Ringo, uma IA vestida como uma agente noturna, cutuca um terminal holográfico. Ao lado, Figue analisa dados de invocadores. Essa imagem cyberpunk abre Soul Hackers 2. e imediatamente o jogo te avisa: aqui vamos falar sobre humanidade, tecnologia e laços. A história te coloca na pele dessa dupla artificial, recrutando quatro humanos marcados pelo apocalipse iminente. O carisma do elenco é o gatilho que te mantém vidrado. Mas a caminhada até o fim da linha repete cenários demais.
As conversas no bar, os dilemas de Arrow e as provocações de Saizo constroem uma equipe que você quer abraçar. É o coração do jogo. O problema é o corpo: dungeons que parecem cópias umas das outras, com corredores idênticos e inimigos que se repetem. Quem busca uma jornada mais enxuta, com foco em personagens, vai encontrar aqui um prato cheio. Quem espera a diversidade visual de Persona 5 ou a profundidade tática de Shin Megami Tensei V pode sair frustrado.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Se você ama JRPGs que priorizam desenvolvimento de elenco e diálogos filosóficos, Soul Hackers 2 entrega isso de forma consistente.
- Por outro lado, se level design criativo e variedade de cenários são essenciais para você, o jogo pode cansar. as masmorras são repetitivas e lineares.
- A campanha principal dura entre 30 e 40 horas. Para completistas, o 100% chega perto de 70 horas, incluindo a Soul Matrix.
- Atenção: não há legendas em português. O idioma do jogo é inglês (texto e áudio).
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O primeiro Sabbath foi uma faísca: explorei fraquezas de um chefe, acumulei pilha e desferi um ataque devastador. A sensação é boa. O combate em turnos, com o Sabbath como carro-chefe, incentiva a troca de demônios e o teste de elementos. Mas a empolgação logo se acomoda. As dungeons são corredores genéricos, idênticos entre si. Você anda, luta, anda, e a paisagem não muda. A Soul Matrix, que deveria mergulhar no passado dos personagens, sofre do mesmo mal. O carisma de Ringo e sua equipe segura o interesse: as interações no bar, os Soul Links e os diálogos bem escritos constroem uma narrativa que prende. A trilha sonora, composta por Monaca (NieR), é um caso à parte. cada tema encaixa no clima cyberpunk. Visualmente, o estilo de Shirow Miwa é elegante. No entanto, a repetição corrói a experiência. Side quests genéricas e um DLC que tranca a dificuldade 'Muito Difícil' mancham o conjunto. Para quem quer um JRPG focado em personagens e com uma história que questiona o que é ser humano, Soul Hackers 2 vale as horas. Mas não espere inovação no combate ou level design inspirado.
Prós
- Elenco carismático com interações adultas e filosóficas
- Sistema Sabbath recompensador e dinâmico
- Trilha sonora marcante e design cyberpunk estiloso
- Porta de entrada acessível para a série Shin Megami Tensei
Contras
- Dungeons repetitivas e sem criatividade
- Side quests genéricas que parecem padding
Personagens e história: o coração do jogo
Ringo, Figue, Arrow, Milady, Saizo. Nomes que você grava. A trama coloca Ringo e Figue. inteligências artificiais criadas para evitar o apocalipse. recrutando invocadores com traumas e motivações próprias. As conversas no bar, os Hang Out Events e os Soul Links não são apenas mecânicas de vínculo: são o palco para reflexões sobre propósito, humanidade e moral. Arrow, um policial atormentado; Milady, uma mulher fria com passado de perdas; Saizo, um mercenário cínico. cada um tem seu arco e suas lições. A dublagem é boa e o texto, mesmo em inglês, carrega peso emocional. Só lamento a ausência de legendas em português: quem não domina o idioma perde nuances.
A Soul Matrix, dungeon opcional para cada personagem, revela memórias distorcidas e desbloqueia habilidades passivas. A ideia é boa, mas a execução sofre do mesmo problema do resto do jogo: corredores genéricos e inimigos reciclados. Ainda assim, quando Ringo e Figue discutem o que é ser humano, o jogo brilha.
Combate e progressão: Sabbath e Soul Matrix
O combate segue a tradição Atlus de explorar fraquezas, mas com um toque próprio. O Sabbath é o grande momento: cada acerto fraco soma uma pilha; no fim do turno, o grupo desfere um ataque devastador contra todos os inimigos. É uma dança que te recompensa por variar demônios e estratégias. Diferente de Persona, aqui os demônios viram equipamento: você os funde para herdar magias e atributos. O problema é que o sistema de fusão não mostra visualmente quais habilidades serão passadas. um passo atrás em relação a títulos anteriores. Você faz no escuro.
A progressão flui bem. A Soul Matrix, quando você a encara como conteúdo opcional, adiciona camadas aos personagens e te dá habilidades passivas úteis. Mas é difícil ignorar que as masmorras são cópias umas das outras: mesmas texturas, mesmas curvas, mesmas salas. A variedade de inimigos também não salva. O combate é sólido, mas o level design é um convite ao tédio.
Os pontos que incomodam: repetição e DLC
A repetição é o calcanhar de Aquiles. As dungeons se repetem tanto que você começa a ignorar a paisagem. Side quests? Buscar itens, derrotar monstros genéricos. Raramente uma missão quebra o padrão. Para um jogo de 2022, vindo da Atlus, é frustrante ver tanta falta de criatividade espacial.
E o DLC. A dificuldade 'Muito Difícil' trancada atrás de pagamento é uma decisão questionável. O arco Lost Numbers (cerca de 10 horas) deveria estar no jogo base. Isso gera uma impressão ruim, especialmente para quem paga o preço cheio. Dito isso, o jogo base é jogável e diverte por dezenas de horas. desde que você não espere inovação visual ou tática. É um JRPG honesto, mas não inovador.
Perguntas frequentes sobre review Soul Hackers 2 Launch Edition PlayStation 5
Soul Hackers 2 tem legendas em português?
Não. O jogo não possui suporte oficial para legendas em português do Brasil, apenas textos em inglês.
Qual a duração da campanha principal?
A história principal leva entre 30 e 40 horas, e o completismo pode chegar a 70 horas ou mais, dependendo do ritmo.
É necessário jogar os jogos anteriores da série?
Não. Soul Hackers 2 é uma história independente, ideal para novatos na franquia Devil Summoner.
O combate é parecido com Persona 5?
Há semelhanças, como a exploração de fraquezas, mas o Sabbath é um sistema próprio e os demônios funcionam como equipamento, não como aliados diretos.
Vale a pena comprar a Launch Edition?
A Launch Edition inclui o jogo base e alguns brindes. O conteúdo extra relevante está no DLC pago, então avalie se os itens cosméticos ou o arco Lost Numbers te interessam.
