The Bridge Curse 2: The Extrication. Review PS5: Terror asiático, puzzles afiados e algumas arestas

Uma lanterna que revela segredos, corredores que engolem o som dos passos, e a sensação de que algo está sempre à espreita. The Bridge Curse 2 coloca você na pele de quatro personagens explorando o prédio Da Ren, na Universidade Wen Hua, em Taiwan. A premissa é clássica: um grupo de estudantes filma um curta de terror no local, e uma repórter investiga desaparecimentos. Mas o jogo não se apoia só no susto fácil. Ele quer que você pense.

Os quebra-cabeças são o carro-chefe. Cada puzzle, de combinações numéricas a diagramas Bagua, exige atenção aos documentos espalhados pelo cenário. A Lanterna Anima, item central, não só ilumina pistas ocultas em paredes manchadas, mas também repele espíritos por instantes, desde que você gerencie bem sua energia. Quando funciona, a tensão é genuína.

O problema? As sequências de perseguição perdem o impacto rápido. A Bailarina Louca e o Neckless Consort são visualmente impressionantes, mas a IA previsível e as rotas lineares tiram a graça. Em cerca de 6 horas, você termina a campanha principal, tempo justo para um survival horror que prefere atmosfera a ação.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Terror atmosférico vs. ação: se você curte exploração e puzzles no estilo Fatal Frame, o jogo acerta. Quem busca sustos constantes ou combate intenso pode se decepcionar.
  • Puzzles são o destaque: exige paciência para ler documentos e conectar pistas. Não espere tutoriais longos; a descoberta é recompensadora.
  • Dublagem: a versão em inglês tem vozes forçadas e lábios fora de sincronia. Prefira o áudio em chinês, que encaixa melhor na ambientação. As legendas em português brasileiro têm erros de gênero e frases sem sentido.
  • Duração: de 4 a 8 horas, dependendo do seu ritmo. Ideal para um fim de semana.
  • Cross-buy PS4/PS5: a versão digital é válida para ambos os consoles.

1. The Bridge Curse 2: The Extrication (PS5). Survival horror atmosférico com foco em quebra-cabeças

Você está em um corredor escuro, a Lanterna Anima tremeluzindo. Uma parede manchada revela uma pista quando você a ilumina. Logo atrás, passos arrastados. O zelador possuído está vindo. Você se abaixa debaixo de uma mesa, prende a respiração. Ele passa. Esse é o melhor do jogo: momentos em que exploração e tensão se encontram.

The Bridge Curse 2 aposta em quebra-cabeças criativos (combinações, diagramas, dioramas) e uma atmosfera densa, enraizada no folclore taiwanês. A Lanterna Anima é versátil: revela objetos ocultos, dissipa barreiras e pode salvar sua vida com um golpe fatal. No PS5, os 60fps estáveis mantêm a fluidez, e o design dos monstros (Bailarina Louca, Neckless Consort) é memorável.

Mas a experiência tropeça em repetição. As perseguições seguem o mesmo padrão: correr, virar, se esconder. E a IA previsível tira o fator surpresa. A história, contada por quatro personagens, é fragmentada e cheia de diálogos expositivos. A dublagem em inglês é fraca; a trilha sonora, genérica. Optar pelo áudio chinês melhora, mas não conserta a narrativa.

Prós

  • Quebra-cabeças criativos e bem integrados à narrativa
  • Atmosfera tensa e imersiva, com influência do folclore taiwanês
  • Design de monstros memorável (Bailarina Louca, Neckless Consort)
  • Performance sólida no PS5 (60fps estáveis)
  • Cross-buy entre PS4 e PS5

Contras

  • Narrativa fragmentada e diálogos expositivos
  • Dublagem em inglês de baixa qualidade; legendas em português com erros

Quebra-cabeças e furtividade

Os puzzles são o coração do jogo. Em uma sala, você precisa combinar símbolos Bagua no chão; em outra, montar um diorama que reencena um crime. Cada enigma está ligado ao folclore local, e resolvê-los dá uma satisfação genuína. A Lanterna Anima é a ferramenta que conecta tudo: use-a para iluminar marcas em paredes, dissipar barreiras negras ou, em último caso, desferir um golpe fatal que consome energia. O medidor de energia força você a pensar antes de usar. Não é um escudo infinito.

Já a furtividade é mais básica. Esconder-se debaixo de mesas ou atirar objetos funciona, mas a IA dos inimigos é limitada. Eles seguem rotas fixas e reagem devagar. As perseguições, como as da Bailarina Louca, começam intensas, mas a repetição diminui a tensão. Quando você descobre que pode simplesmente correr em linha reta e virar em um corredor, o medo desaparece. Um encontro específico, que combina fuga com um espaço mais aberto, mostra o potencial, mas é exceção.

Narrativa e apresentação

Quatro personagens, quatro perspectivas, uma história que nunca se completa direito. A repórter Sue Lian e os estudantes Richie, A-Hai e Doc vivem capítulos que se cruzam, mas os diálogos são expositivos demais. Você sabe que algo terrível aconteceu no Carnaval do Horror, mas a trama não amarra as pontas de forma satisfatória. As cutscenes, longas, quebram o ritmo.

A dublagem em inglês é o maior pecado: vozes caricatas e lábios fora de sincronia. Troque para o chinês e a imersão melhora. As vozes soam naturais para o ambiente. As legendas em português, infelizmente, têm erros que confundem. Visualmente, o jogo acerta: corredores escuros com iluminação dramática, e os monstros são assustadores. A Bailarina, com seus movimentos espasmódicos, é destaque. Mas a trilha sonora genérica e os jumpscares previsíveis diminuem o impacto.

Perguntas frequentes sobre review The Bridge Curse 2 The Extrication PlayStation 5

Quanto tempo dura The Bridge Curse 2?

Cerca de 4 a 6 horas na campanha principal, até 8 horas para completar tudo. É um jogo compacto, bom para um fim de semana.

Preciso jogar o primeiro jogo?

Não. A história é independente, com personagens e ambientação novos. Pode começar por este sem problemas.

O jogo é assustador?

Sim, especialmente pelos sustos bem colocados e pela atmosfera opressiva. Mas jogadores experientes em horror podem achar as perseguições previsíveis. A força está no design dos fantasmas e na sensação de estar sendo observado.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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