Review The Crew Motorfest: festival havaiano, curvas soltas e uma sombra chamada Forza

Derrapar sob luz neon na playlist Made in Japan, com a eletrônica pulsando, e pensar: isso é muito divertido. Mas aí você para, olha em volta e vê ruas vazias, sem pedestres, sem trânsito. só carros fantasmas que não interagem. The Crew Motorfest entrega corrida arcade de qualidade no Havaí, com mais de 600 veículos e playlists criativas, mas carrega um peso: parece uma cópia bem-feita de Forza Horizon, sem identidade própria. A diversão existe, mas vem com um gosto de 'já vi isso antes'.

Passei horas no PS5 alternando entre o caos do Grand Race (28 jogadores, três trocas de veículo, 10 minutos de ultrapassagens) e a frustração de abrir loot aleatório por uma peça rara. O jogo te puxa com seu visual deslumbrante e deixa a desejar na originalidade. Motorfest é generoso em quantidade. mais de 600 carros, barcos, aviões -, mas o mundo de Oʻahu se atravessa em 15 minutos. O resultado é um festival que diverte no automático, mas raramente surpreende.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Pense no seu estilo de jogo: se você gosta de simulação realista, Motorfest não é para você. A física é arcade, com derrapagem solta e pouco peso entre categorias.
  • Verifique sua conexão: o jogo exige internet constante, mesmo no modo single-player. Se sua rede cai com frequência, prepare-se para frustração.
  • Considere as microtransações: o sistema de progressão empurra créditos pagos (Crew Credits) para acelerar a compra de carros caros. Não é obrigatório, mas o grind é real.
  • Idioma: não há dublagem em português, apenas legendas. Durante corridas rápidas, ler diálogos pode atrapalhar o foco na pista.

1. The Crew Motorfest para PlayStation 5. Edição Padrão

The Crew Motorfest funciona melhor quando você esquece a concorrência e mergulha nas playlists. A Vintage Garage, por exemplo, coloca você num clássico dos anos 60 sem GPS, só com placas de rua e um filtro Polaroid. pura imersão retrô. Já a Motorsports traz F1 com desgaste de pneus e pit stops, algo raro em arcades. São esses momentos que elevam o jogo, principalmente quando misturam educação automotiva com gameplay. Pilotar um Porsche 911 enquanto ouve a história da marca é um acerto que poucos jogos de corrida fazem. Mas o encanto quebra quando você percebe o mundo aberto. Oʻahu é lindo, com pores do sol de tirar o fôlego, mas não respira. Sem pedestres, tráfego esparso e carros fantasmas que passam por você sem interação, a ilha parece um cenário de cinema vazio. Atravessá-la de ponta a ponta leva 15 minutos, e a repetição cansa. E a sombra de Forza Horizon é inevitável: mesma estrutura de festival, assistente de IA (CARA) tagarelando, até a vibração geral. Falta personalidade. No PS5, o Modo Performance entrega 60 fps estáveis, com perda visual mínima em vegetação distante. O Modo Qualidade engasga em cutscenes. cortes no meio da corrida que quebram o ritmo. O DualSense até treme nos gatilhos em pisadas fortes, mas está longe da imersão de um Gran Turismo. O som dos motores é excelente, grave e autêntico, e a trilha licenciada encaixa bem na ação. O online é a salvação. Grand Race é um caos viciante: 28 jogadores, três veículos por corrida, resultado imprevisível. Demolition Royale, um battle royale de destruição com power-ups, surpreende pela diversão. Fora isso, o multiplayer é raso. faltam modos tradicionais e o matchmaking demora. As microtransações aparecem com frequência, pressionando compras, mas dá para ignorar se você tiver paciência para grind. No fim, The Crew Motorfest é um arcade competente para quem quer corrida descompromissada e não se incomoda com sempre online, falta de originalidade e um mundo vazio. A diversão existe, mas não espere um clássico. É um bom jogo para um fim de semana, não para uma coleção.

Prós

  • Playlists temáticas bem curadas, como Vintage Garage e Made in Japan, que ensinam e divertem
  • Gráficos deslumbrantes: iluminação e pores do sol que param o jogo para fotos
  • Grand Race e Demolition Royale: modos multiplayer que realmente empolgam
  • Importação de toda a garagem de The Crew 2 é um mimo para veteranos
  • Modo Performance a 60fps estável no PS5, sem grandes sacrifícios visuais

Contras

  • Mundo aberto vazio: sem pedestres, tráfego reduzido e carros fantasmas sem interação
  • Falta de originalidade: a inspiração em Forza Horizon é tão forte que constrange

Playlists: a melhor ideia do jogo

As playlists são o coração de Motorfest. Cada uma é uma minicampanha temática com cerca de oito eventos, e a curadoria é caprichada. Na Made in Japan, você corre por ruas encharcadas de neon ao som de música eletrônica. parece um live-action de anime. Na Motorsports, pilotos F1 com desgaste de pneus e pit stops, coisa rara em arcades. Na Hawaii Scenic Tour, o jogo desacelera e vira um documentário interativo sobre a geografia local. É um acerto que ensina e entretém ao mesmo tempo.

O problema é que nem todas têm o mesmo nível. Algumas são genéricas, como a de muscle cars, que repete o mesmo loop de sprint em estradas diferentes. E as playlists emprestam carros, o que tira o propósito de construir sua própria coleção. Você termina uma playlist e volta ao menu sem sentir que evoluiu. Mas quando acertam, como na Vintage Garage com seu filtro retrô e navegação por placas, a sensação é de frescor raro no gênero.

Multiplayer: caos controlado e promessas não cumpridas

O modo online de Motorfest é um estudo de contrastes. De um lado, Grand Race: 28 jogadores, três mudanças de veículo durante uma corrida de 10 minutos em trechos aleatórios da ilha. É pura bagunça, com ultrapassagens no limite e colisões que viram o resultado do avesso. Demolition Royale também diverte, com 32 jogadores em equipes, power-ups e uma arena que encolhe. Esses dois modos são o motivo para voltar após zerar as playlists.

De outro, o multiplayer é raso. Faltam modos tradicionais como corridas de sala personalizada ou um sistema de clãs decente. O Summit Contest semanal repete os mesmos desafios e enjoa rápido. O matchmaking demora, e quando entra, a estabilidade é ok, sem grandes vantagens em relação ao PvP de Forza. Motorfest tem um bom começo online, mas não sustenta a longo prazo para quem não curte o caos do Grand Race.

Visual, performance e o mundo que não respira

Motorfest é um dos jogos mais bonitos do PS5. A iluminação, especialmente ao amanhecer e entardecer, é de cair o queixo. O reflexo no capô, o brilho do asfalto molhado, o contraste do verde das montanhas com o azul do mar. tudo convida a parar e tirar foto. E o som dos motores, gravado dos veículos reais, ronca com personalidade no controle. Mas aí você olha para a rua e não vê ninguém. Nenhum pedestre, nenhum carro estacionado com gente, nenhuma vida. O mundo é lindo e morto.

No quesito performance, o Modo Performance entrega 60fps consistentes, com raras quedas em áreas de muita vegetação. O Modo Qualidade sobe a resolução, mas engasga em cutscenes e em voo baixo de avião, com pop-in de sombras e arbustos. No PS5 Pro, o upgrade é significativo (4K 60fps com mais detalhes), mas na versão base o equilíbrio é bom. A falta de dublagem em português e os diálogos em excesso (a assistente CARA não cala a boca) tiram um pouco da imersão. Você quer correr, não ouvir uma aula de história havaiana entre curvas.

Perguntas frequentes sobre review The Crew Motorfest PlayStation 5

Preciso jogar The Crew ou The Crew 2 antes de Motorfest?

Não. As histórias são independentes. Você pode importar seus carros de The Crew 2, mas isso só adiciona à garagem, não à narrativa. O jogo te apresenta tudo como se fosse seu primeiro festival.

Dá para jogar offline?

Originalmente não, e ainda é a realidade na versão atual. Uma atualização futura promete modo offline, mas até lá você precisa de conexão constante, mesmo para campanha solo. Sem internet, sem jogo.

As microtransações atrapalham a diversão?

Depende da sua paciência. Os carros mais caros custam moedas que levam horas para acumular. As Crew Credits (pagas) aceleram isso, e a loja aparece com frequência. Dá para ignorar, mas o grind é real e proposital.

O jogo tem dublagem em português?

Não. Apenas legendas em português brasileiro. Os diálogos são em inglês, com alguns momentos de narração em português de Portugal (CARA). Durante corridas, ler legendas pode atrapalhar a concentração.

Vale a pena para quem ama simulação?

Dificilmente. A física é arcade, com derrapagem solta e carros que se comportam de forma parecida dentro das mesmas categorias. Se você busca realismo, passe longe. Para quem quer diversão rápida e festival, sim.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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