Review Suicide Squad: Kill the Justice League Deluxe Edition no PS5: vale o caos?

Metrópolis está um caos. Brainiac dominou a Liga da Justiça, e o Esquadrão Suicida recebe a missão mais absurda possível: matar Superman, Batman e companhia. A premissa já entrega o tom: irreverente, brutal e sem tempo para cerimônias. Suicide Squad: Kill the Justice League chega como o mais novo capítulo do universo Arkham, mas com uma pegada bem diferente dos jogos do Batman.

Desta vez, a Rocksteady abandona o combate corpo a corpo e aposta em um looter-shooter cooperativo em mundo aberto, com quatro anti-heróis cheios de personalidade. A Edição Deluxe para PS5 promete acesso antecipado e alguns extras cosméticos. Mas será que o jogo sustenta a proposta, ou o modelo live-service enterra o que poderia ser uma experiência memorável? Depois de passar um tempo na pele de Arlequina, Pistoleiro, Capitão Bumerangue e Tubarão-Rei, fica claro que a resposta é um misto de acertos e tropeços.

A escrita dos personagens salta aos olhos desde o primeiro diálogo. Os roteiristas da Rocksteady ainda sabem usar humor negro e timing dramático. O problema? Entre uma cena excelente e outra, o jogo insiste em repetir a mesma fórmula de missões até o cansaço. E aí o tiro sai pela culatra.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Entenda o gênero: é um looter-shooter cooperativo, não um action-adventure linear como os Arkham. Se você esperava combate corpo a corpo no estilo Arkham, vai estranhar.
  • Aceite o modelo live-service: missões repetitivas, grind e atualizações sazonais são parte do pacote. Se a ideia de farmeria te desanima, passe longe.
  • Conexão com a internet é obrigatória mesmo no single-player. pelo menos no lançamento. Um ponto que incomoda quem quer jogar sem depender de servidor.
  • A Edição Deluxe oferece apenas cosméticos e acesso antecipado. Vale mais a versão padrão, a menos que você seja fã de carteirinha.

1. Suicide Squad: Kill the Justice League Deluxe Edition – PlayStation 5

Suicide Squad: Kill the Justice League é um prato cheio para quem ama o universo Arkham e quer um cooperativo descompromissado. A história prende, os personagens são carismáticos e a travessia de Metrópolis é viciante depois que você pega o jeito. Arlequina balançando entre prédios enquanto troca farpas com o Pistoleiro é puro entretenimento. O grande problema mora na repetição. As missões seguem sempre o mesmo esqueleto: vá até o ponto, mate tudo que se mexe, proteja o alvo, escolte o NPC. O combate até diverte no começo, mas depois de algumas horas a falta de variedade cansa. Os chefes contra a Liga da Justiça são épicos e quebram a monotonia, mas são raros. O endgame é raso e o modelo live-service parece empurrado, com battle pass e microtransações que não combinam com o legado da Rocksteady. Tecnicamente, o jogo é um espetáculo: gráficos de ponta, animações faciais de cinema e uso competente do DualSense (feedback tátil, gatilhos adaptáveis). No PS5, roda liso e carrega rápido. Mas a obrigatoriedade do online mancha a experiência. A Edição Deluxe custa caro e entrega apenas itens cosméticos e acesso antecipado. para a maioria, a versão padrão é mais sensata. No fim, o jogo é um 'sim com ressalvas': ótimo para fãs do Esquadrão Suicida que topam o grind, frustrante para quem espera a densidade de um Arkham.

Prós

  • Personagens carismáticos com diálogos afiados e humor negro na medida
  • Travessia única por herói: balanço, jetpack, teleporte e força bruta são divertidos de dominar
  • História bem amarrada ao universo Arkham, com cenas cinematográficas de alto nível
  • Gráficos e animações faciais impressionantes, especialmente nas cutscenes

Contras

  • Missões extremamente repetitivas que quebram o ritmo narrativo
  • Modelo live-service forçado com battle pass e microtransações que não agregam

Jogabilidade e travessia: o ponto alto e o tropeço

Cada personagem se move de um jeito. Arlequina usa o gancho e plana como o Batman, mas com menos precisão e mais piada. O Pistoleiro decola com um jetpack, o Capitão Bumerangue se teletransporta com a manopla da Força Acelerada, e o Tubarão-Rei simplesmente salta e esmaga tudo. Aprender cada estilo leva um tempo, mas depois de algumas horas você voa pelos prédios de Metrópolis com naturalidade. É a melhor parte do jogo.

O combate mescla tiros, habilidades especiais e afinidades como congelamento e fúria. A árvore de habilidades permite ajustar cada personagem, mas não engana quem busca um RPG robusto. O problema? Independente de quem você controla, as missões repetem o mesmo esqueleto: mate um bando de soldados genéricos, proteja um ponto, escolte um aliado. A variedade de inimigos é baixa e, depois de cinco horas, a sensação de déjà vu é forte.

As boss fights contra a Liga da Justiça, por outro lado, são o oposto. Cada embate contra Superman, Flash ou Batman tem mecânicas únicas e exige estratégia. É nesses momentos que o jogo mostra seu potencial. Mas são raros e, quando você termina a campanha, o endgame se resume a repetir variações das mesmas missões com modificadores de dificuldade. A promessa de temporadas com novos personagens (como o Coringa) veio, mas não segurou o interesse por muito tempo.

História e ambientação: o coração do jogo

Narrativa sempre foi o ponto forte da Rocksteady. Aqui, cinco anos após Arkham Knight, a equipe reúne o Esquadrão Suicida sob o comando de Amanda Waller para uma missão suicida: eliminar a Liga da Justiça, agora controlada por Brainiac. O roteiro amarra referências aos jogos anteriores com novidades, e insere momentos de tensão genuína. como aquele silêncio antes de executar um herói. A morte de heróis icônicos é polêmica, mas tratada com o peso que merece, especialmente a despedida de Batman, dublado pelo saudoso Kevin Conroy.

Metrópolis é enorme, duas vezes maior que a Gotham de Arkham Knight, e cheia de detalhes. O problema é que o mundo aberto não convida à exploração: os pontos de interesse são basicamente as mesmas missões repetitivas. As side quests, como os quebra-cabeças do Charada (sim, ele voltou), são boas distrações, mas não salvam a sensação de vazio. Os gráficos e a direção de arte, no entanto, são de encher os olhos. No PS5, o jogo roda liso, com carregamentos rápidos graças ao SSD.

As atuações de voz são um show à parte. Kevin Conroy, Tara Strong (Arlequina) e Joe Seanoa (Tubarão-Rei) entregam performances que elevam o material. O humor ácido e as provocações entre os personagens funcionam bem, e você realmente se importa com aqueles anti-heróis. Um momento exemplar: durante uma escolta, o Pistoleiro e o Tubarão-Rei trocam farpas que revelam suas motivações, transformando uma missão banal em algo memorável. Se a jogabilidade estivesse à altura da narrativa, estaríamos falando de um clássico. Infelizmente, o descompasso entre a história envolvente e o gameplay repetitivo é grande demais.

Perguntas frequentes sobre review Suicide Squad: Kill the Justice League Deluxe Edition PlayStation 5

Preciso jogar os Batman: Arkham antes?

Ajuda, mas não é obrigatório. A história se passa cinco anos após Arkham Knight e tem referências, mas o jogo contextualiza bem o suficiente para novos jogadores.

A Edição Deluxe vale o custo extra?

Geralmente não. Ela inclui apenas itens cosméticos (roupas clássicas, da Liga da Justiça) e acesso antecipado de 72 horas. Se você quer economizar, a versão padrão oferece a mesma experiência central.

O jogo tem modo cooperativo local?

Não. O cooperativo é online para até quatro jogadores. Dá para jogar solo com o time controlado por IA, mas a experiência foi feita para o multiplayer.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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