Review Suikoden I & II HD Remaster: dois clássicos do JRPG em um pacote nostálgico

Você está no castelo imperial, os gráficos em HD dão nova vida às paredes de pedra. Mas os sprites dos personagens continuam pixelados. como se duas épocas se encontrassem. Suikoden I & II HD Remaster é isso: um abraço na nostalgia com um pé no passado.

Inspirada no romance chinês A Margem da Água, a série sempre foi sobre pessoas: recrutar, perder, trair e liderar. Agora, a Konami reuniu os dois primeiros capítulos num remaster que chega em março de 2025 para Nintendo Switch, PS4, PS5, Xbox e PC. A proposta é simples. pegar dois jogos lendários e dar a eles um banho de loja sem perder a alma.

Testei a versão de Switch, aquela que cabe na mochila. E é lá que a experiência mais brilha: deitar no sofá e recrutar mais um personagem enquanto a TV está ocupada é um conforto que o original não tinha. Mas também é onde as limitações aparecem. 30 FPS, sprites que destoam, e nenhuma palavra em português.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Prepare-se para mecânicas dos anos 90: encontros aleatórios, inventário por personagem (caótico) e nenhum quest log. Se você curte JRPG moderno com seta no chão, vai estranhar.
  • A história é o coração. Se valoriza narrativa política com traições e personagens marcantes, vai se apaixonar. Suikoden II, em especial, é aula de roteiro.
  • Não há tradução para português. O texto está em inglês ou japonês. É essencial ter um bom entendimento do idioma para aproveitar.
  • São dois jogos completos: Suikoden I leva de 20 a 25 horas, o II de 30 a 45. Se quiser recrutar todos os 108 de cada, some mais umas horas.

1. Suikoden I & II HD Remaster: clássicos do JRPG repaginados

Você abre o jogo no Switch e vê a cidade de Gregminster em HD. Os fundos ganharam detalhes que antes eram borrões, os retratos dos personagens foram redesenhados por Junko Kawano. está bonito. Mas os sprites continuam os mesmos de 1995, e o contraste incomoda. Felizmente, a alma está intacta. Em Suikoden I, você é Tir McDohl, filho de um general que se rebela contra o império. É uma campanha direta, com um vilão genérico, mas que serve de porta de entrada. Já Suikoden II é outro nível. A história de Riou e Jowy, a ascensão do brutal Luca Blight, as escolhas que ecoam até o final. é um dos roteiros mais bem construídos do gênero. A cena em que Luca Blight mostra sua crueldade é de gelar a espinha. E o duelo contra ele? Uma das melhores batalhas 1v1 que já vi. O combate é por turnos, com até seis personagens divididos em alcances (frente/trás). Runas funcionam como magias, e ataques combinados 'Unite' dão um show quando você encontra a dupla certa. As batalhas de guerra em Suikoden II são um mini-RTS que quebra o ritmo de forma inteligente. A remasterização adiciona fast-forward (2x ou 4x), auto-save (raros, salvem manualmente), conversation log e três dificuldades: Easy, Normal e Hard. O modo Easy é uma mão na roda para quem só quer sentir a história. O grande pecado? A ausência total de legendas em português. O mercado brasileiro fica de fora, e isso limita muito o público. Além disso, os sprites dos personagens não foram refeitos. eles destoam dos fundos HD. O auto-save é raro, e o sistema de inventário por personagem continua caótico. Para quem não tem nostalgia, a falta de um quest log ou objetivos claros pode frustrar. Mas, para fãs do gênero, é uma viagem no tempo que compensa cada minuto.

Prós

  • Suikoden II é uma obra-prima da narrativa em RPGs
  • Recrutar 108 personagens em cada jogo é viciante e recompensador
  • Melhorias visuais respeitosas: fundos HD, novos retratos, efeitos de batalha repaginados
  • Funcionalidades de qualidade de vida (fast-forward, conversation log) ajudam na fluidez

Contras

  • Sem localização em português: texto apenas em inglês/japonês
  • Sprites de personagens não foram refeitos, gerando contraste visual

A força da narrativa e do recrutamento

Recrutar um cozinheiro que abre uma nova ala no castelo. Encontrar o bardo que toca uma música triste. Cada um dos 108 recrutáveis tem um background, uma utilidade e, às vezes, uma cutscene que te faz querer proteger aquele personagem. O castelo cresce conforme você avança: novos cômodos, novas lojas, novos minigames. Em Suikoden II, há até pesca. A trama política é o motor. No primeiro jogo, você tira um império do poder; no segundo, a guerra entre nações vizinhas coloca amigos em lados opostos. A cena em que Luca Blight mostra sua crueldade é de gelar a espinha. E a traição de Jowy? O final de Suikoden II, com aquela escolha que ecoa por todo o game, é de amarrar o coração. Para quem veio de jogos modernos, o ritmo pode estranhar. Você vai andar por mapas, encontrar inimigos aleatoriamente, falar com NPCs para descobrir o próximo passo. não há seta no chão. Mas, se você se entregar, a recompensa é uma das experiências mais humanas que os JRPGs já produziram.

Remasterização: acertos e tropeços

A Konami não refez os jogos do zero. Os sprites continuam os mesmos de 1995 e 1998, com algumas melhorias nas animações (Tir agora corre melhor). Os fundos foram refeitos em alta definição, e os retratos ganharam traços novos pela mão da designer original Junko Kawano. O resultado é bonito quando visto de longe, mas de perto a diferença entre pixel e HD grita. Os efeitos sonoros e a trilha foram remasterizados, e isso sim é um ponto alto. A música de abertura de Suikoden II ainda arrepia. As batalhas ganharam partículas e brilhos que não estavam no original. E o menu de opções permite acelerar os combates ou ativar o auto-battle. um alívio para farmar dinheiro. No Switch, o jogo roda a 30 quadros por segundo, estável. A portabilidade é um diferencial: deitar no sofá e recrutar mais um personagem enquanto a TV está ocupada é o tipo de conforto que o original não tinha. Só não espere 60 FPS ou resolução 4K aqui. Quem quiser isso, precisará partir para outras plataformas.

Perguntas frequentes sobre review Suikoden I & II HD Remaster Nintendo Switch

Suikoden I & II HD Remaster tem tradução para português?

Não. O jogo vem com textos em inglês e japonês. Não há legendas ou menus em português brasileiro.

Preciso jogar o primeiro para entender o segundo?

Não é obrigatório, mas há conexões e personagens que aparecem em ambos. Se você jogar na sequência, a experiência é mais rica.

Quanto tempo leva para zerar os dois jogos?

Suikoden I leva de 20 a 25 horas (ou um pouco mais se quiser todos os 108). Suikoden II fica entre 30 e 45 horas. No total, prepare-se para umas 50 a 65 horas de campanha.

Vale a pena para quem nunca jogou a série?

Depende da sua paciência com mecânicas antigas. Se você curte JRPGs com foco em história e não se importa com encontros aleatórios, sim. Se prefere jogos mais modernos e com tutoriais claros, pode estranhar.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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