Você posiciona seu mago em um platô, achando que está seguro. No turno do arqueiro inimigo, uma flecha cruza o mapa e leva seu curandeiro. Três turnos depois, você está sem party. É aí que o Chariot Tarot entra: você volta no tempo, ajusta o movimento e salva a batalha. Tactics Ogre: Reborn é feito desses momentos. de erro, correção e aprendizado.
A Square Enix não trouxe de volta um remaster qualquer. Este é um dos SRPGs mais influentes, com uma narrativa política que não subestima ninguém. A história de Denam Pavel nas Ilhas Valerianas é densa, com facções que não têm heróis. O combate em grid exige que você pense como um general, não como um jogador de ação. E tudo isso sem legendas em português. É exigente, mas para quem encara, a recompensa é um dos jogos mais recompensadores do gênero.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Se você é fã de SRPGs (como Final Fantasy Tactics, Fire Emblem: Three Houses), a profundidade tática e a narrativa ramificada vão te sugar por dezenas de horas.
- A falta de localização em português é um ponto crítico: todo o texto está em inglês ou japonês, então fluência no idioma é praticamente obrigatória para aproveitar a trama.
- A curva de dificuldade é ingreme mesmo para veteranos. Se você prefere jogos mais relaxados ou com menos punição, talvez estranhe o permadeath (reviver em 3 turnos) e a necessidade de planejar cada movimento.
- O conteúdo é vasto: mais de 50 horas só na campanha principal, três caminhos narrativos e uma masmorra de 100 andares. O custo por hora de diversão é baixo para quem mergulha de cabeça.
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Denam Pavel e sua irmã Catiua fogem de uma emboscada. Você escolhe a rota: proteger os aldeões ou avançar para o castelo. Não há resposta certa. Cada decisão fecha portas e abre feridas. Tactics Ogre: Reborn é um daqueles jogos que trata suas escolhas com seriedade. e cobra por elas. O sistema de classes é o motor do combate. Com Class Marks, um guerreiro vira cavaleiro, um mago vira feiticeiro. A afinidade elemental entre unidades ativa ataques combinados, e a IA inimiga flanqueia, foca em curandeiros, usa o relevo. Cada batalha é um quebra-cabeça onde uma peça fora do lugar custa uma unidade. a menos que o Chariot Tarot desfaça os últimos cinquenta turnos. E você vai usar essa ferramenta, porque errar posicionamento no grid é comum. O level cap por segmento impede que você simplesmente treine até ficar invencível. As cartas de atributo que nascem no campo dão bônus temporários, mas geram corrida: quem pega primeiro? É um sistema que irrita alguns, mas injeta urgência em cada confronto. E quando a trilha orquestral de Hitoshi Sakimoto explode no momento certo, você esquece os defeitos. Os gráficos, porém, são o calcanhar de Aquiles. Sprites retocados mas borrados, cenários que não impressionam. No PS5, 60 FPS sólidos e carregamento rápido, mas sem uso criativo do DualSense. E a ausência de localização em português dói: a trama política perde camadas sem entender nuances dos diálogos. Ainda assim, para quem ama SRPG, este é um dos melhores do mercado. A campanha principal rende mais de 50 horas, com três caminhos, dezenas de classes e a masmorra Palace of the Dead de 100 andares. É denso, punitivo e glorioso.
Prós
- Narrativa política madura, com moralidade cinza e escolhas que realmente impactam o rumo da história.
- Combate tático profundo: grid, altura, classes, afinidade elemental e IA melhorada.
- Trilha sonora orquestral de Hitoshi Sakimoto é um espetáculo à parte.
- Alto valor de replay com três caminhos narrativos, dezenas de classes e personagens secretos.
- Melhorias de qualidade de vida: Chariot Tarot (desfazer ações), autosave e level cap que reduz grind excessivo.
Contras
- Gráficos datados: sprites com filtro borrado e cenários simples que não impressionam.
- Sem localização para português: todo o texto está em inglês ou japonês.
Quando não existe lado certo
Logo na primeira grande escolha, você decide entre apoiar os Bakram ou os Galgastani. Não há diálogo que aponte o caminho moral. Os dois lados cometeram atrocidades. A trama, inspirada em guerras reais como a da Iugoslávia, joga você num pântano de cinzas. Cada decisão reverbera, e um aliado pode virar inimigo capítulos depois. O roteiro de Yasumi Matsuno é denso, cheio de termos políticos e nomes de lugares. A falta de português exige que você preste atenção redobrada. Mas quando você entende que sua escolha condenou um personagem querido, a imersão é brutal. É uma história que fica na cabeça, cutucando sua consciência.
Um xadrez onde cada peça importa
O grid é o mapa da batalha, e cada quadrado pode ser um abrigo ou uma armadilha. A altura define alcances, o terreno atrapalha movimentos. Você vê a formação inimiga com a habilidade Scout, mas nem assim a vitória é garantida. A IA melhora em relação ao original: ela flanqueia, mira em curandeiros, usa feitiços de área. Um erro de posicionamento e seu tank morre, e com ele a batalha. O Chariot Tarot desfaz ações, mas você sente o peso de ter errado. As cartas de atributo, que dropam aleatoriamente, podem virar o jogo. ou entregá-lo ao inimigo. É um sistema que gera discussão, mas quebra a monotonia. E o level cap impede o grind infinito: você precisa pensar, não treinar. O resultado é um combate que nunca dorme.
Para o jogador brasileiro: o que esperar
O maior inimigo é o idioma. Sem legendas, você depende do seu inglês ou japonês para entender a trama. Dá para jogar e se divertir, mas a profundidade política se perde. No PS5, o jogo roda a 60 FPS sólidos, carrega rápido, mas não surpreende no uso do controle. É estável, ponto. Se você gosta de desafio e tem paciência para aprender sistemas, Tactics Ogre: Reborn entrega um dos SRPGs mais completos já feitos. Se você prefere algo mais acessível ou visualmente deslumbrante, talvez não seja agora. Mas para quem busca uma experiência que exige e recompensa, não tem erro.
Perguntas frequentes sobre review Tactics Ogre: Reborn PlayStation 5
Tactics Ogre: Reborn tem localização em português?
Não. O jogo possui textos apenas em inglês e japonês, com dublagem opcional nos dois idiomas. A falta de legendas em português é uma das maiores críticas para o público brasileiro.
O jogo é muito difícil?
Sim, a curva de dificuldade é ingreme, especialmente para novatos no gênero. O permadeath (se não reviver em três turnos) e o level cap por segmento exigem planejamento constante. O Chariot Tarot ajuda a desfazer erros, mas não elimina o desafio.
Quanto tempo dura a campanha?
A campanha principal leva cerca de 54 horas. Para completar todo o conteúdo incluindo os três caminhos narrativos, a masmorra Palace of the Dead e todos os finais, espere mais de 90 horas.
Vale a pena para quem nunca jogou Tactics Ogre antes?
Sim, desde que você esteja preparado para um SRPG denso e desafiador. O jogo explica bem seus sistemas, mas a falta de português e a dificuldade podem ser barreiras. Fãs de Final Fantasy Tactics ou Fire Emblem vão se sentir em casa.
Quais as principais diferenças para o original de 1995?
Além de gráficos retocados e trilha orquestrada, Reborn adiciona IA melhorada, Chariot Tarot para desfazer ações, level cap para reduzir grind, cartas de atributo no campo e dublagem completa. O sistema de classes foi simplificado em alguns aspectos, mas a essência permanece.
