Steelrising: bailando com autômatos nas ruas da Revolução Francesa

As primeiras ruas de paralelepípedos de Paris, 1789, já entregam o diferencial: aqui não há castelos medievais. há autômatos patrulhando becos, uma catedral que se torna arena vertical e uma bailarina mecânica como protagonista. Steelrising não reinventa o soulslike, mas ousa trocar o tom cinza por dourado e ferro. Controlar Aegis, uma autômato criada para proteger Maria Antonieta, é uma premissa tão estranha quanto hipnotizante.

A Spiders, estúdio conhecido por jogos ambiciosos com orçamento apertado, acerta ao criar um mundo visualmente distinto. O Modo Assistente, que permite ajustar dano recebido e perda de XP, é um dos maiores acertos para quem acha a fórmula FromSoftware intimidadora. Mas o pacote vem com arestas: o combate sofre com input lag, o level design é cheio de paredes invisíveis, e o polimento técnico fica devendo. Mão na massa. ou melhor, nas engrenagens.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Steelrising é um soulslike com foco em agressividade e esquivas rápidas, sem rolagem. semelhante a Bloodborne.
  • O Modo Assistente permite reduzir a dificuldade de forma granular, mas desabilita troféus/conquistas.
  • A campanha principal leva cerca de 15 horas, com até 30 horas para quem faz tudo.
  • Não há multiplayer; a experiência é 100% single player.

1. Steelrising (PS5). soulslike steampunk da Spiders

Paris nunca esteve tão perigosa. e tão bonita. A ambientação é o maior trunfo: telhados que você alcança com o gancho, ruas apertadas e interiores luxuosos que nenhum outro soulslike mostrou. Aegis, a protagonista autômato, tem um visual elegante que contrasta com a brutalidade dos Titãs. A história é mais direta que a média, dá para entender sem ler descrições de item por horas. os diálogos com Maria Antonieta e Lafayette têm um clima de conspiração que funciona. O combate é o coração do jogo, e a Spiders acertou em várias frentes. O sistema de superaquecimento substitui a stamina: cada ação aquece o mecanismo, e deixar a barra encher demais congela Aegis, deixando-a vulnerável. Isso força um ritmo agressivo mas controlado, com pausas para resfriar. As armas são o grande destaque: nove tipos base, cada um com um golpe especial. um leque que vira escudo, um rifle alquímico, uma dupla de espadas para combos rápidos. A troca entre duas armas é fluida e estimula experimentação. O Modo Assistente merece destaque. Ajustar dano, perda de XP e velocidade de resfriamento individualmente torna o jogo acessível para quem quer explorar a história sem a frustração típica do gênero. Mas ativar qualquer opção desabilita troféus. compreensível, mas frustrante para caçadores de platina. Para quem busca desafio justo, o jogo base já é mais perdoável que Dark Souls, mas ainda exige aprender padrões. Onde Steelrising tropeça é no acabamento. Gráficos datados, com texturas pobres e pop-in de objetos. O level design é linear e repleto de paredes invisíveis, o que contrasta com a promessa de exploração vertical. Os chefes, os Titãs, têm conceitos legais mas repetem mecânicas e falta carisma. A falta de um mapa detalhado faz com que você se perca com frequência, mesmo com a bússola. No fim, Steelrising é um soulslike de nicho. Não compete com Elden Ring ou Bloodborne em escopo ou polimento, mas entrega uma experiência única para quem valoriza ambientação e acessibilidade. Se a premissa da Revolução Francesa com robôs te atrai e você quer um combate ágil com opções de dificuldade, é uma compra segura. Só vá preparado para alguns percalços técnicos.

Prós

  • Cenário alternativo criativo e bem realizado
  • Grande variedade de armas que mudam o estilo de luta
  • Modo Assistente excelente para acessibilidade

Contras

  • Problemas técnicos frequentes (pop-in, bugs, quedas de quadros)
  • Chefes repetitivos e pouco memoráveis

Combate e mecânicas de superaquecimento

Esquiva, ataque, e o medidor de calor sobe. Deixar a barra encher demais significa congelar. e morrer. O sistema substitui a stamina tradicional e incentiva agressividade controlada. Cada arma tem um golpe especial que consome calor, e a troca entre duas permite adaptar o estilo. A variedade é o grande acerto: mais de quarenta variações, desde rifles alquímicos a leques-escudo, cada uma com movesets distintos. A imobilização adiciona uma camada tática ao acumular dano para um golpe crítico. Mas o combate sofre com input lag e impossibilidade de cancelar ataques, o que frustra nos momentos tensos. Quando funciona, é fluido e visceral; quando não, parece que Aegis está lutando contra o próprio motor.

Ambientação e narrativa

Paris 1789: a cidade é a personagem principal. A direção de arte steampunk dá personalidade a cada beco, e a exploração vertical recompensa quem usa o gancho sem medo. A história é mais direta do que a média dos soulslikes, com diálogos que explicam a trama. um alívio para quem não quer ler textões. Aegis, mesmo robô, tem decisões que afetam o rumo dos eventos. A trilha sonora épica eleva os momentos de boss, mas os modelos humanos são fracos e as expressões faciais beiram o constrangedor. Andar por Notre-Dame ou pelos becos com autômatos inimigos baseados em profissões do século XVIII (lenhadores, açougueiros) é um deleite para fãs de história alternativa. No entanto, a falta de um mapa detalhado e as paredes invisíveis quebram a imersão repetidamente.

Modo Assistente e público ideal

O Modo Assistente é a cereja do bolo para quem nunca encarou um soulslike. Ajustar dano recebido, perda de XP e velocidade de resfriamento transforma Steelrising em um jogo de ação acessível. Mas tem um preço: sem troféus, caçadores de platina vão torcer o nariz. Para veteranos, o jogo pode parecer fácil e derivado, mas para quem busca uma porta de entrada menos punitiva, é uma excelente opção. A variedade de classes e armas garante replay, já que cada estilo muda a abordagem. Se você já jogou todos os soulslikes do mercado, talvez sinta falta de desafio e polimento. Mas se a premissa te atrai e você quer uma experiência mais tranquila, Steelrising entrega exatamente o que promete: uma aventura parisiense com robôs, sem o peso de perder horas de progresso.

Perguntas frequentes sobre review Steelrising () PlayStation 5

Steelrising tem modo multiplayer?

Não. É uma experiência exclusivamente single player, sem qualquer componente cooperativo ou competitivo.

Quanto tempo dura a campanha de Steelrising?

A história principal leva entre 15 e 20 horas. Com missões secundárias e exploração completa, pode chegar a 30 horas.

O Modo Assistente desabilita troféus?

Sim. Ao ativar qualquer ajuste de dificuldade no Modo Assistente, os troféus e conquistas são desabilitados para aquela sessão.

Steelrising é mais fácil que Dark Souls?

Em geral, sim, especialmente com o Modo Assistente desligado, a dificuldade é mais perdoável. Mas ainda exige paciência e aprendizado de padrões.

Nossas recomendações ajudaram você a escolher?

Conheça nossos especialistas

Especialista editorial

Especialista editorial

Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

Equipe de redação

O Quarto Nerd

Produção de conteúdo baseada em análise independente, curadoria especializada e comparação de produtos para apoiar decisões de compra mais claras.

Artigos relacionados

O que você está procurando?

Digite pelo menos 3 caracteres para começar a busca.