Acalmar o batimento cardíaco, ajustar a mira para compensar o vento e segurar a respiração. Sniper Elite 5 entende essa tensão e entrega o melhor tiro de elite da série. Mas depois de acertar aquele disparo de 300 metros, o jogo tropeça em coisas que a gente espera que funcionem melhor em 2022.
Lançado em maio de 2022 pela Rebellion, o quinto capítulo chega ao PS5 com mapas que pedem exploração e um novo modo Invasão que transforma cada missão num duelo de gato e rato. A proposta é ousada, mas a execução oscila entre brilhante e frustrante. Vamos ao que realmente importa.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Fãs de stealth tático vão se sentir em casa: mire, respire, e acerte a cabeça do oficial a 200 metros.
- A campanha pode ser jogada do começo ao fim com um amigo, o que dobra a diversão.
- O modo Invasão é opcional, mas quando ligado, cada passo vira um risco.
- Movimentação travada e IA imprevisível podem incomodar quem busca fluidez.
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Você é Karl Fairburne, atirador aliado na França de 1944, dias antes do Dia D. A missão é desmantelar a Operação Kraken, um plano nazista que promete virar a guerra. São nove missões em mapas abertos que gritam liberdade: escalar campanários, descer de tirolesa sobre rios, marcar inimigos com binóculos enquanto o vento sopra forte. A balística considera gravidade, vento e frequência cardíaca. Use o trovão para abafar um tiro, munição subsônica para sumir na neblina. Cada morte vem com um raio-X que mostra ossos estilhaçados e órgãos perfurados. Nas primeiras vezes, é de cair o queixo; depois de algumas dezenas, você só quer pular. As bancadas de trabalho são um achado: troque cano, coronha, mira, carregador. Monte um rifle fantasma com silenciador e munição subsônica, ou um cano longo para tiros de elite. A árvore de habilidades com três ramos (Combate, Equipamento, Corpo) permite especializar, mas dá para destravar tudo com paciência. Os mapas são o ponto alto: amplos, verticais, cheios de rotas. Lembram Hitman na liberdade, mas a navegação em interiores confunde. Os objetivos secundários se resumem a destruir tanques ou matar generais; repetitivos, mas dão recompensas. A história é descartável: diálogos secos, cutscenes mornas, Karl sem carisma. E a IA? Ora competente, ora patética: inimigos presos em paredes, alertas que somem do nada. O modo Invasão é a cereja: um jogador invade sua campanha como atirador nazista. Você nunca sabe quando ele vem. O coração acelera ao ouvir um tiro vindo de lugar nenhum. Pode desativar, mas perder a graça. O cooperativo para dois na campanha inteira é outro acerto: planejar flancos, curar e compartilhar itens. Ainda tem multiplayer de 16 jogadores e Sobrevivência para quatro. No PS5, o desempenho é estável, mas bugs de colisão e texturas irregulares aparecem. Sniper Elite 5 é o melhor da série para quem valoriza liberdade e modos online, mas a movimentação travada e os tropeços da IA impedem que seja obra-prima.
Prós
- Mapas grandes e variados com múltiplas abordagens
- Modo Invasão traz tensão e imprevisibilidade inéditas
- Customização de armas e árvore de habilidades incentivam exploração
- Cooperativo e multiplayer adicionam horas de diversão
Contras
- Movimentação travada e pouco fluida
- IA inimiga inconsistente, com bugs e comportamentos estranhos
A arte do tiro e da furtividade
Segurar a respiração, compensar o vento, ver a bala perfurar o capacete e o raio-X mostrar o estilhaçamento dos ossos. Esse é o auge de Sniper Elite 5. O jogo recompensa quem usa o ambiente: esconder corpos atrás de caixotes, usar o som de um gerador para abafar o disparo, esperar o momento em que o oficial se separa do comboio. A física de balística é generosa: a queda da bala é perceptível, e o vento pode desviar o tiro se você não compensar. Trovejou? Hora de atirar sem medo de ser ouvido. Mas a movimentação não acompanha. Saltar obstáculos e escalar parece travado, como se Karl estivesse com o freio de mão puxado. Em confrontos abertos, a mira perde precisão e a IA reage de forma bizarra: um soldado corre para seu esconderijo, outro fica parado encarando a parede. A árvore de habilidades e as bancadas de trabalho salvam: você pode montar um rifle silenciado para uma abordagem fantasma ou um cano longo para tiros de longa distância. Essa liberdade de estilo é o que segura a campanha.
Invasão e cooperativo: o melhor do jogo
O modo Invasão é a grande sacada. Você avança furtivamente quando, de repente, um tiro raspa sua orelha. Outro jogador invadiu seu jogo como um atirador nazista. Agora é um duelo: quem vê primeiro, atira. Você pode desativar, mas com ele ligado, cada esquina vira um risco. O coração acelera ao ouvir passos no rádio. O cooperativo na campanha inteira é outro acerto: você e um amigo podem planejar ataques, curar um ao outro, compartilhar itens. O ritmo fica mais tático e menos solitário. Além disso, o modo Sobrevivência para quatro e o multiplayer de 16 jogadores garantem horas extras. O problema? Os mapas multiplayer são grandes e às vezes vazios; você passa minutos andando até encontrar alguém. Mas, no geral, o pacote online é o mais completo da série.
Onde o jogo escorrega
Movimentação travada. O personagem parece pesado, demora a virar, escalar é estranho. Em um jogo que exige posicionamento rápido, isso frustra. A IA inimiga oscila: em alguns momentos, os soldados flanqueiam e usam cobertura; em outros, ficam parados olhando para o nada ou presos em geometria do cenário. A dificuldade Autêntico expõe ainda mais esses bugs. A história é o ponto mais fraco. Operação Kraken não sai do papel. Os diálogos são secos, as cutscenes sem graça e Karl Fairburne continua um protagonista sem carisma. As missões secundárias são repetitivas: destrua isso, mate aquele. Não acrescentam nada à narrativa. O kill cam, embora satisfatório, perde o impacto depois de algumas dezenas de repetições. Você só quer pular e seguir em frente.
Perguntas frequentes sobre review Sniper Elite 5 PlayStation 5
Sniper Elite 5 é melhor que o 4?
Nos mapas e modos, sim. Mas movimentação e IA não evoluíram muito. Fãs vão gostar, mas não espere uma revolução.
O modo Invasão atrapalha a campanha?
Pode ser desligado. Quando ativo, adiciona tensão, mas alguns podem achar intrusivo. Teste.
Vale a pena para quem nunca jogou a série?
Sim, se você curte stealth e sniping. Comece no Normal, aprenda a calcular vento e distância.
Quantas horas dura a campanha?
Principal: 10-12h. Completando tudo, passa de 30h.
O jogo tem bugs no PS5?
Sim, alguns: inimigos presos em paredes, paredes invisíveis. Nada que quebre, mas podem frustrar.
