Apertar Start no menu do Teenage Mutant Ninja Turtles: The Cowabunga Collection é como abrir um baú enferrujado no sótão da casa dos seus avós. Dentro, treze cartuchos e fliperamas que marcaram a infância de quem cresceu nos anos 90. e também algumas pedras que o tempo não tratou bem. A Digital Eclipse caprichou na curadoria: versões americanas e japonesas, um museu com mais de dois mil itens, opções de rewind e save states. Mas será que o pacote inteiro segura o tranco no PlayStation 5, ou a nostalgia acaba quando você aperta o play?
Depende do seu apetite por nostalgia. Se você quer juntar a galera no sofá para um cooperativo local regado a pizza, o Cowabunga Collection entrega com sobras. Agora, se busca uma experiência online polida ou jogos que envelheceram como vinho, prepare-se para fases que podem soar mais azedas do que o esperado. E a ausência de legendas em português? Para o público brasileiro, é um tombo difícil de ignorar.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Verifique se você tem afinidade com jogos retrô: a coletânea reúne títulos de arcade, NES, SNES, Genesis e Game Boy, cada um com sua própria curva de dificuldade e limitações de época.
- O modo cooperativo local é o grande destaque: convide amigos para o sofá e reviva a pancadaria dos fliperamas sem precisar de moedas.
- Se o multijogador online for essencial para você, saiba que funciona apenas em cinco jogos específicos e, mesmo com rollback netcode, ainda sofre com latência e desconexões.
- Não há qualquer conteúdo legendado ou traduzido para o português brasileiro, os menus, descrições e o museu estão todos em inglês.
- As ferramentas de qualidade de vida (save states, rewind, mapeamento de botões) são um alívio para atravessar as fases mais punitivas, mas o input delay pode incomodar quem tem memória muscular dos originais.
1. Teenage Mutant Ninja Turtles: The Cowabunga Collection. PlayStation 5
Fonte: Amazon.com.brTeenage Mutant Ninja Turtles Cowabunga Collection PS5
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Treze jogos que vão do fliperama de 1989 ao metroidvania Radical Rescue no Game Boy. A tela de abertura do TMNT arcade ainda arrepia: música tema, convite para quatro jogadores, a promessa de pancadaria sem fim. A Digital Eclipse fez um trabalho de emulação competente: slowdowns e flickerings do NES corrigidos, botão de corrida adicionado ao Turtles in Time do SNES, filtros de tela (CRT, monitor, LCD) para quem quiser a sensação de tubo. O modo widescreen até estica a imagem, mas nada substitui a proporção original. O verdadeiro tesouro, porém, é o Turtles' Lair. Mais de dois mil itens entre artes conceituais, manuais digitalizados, anúncios de revistas, HQs completas e até faixas sonoras. É uma imersão na cultura pop dos anos 80 e 90 que vai fazer qualquer fã perder horas só navegando. E para quem acha que jogos antigos são difíceis demais, o game assist permite que a IA jogue sozinha, você pode até sentar e assistir a uma run perfeita no watch mode. Sim, é quase como ter um irmão mais velho que zera tudo por você. No entanto, a experiência tem alguns arranhões. O input delay é perceptível em relação aos hardwares originais: desalinha o timing de quem jogava no SNES original, atrapalha golpes precisos. O multijogador online, mesmo com rollback netcode, é uma frustração, partidas que travam no meio do chefe final, matchmaking demorado, uma sensação de que o código de rede ainda precisa de muitos ajustes. O cooperativo local, por outro lado, é uma maravilha, reunir três amigos no sofá para detonar o Shredder no arcade original continua sendo uma das experiências mais genuínas que o PS5 pode proporcionar.
Prós
- Valor incrível: 13 jogos por um preço justo, com extras que enriquecem a nostalgia
- Museu Turtles' Lair é um deleite para fãs, com mais de 2.000 itens históricos
- Ferramentas de qualidade de vida (save states, rewind, game assist) tornam os títulos mais punitivos acessíveis
- Cooperativo local impecável em vários jogos, perfeito para sessões no sofá
Contras
- Input delay perceptível em relação aos originais, incomoda jogadores mais exigentes
- Multijogador online instável, com latência e desconexões frequentes
O baú de memórias: museu e variedade de títulos
Abra o Turtles' Lair e você encontra mais de dois mil itens dos arquivos da Konami: esboços dos personagens, capas de revistas raras, trilhas sonoras originais. É o tipo de material que faz qualquer fã perder a noção do tempo folheando artbooks digitalizados. Para quem cresceu com as Tartarugas, é como entrar na sua própria ala nostálgica de um museu de videogame.
A seleção de jogos cobre um leque impressionante. Você começa no arcade de 1989, com quatro jogadores lado a lado, e passa por clássicos como Turtles in Time (SNES), o competitivo Tournament Fighters (em três versões diferentes!) e o esquecido mas desafiador Radical Rescue, que mistura exploração no estilo metroidvania. Claro que nem tudo envelheceu bem, os títulos de Game Boy, por exemplo, são mais exercícios de paciência do que diversão. Mas a variedade é tão grande que você sempre encontra algo que te prende.
A Digital Eclipse ainda incluiu algumas melhorias sutis: o run button dedicado no Turtles in Time do SNES e a correção de slowdown no NES são bem-vindas. Cada jogo tem seu próprio menu de opções, com modificadores como vidas infinitas e continues, que tiram a frustração de títulos notoriamente difíceis como o primeiro TMNT de NES (sim, a fase aquática continua um pesadelo, mas agora você pode dar rewind).
A experiência moderna: emulação, input lag e o online
No PS5, a coletânea roda a 60 quadros por segundo na maioria dos jogos e carrega em segundos. A emulação é competente, com filtros de tela que simulam CRT, monitor de PC e até LCD de Game Boy, embora nenhum recrie perfeitamente a magia do tubo. O grande ponto de discórdia é o input delay. Não é um lag catastrófico, mas para quem jogou esses títulos no hardware original, o atraso na resposta dos botões rouba um pouco daquela precisão instantânea, um golpe mal cronometrado, um pulo que chega atrasado.
O multijogador online, prometido para cinco jogos, é a maior decepção. Testamos partidas de TMNT Arcade e Turtles in Time e, mesmo com rollback netcode, enfrentamos latência, quedas de conexão e um matchmaking lento. Uma partida contra o Shredder que travou no meio? Frustrante. O cooperativo local, por outro lado, funciona perfeitamente. Nada supera a gritaria de quatro pessoas na mesma sala, cada uma no seu controle, tentando sobreviver ao exército do Shredder. É aí que a coleção brilha.
Uma ausência que pesa para o jogador brasileiro: não há legendas em português. Os menus, as descrições do museu e os diálogos dos jogos (quando existem) estão todos em inglês. Para quem não domina o idioma, perde-se uma camada importante do conteúdo histórico. A Konami já deveria ter corrigido isso há tempos.
Para quem realmente vale? Público ideal e veredito
Fãs saudosistas, esta é a sua coletânea. Se você cresceu com as Tartarugas Ninja e sente falta daquela época em que a maior preocupação era juntar moedas para continuar no fliperama, o Cowabunga Collection é um presente. A quantidade de conteúdo, o capricho do museu e as ferramentas de acessibilidade fazem dele uma das melhores coletâneas retrô já lançadas. O cooperativo local, em especial, é motivo suficiente para chamar os amigos e reviver a pancadaria.
Agora, se você não tem apego nostálgico pela franquia, ou se o que move sua jogatina é um online competitivo e sem engasgos, melhor pisar no freio. O input delay e as falhas de rede podem frustrar. E para quem já acha jogos antigos datados demais, mesmo com rewind, a repetitividade de alguns títulos vai cansar rápido. A coletânea é um monumento à memória afetiva, não uma porta de entrada para novos jogadores.
No fim, o veredito é claro: para fãs e saudosistas, é compra certa. Para quem busca gameplay polido e experiência online impecável, talvez seja melhor esperar uma versão mais apurada, ou partir para o excelente Shredder's Revenge, que resolve quase todos esses problemas com um visual moderno.
Perguntas frequentes sobre review Teenage Mutant Ninja Turtles Cowabunga Collection PlayStation 5
Quais jogos estão incluídos na Cowabunga Collection?
São 13 títulos: TMNT (Arcade), TMNT: Turtles in Time (Arcade), TMNT (NES), TMNT II: The Arcade Game (NES), TMNT III: The Manhattan Project (NES), TMNT: Turtles in Time (SNES), TMNT: Tournament Fighters (SNES, NES, Genesis), TMNT: The Hyperstone Heist (Genesis), TMNT: Fall of the Foot Clan (Game Boy), TMNT II: Back from the Sewers (Game Boy) e TMNT III: Radical Rescue (Game Boy).
A coletânea tem legendas em português?
Não. Menus, descrições do museu e conteúdos extras estão apenas em inglês. Os jogos em si têm diálogos mínimos, mas a ausência de localização é sentida principalmente no material de arquivo.
O multijogador online funciona bem?
Funciona de forma instável. Apesar de usar rollback netcode, as partidas apresentam latência e desconexões frequentes. O cooperativo local, por outro lado, é excelente e recomendado.
Vale a pena para quem não jogou os originais?
Depende. Se você tem paciência para jogos antigos com mecânicas punitivas e gráficos retrô, há diversão. Mas o público ideal são fãs nostálgicos. Para novos jogadores, o recente TMNT: Shredder's Revenge é uma porta de entrada mais amigável.
