Você liga o PS5 e aparece uma tela verde, letras piscando, sem música. Aquela é a versão original de Tetris de 1984, rodando num computador soviético. É assim que Tetris Forever começa: não com um menu bonito, mas com um pedaço da história. A Digital Eclipse, que mandou bem em coletâneas como Atari 50, tenta mostrar o legado do quebra-cabeça de blocos com mais de 90 minutos de documentário, um museu interativo e mais de 15 versões clássicas.
Passei horas no museu e alternando entre os jogos. O que vi foi um trabalho de amor, mas inconsistente: o melhor documentário já feito sobre o jogo, mas uma seleção que deixa a desejar. Quem curte história de videogame vai se perder no material de arquivo. Quem só quer jogar Tetris moderno pode se frustrar.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Tetris Forever é um documentário interativo, não uma coletânea de sucessos. Leve isso em conta antes de comprar.
- A versão de Game Boy não está presente oficialmente, apenas referenciada no modo Time Warp.
- Os jogos mais antigos (MS-DOS, Apple II) são historicamente relevantes, mas podem ser datados e sem graça.
- O modo Tetris Time Warp é o único conteúdo realmente novo e se beneficia do multiplayer local.
- A Digital Eclipse já adicionou Welltris via atualização, então a lista de jogos pode crescer.
1. Coletânea Tetris Forever para PlayStation 5
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Tetris Forever é, antes de tudo, um tributo ao clássico dos puzzles, mas como jogo, não é tão bom. O documentário da Area 5 conta a amizade entre Alexey Pajitnov e Henk Rogers, as negociações com a Nintendo, a briga na justiça. Tudo com ritmo de filme de espionagem, cheio de fitas VHS raras, fotos e scans de documentos. O museu virtual tem uma linha do tempo interativa. Você clica em 1989 e vê uma foto do Rogers com um Game Boy; um vídeo explica como a pirataria espalhou Tetris pelo mundo. O melhor é pular do documentário direto pra versão do jogo que está sendo mostrada. do vídeo sobre o Electronika 60, você já está jogando na tela verde em um clique. A parte de jogar é mais complicada. Você começa no Tetris original do Electronika 60: gráficos de caracteres, sem música, só o som dos blocos caindo. Depois de algumas linhas, aparece uma peça especial. Encaixando ela, a tela muda e você vai parar no colorido mundo de Super Tetris 2 + Bombliss, com explosões e mecânicas malucas. Essa é a mágica do Time Warp, mas também o problema. Muitas versões antigas (MS-DOS, Apple II) são bem simples, com controles que mudam de jogo pra jogo. Aperta X num, quadrado noutro, e você comete erros bobos. O modo Time Warp em single player repete as mesmas transições depois de algumas partidas. Já no multiplayer local, com até quatro pessoas, a bagunça é realmente divertida. No fim, Tetris Forever acerta mais como documento histórico do que como jogo. A apresentação é muito boa, a pesquisa é excelente. A falta do Tetris de Game Boy, que vendeu 35 milhões de cópias, é uma ausência que pesa. Se você é fã da franquia e quer entender de onde veio, não tem nada melhor. Se quer apenas uma coletânea pra jogar por horas com mecânicas refinadas, a decepção é certa.
Prós
- Documentário com mais de 90 minutos e entrevistas que parecem um filme de espionagem
- Museu interativo riquíssimo, com linha do tempo, fotos e scans de documentos raros
- Tetris Time Warp oferece momentos caóticos e divertidos no multiplayer local
- Emulação fiel e carregamento rápido no PS5, sem bugs
Contras
- Ausência do Tetris de Game Boy e NES, versões que definiram a franquia
- Muitos jogos antigos (MS-DOS, Apple II) são datados e pouco divertidos, com controles inconsistentes
O documentário e o museu: o destaque da coletânea
Você pausa o jogo e entra no museu. A tela mostra uma linha do tempo de 1984 até hoje. Clico em 1989, vejo uma foto do Henk Rogers com um Game Boy. Um vídeo começa: a história de como Tetris quase não saiu da União Soviética. A Digital Eclipse caprichou na pesquisa. O documentário principal, com mais de uma hora, é contado pelos próprios Pajitnov e Rogers, intercalando entrevistas com imagens de arquivo e filmagens caseiras. Você descobre como Tetris nasceu de um sistema operacional soviético, como a pirataria espalhou o jogo pelo mundo, e como um acordo de última hora com a Nintendo mudou tudo.
O museu não é enfeite. Tem scans de documentos de patentes, caixas de jogos raras, e até um vídeo sobre o polêmico Tetris de Pokémon Mini. A curadoria é de alto nível, de dar inveja a uma exposição física. Se você é do tipo que lê cada descrição e assiste cada vídeo, passa horas só no modo galeria.
A seleção de jogos: nostalgia nem sempre é sinônimo de diversão
A lista é um tesouro para historiadores, mas uma surpresa para jogadores. Tem o raro Tetris Battle Gaiden, com poderes especiais, e o antigo MS-DOS, que dói nos olhos. Esses títulos mais obscuros, como Super Tetris 2 + Bombliss, trazem mecânicas malucas. blocos que explodem, bombas que viram peças. A maioria, porém, são portes de computador dos anos 80: gráficos CGA, som de PC speaker. Historicamente relevantes, mas você realmente vai jogar por mais de 5 minutos? Dificilmente. A falta de uma versão moderna e refinada é sentida. E a ausência do clássico de Game Boy (35 milhões de cópias vendidas) é uma falta que a Digital Eclipse tentou compensar com uma homenagem visual no Time Warp, mas não é a mesma coisa.
Vale destacar que a Digital Eclipse prometeu adicionar mais jogos via atualizações. Em dezembro de 2024, Welltris foi incluído. Isso dá esperança de que a lista cresça, mas no lançamento a sensação é de que falta algo essencial.
Tetris Time Warp: criativo, mas repetitivo
O modo principal do novo jogo é o Time Warp. A ideia é esperta: uma peça especial ativa um warp de 20 segundos para outra era. Na prática, funciona como um caos controlado. Em single player, você corre contra o relógio em versões alternadas. No multiplayer local com até quatro jogadores, limpar uma linha com a peça especial envia um ataque que bagunça a tela do oponente. jogar com amigos é uma bagunça divertida. O problema é que as transições se repetem rápido. Depois de umas três partidas, você já viu todas as variações (Electronika 60, Game Boy, Bombliss) e perde a graça.
Para quem busca uma experiência tradicional, não tem um modo maratona clássico. O Time Warp acaba sendo a única opção nova. É uma pena, porque a base do jogo é boa. Se tivesse mais modos com regras clássicas, a coletânea seria muito mais forte como jogo.
Perguntas frequentes sobre review Tetris Forever PlayStation 5
O Tetris de Game Boy está incluído?
Não oficialmente. A versão do Game Boy não pôde ser licenciada, mas é homenageada no modo Time Warp com gráficos e sons idênticos durante as fases de 20 segundos.
Quantos jogos vêm na coletânea?
Mais de 15 títulos clássicos, incluindo desde o original de 1984 até raridades japonesas, além do inédito Tetris Time Warp.
Dá para jogar online?
O Tetris Time Warp tem suporte para até 4 jogadores, mas apenas localmente. Não há modo online confirmado na versão PS5.
A coletânea recebeu updates com novos jogos?
Sim. Em dezembro de 2024, a Digital Eclipse adicionou Welltris. A empresa afirmou que mais títulos serão incluídos via atualizações gratuitas.
Para quem Tetris Forever é mais indicado?
Para fãs de história dos videogames, retrogamers e colecionadores. Quem busca uma experiência moderna e refinada de Tetris pode ficar decepcionado.
