Quando a Sega anunciou um Sonic em mundo aberto, a desconfiança foi quase automática. Afinal, o ouriço azul sempre foi sinônimo de velocidade em linha reta, correr até os anéis sumirem sem desviar do caminho. Mas Sonic Frontiers chega com uma proposta ousada: liberdade total para explorar ilhas enormes, um combate que finalmente tem peso e uma história que trata os personagens como algo além de caricaturas.
O risco compensou. Mesmo que o jogo tropece nos próprios pés em alguns momentos, como o pop-in de texturas agressivo e atividades que cansam na repetição, a sensação de correr por campos abertos, desviar de robôs e enfrentar Titãs colossais é algo que a série nunca entregou antes. É o Sonic mais corajoso em anos, e isso merece ser celebrado.
Fãs que esperavam uma evolução genuína vão encontrar aqui um presente. Quem busca polimento técnico pode se frustrar, mas o acerto de renovar a fórmula supera os escorregões.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Sonic Frontiers é um jogo de mundo aberto com foco em exploração e combate, diferente dos títulos lineares da série.
- A campanha principal leva entre 12 e 30 horas, dependendo do quanto você se dedica às atividades secundárias e colecionáveis. Para zerar 100%, prepare-se para mais de 30 horas.
- O jogo tem dublagem e legendas em português do Brasil, um marco que facilita a imersão.
- No PS5, o modo desempenho roda a 60 fps estáveis em 4K, é o jeito certo de jogar. O modo qualidade (30 fps) oferece resolução maior, mas a fluidez vale mais.
- Se a repetição de tarefas ou problemas técnicos como pop-in te incomodam, talvez seja melhor esperar uma atualização.
- O combate é mais profundo que nos jogos anteriores, mas continua acessível. Veteranos podem achar fácil demais.
1. Sonic Frontiers – PlayStation 5: mundo aberto, combate renovado e nostalgia
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Sonic Frontiers é a tentativa mais corajosa da Sonic Team em anos. Trocar corredores estreitos por ilhas abertas deu uma liberdade que a série nunca teve. Correr por campos floridos, escalar ruínas antigas e usar o Cyloop para resolver puzzles é revigorante. O combate evoluiu: combos, esquivas e parry dão profundidade, e as batalhas contra os Titãs são espetáculos que lembram jogos de ação japoneses. A história, escrita por Ian Flynn, traz momentos emocionantes para Sonic e seus amigos, algo raro na franquia. Mas problemas técnicos aparecem. O pop-in de texturas é agressivo nas áreas abertas. Atividades como pescaria e corrida de corda perdem a graça na terceira ilha. A física nas seções 2D é inconsistente, e o combate, embora divertido, não desafia jogadores experientes. Ainda assim, o conteúdo é generoso: cinco ilhas, dezenas de missões, fases Cyber Space que homenageiam os clássicos e um modo Arcade pós-game. Fãs de longa data vão se sentir em casa. Quem nunca se importou com o ouriço pode se surpreender, mas não é a porta de entrada ideal. No fim, o acerto de renovar a fórmula compensa os escorregões.
Prós
- Mundo aberto que renova a franquia e oferece liberdade de exploração
- Combate divertido com árvore de habilidades e movimentos variados
- História surpreendentemente madura e bem escrita
- Trilha sonora excepcional que casa com cada ilha
- Grande quantidade de conteúdo, com mais de 20 horas de campanha
Contras
- Problemas técnicos notáveis, como pop-in de texturas
- Atividades secundárias repetitivas, especialmente pescaria e corrida de corda
A liberdade que sempre faltou
Pisar na primeira ilha de Sonic Frontiers é um susto. O horizonte se abre, montanhas ao fundo, grama balançando. Você pode ir para qualquer lado. No começo, a velocidade padrão é baixa, parece que o ouriço está com preguiça. Mas assim que você coleta alguns Kocos e sobe os atributos, a coisa muda. Correr em alta velocidade por campos abertos, desviando de robôs e coletando anéis, com a câmera acompanhando a ação, é a melhor sensação que a série já proporcionou.
A progressão segue um ciclo claro: colete Memory Tokens para revelar o mapa, complete desafios para destravar portais, entre nas fases Cyber Space para pegar chaves e, finalmente, enfrente os gigantes Titãs para obter as Esmeraldas do Caos. As fases Cyber Space são uma carta de amor aos clássicos, como Green Hill, Chemical Plant e Sky Sanctuary, com objetivos variados que pedem mais que apenas chegar ao fim. É um casamento interessante entre o novo e o velho.
As cinco ilhas têm biomas distintos: campos floridos, florestas densas, ruínas antigas, desertos áridos. Cada uma tem sua própria identidade visual e sonora. A trilha sonora merece destaque, as músicas de fundo mudam sutilmente enquanto você explora, criando uma atmosfera que prende. Apesar do mundo aberto, o jogo consegue guiar o jogador sem tutorial chato. Você descobre as coisas no seu ritmo.
Combate que surpreende (e algumas arestas)
Depois de Sonic Generations e Forces, combate era só um adendo. Em Frontiers, ele é protagonista. Você tem socos, chutes, Homing Attack, esquiva, parry e o Cyloop, uma habilidade que cria um rastro de luz para dano em área, resolver puzzles ou farmar anéis. A árvore de habilidades permite customizar seu estilo, deixando o combate mais estratégico.
Os chefes Titãs são o ponto alto. São batalhas épicas em que Sonic se transforma em Super Sonic e enfrenta robôs colossais em meio a explosões e música empolgante. Lembra os melhores momentos de um jogo da PlatinumGames. Mas o resto dos inimigos, os Guardians e os robôs comuns, podem ser derrotados com poucos golpes. Para quem busca desafio, a dificuldade padrão é baixa. Além disso, as seções 2D que eventualmente aparecem têm uma física estranha, que não respeita o momentum clássico do Sonic.
Atividades secundárias como pescaria e corrida de corda são divertidas na primeira ilha, mas se repetem nas seguintes. A variedade de minichefes também não é grande, você vai enfrentar os mesmos modelos várias vezes. É o ponto onde o jogo perde um pouco do gás. Ainda assim, o loop principal de explorar, coletar e destravar se mantém viciante por dezenas de horas.
Vale o salto?
Sonic Frontiers não é um jogo perfeito. O pop-in de texturas chega a ser constrangedor em algumas áreas, você corre e o cenário aparece na sua frente como se estivesse carregando aos pedaços. O menu de navegação é confuso e alguns ângulos de câmera atrapalham nas seções mais fechadas. Mas a sensação geral é de um jogo que finalmente entendeu o que fazer com o ouriço em 3D: dar espaço para ele correr.
A história, com participação de Ian Flynn, tem momentos genuinamente emocionantes. A relação de Sonic com Sage, a IA criada pelo Eggman, adiciona camadas que vão além do "salvar o mundo" genérico. Os diálogos entre os personagens revelam um lado mais maduro da série, sem perder a leveza.
No PS5, o modo desempenho a 60 fps é o jeito certo de jogar, a fluidez transforma a exploração. Os carregamentos são praticamente instantâneos. Fãs de longa data vão se sentir em casa. Quem nunca se importou com o ouriço ainda pode se surpreender, mas não é a porta de entrada ideal. Mesmo assim, Frontiers é uma aventura sólida que vale a pena conhecer.
Perguntas frequentes sobre review Sonic Frontiers PlayStation 5
Quantas horas dura Sonic Frontiers?
A campanha principal leva entre 12 e 30 horas, dependendo do estilo de jogo. Para 100% dos colecionáveis e atividades, prepare-se de 30 a 50 horas.
Sonic Frontiers tem multiplayer?
Não, é um jogo estritamente single-player, sem modo cooperativo ou online.
O jogo roda a 60 fps no PS5?
Sim, o modo desempenho mantém 60 fps estáveis em 4K. Há também um modo qualidade a 30 fps com resolução superior.
Precisa jogar os anteriores para entender a história?
Não, a história é autossuficiente. Mas referências a jogos antigos agradam fãs de longa data.
