavras, dublagem de alto nível e uma trilha orquestral que dá peso a cada revelação. Só tem um porém: nada de legendas em português. Se você domina inglês ou espanhol, a experiência é completa. Caso contrário, pode perder boa parte da imersão.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • The Forgotten City é um jogo de investigação, não de ação. Espere diálogos longos e quebra-cabeças sociais, não tiroteios ou combate intenso.
  • Idioma é o maior obstáculo: sem legendas em português. As opções de áudio são inglês (dublado) e legendas em espanhol, francês, alemão entre outros. Confira seu nível de compreensão antes de comprar.
  • A campanha principal leva de 5 a 7 horas. Para ver tudo e todos os finais, prepare-se para umas 10 horas. É um jogo curto, mas bem dosado e com rejogabilidade.
  • Os quatro finais e as diferentes escolhas incentivam pelo menos uma segunda jogada. O sistema de salvamento manual facilita explorar variações sem recomeçar do zero.
  • No PS5, o jogo roda em alta resolução com carregamento instantâneo. O DualSense não é muito aproveitado, mas a experiência é estável e sem quedas de frame.

1. The Forgotten City para PlayStation 5 – Edição Padrão

Num loop, você encontra uma carta que revela um segredo de família. No seguinte, usa essa informação para manipular a lealdade de um personagem. The Forgotten City é um jogo sobre aprender com os erros – os seus e os dos outros. Com um roteiro de mais de 80 mil palavras, dublagem de alto nível e uma trilha orquestral que dá peso a cada revelação, ele prende do começo ao fim. Sim, as animações faciais são datadas e o combate é fraco. Mas a liberdade de experimentar e as consequências reais das suas escolhas compensam. Se você domina inglês ou espanhol, mergulhe de cabeça. Se não, a barreira do idioma é um obstáculo duro.

Prós

  • Roteiro brilhante com personagens bem construídos e diálogos naturais
  • Loop temporal integrado à narrativa de forma orgânica e inteligente
  • Quebra-cabeças sociais que recompensam exploração e dedução
  • Ambientação histórica rica e imersiva
  • Dublagem profissional e trilha orquestral de qualidade
  • Múltiplos finais com escolhas que realmente impactam

Contras

  • Animações faciais e modelos de personagem datados
  • Combate fraco e pouco polido, com IA básica

Para quem é esse jogo?

Se você se emocionou com What Remains of Edith Finch, se perdeu horas investigando pistas em Outer Wilds, The Forgotten City é seu próximo vício. O jogo recompensa a curiosidade e a paciência. Cada NPC tem uma rotina, um segredo, uma motivação. Descobrir tudo isso é o verdadeiro gameplay.

Por outro lado, quem prefere ação constante, gráficos realistas ou jogos com dezenas de horas de conteúdo pode se sentir entediado. O ritmo é calmo, os diálogos são extensos e há momentos em que você fica sem saber exatamente o que fazer. Combate existe, mas é claramente secundário e pouco inspirado.

Por que o loop temporal funciona tão bem?

Diferente de muitos jogos com viagem no tempo, The Forgotten City não usa um cronômetro. Você explora livremente até decidir resetar. Isso tira a pressão e incentiva a experimentação. Quer ver o que acontece se roubar aquela chave na frente de todo mundo? Vá em frente. Depois do reset, você mantém o item e o conhecimento, mas os NPCs não lembram de nada. É um ciclo de tentativa e erro que nunca se sente injusto.

O jogo ainda oferece atalhos narrativos: depois de ouvir um diálogo uma vez, você pode pular com Galerius, um personagem que registra informações para você. Nas jogadas seguintes, isso acelera bastante o ritmo. A estrutura de quatro finais também dá motivos para repetir loops e testar abordagens diferentes. É possível ver todos os finais em cerca de 10 horas, explorando sem pressa.

O calcanhar de Aquiles: a falta de português

É difícil falar de The Forgotten City sem mencionar a ausência de legendas em português brasileiro. O jogo tem texto em inglês, espanhol, francês e alemão, mas nada do nosso idioma. Para um jogo tão narrativo, isso é um golpe duro. A dublagem é excelente, mas sem entender as nuances dos diálogos, as escolhas perdem peso. Você perde detalhes que fazem toda diferença numa história onde cada palavra importa.

A comunidade já pediu atualização, mas a desenvolvedora Modern Storyteller não se pronunciou. No PS5, o jogo está no catálogo PS Plus Extra, o que ameniza um pouco. Ainda assim, é um ponto de atenção que precisa ser considerado antes da compra.

Perguntas frequentes sobre review The Forgotten City PlayStation 5

The Forgotten City tem legendas em português?

Não. O jogo não oferece localização para português brasileiro. Os idiomas disponíveis incluem inglês (áudio e texto), espanhol, francês, alemão, entre outros.

Quantas horas dura The Forgotten City?

A campanha principal leva entre 5 e 7 horas. Para ver todo o conteúdo e os quatro finais, espere de 8 a 12 horas, dependendo da sua exploração.

Precisa ter jogado o mod de Skyrim para entender?

Não. The Forgotten City é uma história independente, com personagens e trama próprios. Você pode jogar sem conhecer o mod original.

O jogo tem multiplayer ou modo cooperativo?

Não. É uma experiência single-player focada em narrativa e investigação.

Vale a pena no PS5?

Sim, se você gosta de jogos narrativos e tem boa compreensão de inglês ou espanhol. A performance no PS5 é excelente, com carregamento rápido e gráficos estáveis.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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