Tales of Berseria Remastered: vingança, alma e um remaster que não convence em tudo

A primeira cena de Tales of Berseria já entrega o tom: uma mulher acorrentada, olhos vidrados de ódio, o braço transformado em algo demoníaco. Não tem herói relutante aqui. Velvet Crowe é uma anti-heroína movida a vingança, e essa premissa sombria sustenta um dos roteiros mais maduros que a série Tales já produziu. O Remastered chega agora ao PlayStation 5 prometendo reviver essa jornada com alguns ajustes de qualidade de vida, mas sem ousar mexer no essencial.

Para quem nunca encarou o original de 2016, esta é a melhor porta de entrada. A versão de PS5 roda em 4K nativo com 60 FPS sólidos, carregamentos quase instantâneos e inclui várias melhorias que a versão de PS4 não tinha. Mas quem jogou Berseria no passado pode sentir que o remaster é mais uma repaginagem modesta do que uma transformação. A pergunta que fica: o jogo ainda segura o tranco em 2026?

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • História densa e personagens complexos: Berseria não é um JRPG leve. A trama de vingança exige atenção e paciência.
  • Combate baseado no Soul Gauge: o sistema recompensa esquivas e timing, mas pode soar restritivo para quem prefere ação mais solta.
  • Visual envelhecido: mesmo com o remaster, texturas e modelos ainda lembram a era PS3/PS4. Não espere um salto gráfico.
  • Duração extensa: a campanha principal leva cerca de 44 horas, e o conteúdo completo passa das 150 horas.
  • Legendas em português: o remaster adiciona tradução para o português brasileiro, um diferencial para quem quer mergulhar na história.

1. Tales of Berseria Remastered – PlayStation 5: uma jornada de vingança com performance refinada

Enquanto a maioria dos JRPGs aposta em heróis idealistas, Berseria coloca você no controle de Velvet Crowe, uma jovem que vira um demônio de ódio. O roteiro não tem medo de explorar temas pesados. perda, traição, a linha tênue entre justiça e vingança. e funciona porque o elenco de apoio é igualmente forte. Magilou faz piadas macabras em momentos tensos, Rokurou busca um duelo final que pode custar sua vida, Eleanor questiona cada crença que tinha. Os skits opcionais aprofundam relações e dão personalidade ao grupo; depois de algumas horas, você percebe que cada personagem tem camadas além do arquétipo. O combate divide opiniões. O sistema Linear Motion Battle usa o Soul Gauge. uma barra que se esvazia conforme você ataca e usa habilidades. Para recarregar, precisa acertar golpes ou executar esquivas perfeitas. Quando o ritmo encaixa. você esquiva, ataca, gasta almas no Break Soul. a luta vira uma coreografia. Lá pelas tantas, contra um chefe, você usa o Break Soul de Velvet pela primeira vez: ela drena almas, o medidor enche, e tudo faz sentido. O problema? O tutorial é raso, e você passa as primeiras horas sentindo que falta energia nos golpes. Em dungeons longas, a repetição cansa. Além disso, a progressão de equipamentos é fraca: você encontra armaduras e espadas com o mesmo nome e variações mínimas de atributos, o que tira a graça de 'upar' o inventário. O remaster é competente, mas tímido. No PS5, o jogo roda a 4K e 60 FPS sem oscilações, o carregamento caiu para segundos e há funcionalidades como marcadores de destino, toggle de encontros aleatórios e o Grade Shop liberado desde o início com pontos. Isso permite comprar multiplicadores de experiência e itens raros bem cedo, aliviando a grind. A Bandai Namco também incluiu todo o DLC original de figurinos e itens, além de legendas em português brasileiro. Graficamente, a diferença é sutil: texturas popping e modelos que ainda lembram a era PS3. Não espere um remake visual. Tales of Berseria Remastered é um ótimo JRPG, mas entrega uma experiência que envelheceu em alguns aspectos. Para quem nunca jogou, é a versão mais confortável: dezenas de horas de história densa, personagens memoráveis e performance impecável. Veteranos do PS4 vão sentir que o pacote é difícil de justificar. as melhorias visuais são sutis, e as adições de QoL poderiam ser patch. Se você valoriza roteiro e personagens acima de gráficos de ponta, Berseria continua imperdível.

Prós

  • Uma das melhores narrativas da série Tales, com protagonista carismática e anti-heroína
  • Elenco de suporte forte com diálogos bem escritos nos skits
  • Desempenho excelente no PS5: 4K, 60 FPS, carregamentos quase instantâneos
  • Melhorias de qualidade de vida: Grade Shop inicial, marcadores, toggle de encontros
  • Legendas em português brasileiro e todo o DLC original incluso

Contras

  • Remaster visualmente discreto: pouca diferença para o original, texturas popping
  • Sistema de Soul Gauge pode soar restritivo e repetitivo em longas sessões

Uma protagonista que carrega o jogo nas costas

Velvet Crowe não é a típica heroína de JRPG. Ela acorda acorrentada em uma masmorra, o braço esquerdo transformado em uma garra demoníaca. O trauma que a levou ali é violento, e a partir daí cada passo dela é guiado por vingança contra o homem que destruiu sua vida. O que torna a narrativa tão envolvente não é só o plot, mas como as relações se constroem ao redor dela. Magilou aparece com piadas macabras em momentos tensos, e você nunca sabe se ela está brincando ou tramando algo. Rokurou busca um duelo final que pode custar sua vida, e Eleanor representa a voz da razão que aos poucos se corrompe. Os skits, aquelas conversas opcionais entre o grupo, são essenciais: humanizam a jornada e dão camadas que a campanha principal nem sempre tem tempo de mostrar.

Combate: fluido ou frustrante?

O combate de Berseria é feito de contrastes. Quando você entende o Soul Gauge, o jogo abre um leque de possibilidades: cada golpe conectado recarrega almas, e gastá-las no Break Soul desencadeia ataques especiais únicos de cada personagem. Na primeira vez que você usa o Break Soul de Velvet, drenando almas, a tela treme e o dano dispara. É visceral. A dança de esquivar, atacar e gerenciar recursos pode ser eletrizante, especialmente contra chefes que exigem atenção. Mas a curva de aprendizado é ingrata. As primeiras horas são punitivas porque o Soul Gauge seca rápido e a recarga depende de acertos ou esquivas perfeitas. Em dungeons longas, a repetição de inimigos comuns cansa, e o sistema não oferece variedade tática fora da troca de personagens. Além disso, a progressão de equipamento é fraca: você encontra armaduras com nomes quase idênticos e bônus mínimos, o que tira a motivação de explorar cada baú. É um combate que brilha em momentos específicos, mas que exige paciência para alcançar o ápice.

Vale a pena no PS5?

Para quem nunca jogou, a versão de PS5 é a mais confortável: 60 FPS, carregamento instantâneo, e o Grade Shop inicial que elimina o grind chato. Você ajusta a dificuldade e acelera o progresso sem gastar horas repetindo inimigos. Veteranos do PS4 vão sentir que o pacote é difícil de justificar: as melhorias visuais são sutis, e as adições de QoL poderiam ser patch. A decisão se resume a quanto você valoriza a narrativa e o desempenho polido. Se Berseria está na sua lista de pendências, não hesite. Se já viveu essa vingança antes, avalie se as melhorias justificam o investimento.

Perguntas frequentes sobre review Tales of Berseria PlayStation 5

Tales of Berseria Remastered tem diferenças grandes para o original?

As mudanças são mais de qualidade de vida do que visuais. Você ganha Grade Shop desde o início, marcadores de destino, toggle de encontros e carregamento muito mais rápido. Graficamente, o salto é pequeno: texturas levemente melhores, mas ainda parece um jogo de PS4 rodando a 4K.

A história de Berseria é boa mesmo?

É considerada uma das melhores narrativas da série Tales. Velvet Crowe é uma protagonista anti-heroína complexa, e o elenco de apoio é memorável. O tom é mais sombrio e maduro que a média dos JRPGs, com temas de vingança e perda bem trabalhados.

Quanto tempo leva para zerar Tales of Berseria?

A campanha principal leva em média 44 horas. Para fazer tudo, incluindo side quests, EX dungeon e platina, prepare-se para mais de 150 horas. O jogo tem 51 troféus, sendo um de platina.

O combate é muito difícil?

A curva de aprendizado é íngreme. O sistema de Soul Gauge exige gerenciamento de recursos e timing para esquivar. Depois que você pega o jeito, fica fluido e recompensador, mas as primeiras horas podem ser frustrantes. Dá para ajustar a dificuldade com o Grade Shop.

Esse remaster vale a pena para quem já jogou o original?

Depende. Se você é fã da história e quer reviver com melhor performance e legendas em português, talvez valha. Mas as melhorias visuais são tímidas, e o preço de lançamento pode soar alto. Quem busca algo novo no combate ou gráficos vai se decepcionar.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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