Shin Megami Tensei V chegou em 2021 como um exclusivo de Switch que dividiu opiniões: o combate era gostoso, mas a história parecia incompleta e os cenários, repetitivos. Três anos depois, a Atlus ouviu as críticas e respondeu com Vengeance. Esta não é uma remasterização com DLC enfiados. É um jogo novo disfarçado de edição definitiva, com uma rota inteira inédita, mais de 40 demônios adicionais e um pacote de qualidade de vida que transforma a experiência.
Ligamos o PS5 e sentimos um JRPG que finalmente encontra seu tom. A abertura ainda arrepia: Tóquio em ruínas, o protagonista se fundindo com Aogami para se tornar o Nahobino. Mas agora existe uma escolha real no início: seguir o Cânone da Criação (a história original) ou embarcar no Cânone da Vingança, uma nova trama com personagens como Yoko Hiromine e o grupo Qadištu. Essa bifurcação não é enfeite: são mais de 70 horas de conteúdo extra, com reviravoltas que tornam o enredo muito mais coeso e interessante.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Shin Megami Tensei V: Vengeance é um JRPG de combate por turnos com foco em exploração, recrutamento e fusão de demônios.
- A versão analisada é a Launch Edition para PS5, que inclui o jogo em steelbook e dois conjuntos de DLC 'Sacred Treasure'.
- O jogo oferece duas rotas completas: Cânone da Criação (original) e Cânone da Vingança (nova). Ambas têm finais múltiplos e valem a pena.
- A localização em português brasileiro é completa e de qualidade, algo inédito na série principal de Shin Megami Tensei.
- A duração varia: cerca de 45 horas para uma rota focada, 70h com extras, e mais de 100h para quem quiser fazer tudo.
1. Shin Megami Tensei V: Vengeance (PS5). A redenção de um clássico moderno
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O coração de Vengeance ainda é o Press Turn: acertar uma fraqueza rende um turno extra, errar uma resistência custa dois. Parece simples, mas a profundidade vem das centenas de combinações de demônios, habilidades e estratégias que você pode montar. A Atlus refinou a fluidez: a exploração ganhou novos atalhos, os encontros consecutivos recompensam com bônus de EXP, e o save a qualquer momento elimina a frustração de perder progresso em uma masmorra. A grande novidade é o Cânone da Vingança. Diferente do original, onde a narrativa parecia um pano de fundo para o gameplay, aqui a história tem peso. Yoko Hiromine e o grupo Qadištu trazem conflitos reais, diálogos que realmente importam e um arco que se conecta melhor com a mitologia do jogo. É uma campanha que justifica a atenção sozinha. O conteúdo não para por aí: mais de 270 demônios para recrutar, fusões que permitem criar criaturas absurdamente fortes, o Demon Haunt para interagir com seus monstros e um Virtual Trainer para reenfrentar chefes. Para quem curte completismo, há New Game+, múltiplos finais e uma dificuldade Godborn que vai testar até os veteranos. Claro, nem tudo é perfeito. Os cenários, embora maiores e mais detalhados do que no Switch, ainda sofrem de repetição visual depois de dezenas de horas. A interface do usuário é funcional, mas falta o capricho de outros títulos da Atlus como Persona 3 Reload. O elenco humano, fora da nova rota, continua esquecível. São falhas pequenas diante do que Vengeance entrega. O desempenho no PS5 é sólido: frame rate consistente, carregamentos rápidos e visuais nítidos. A trilha sonora, com sua mistura de synth e orquestra, gruda na cabeça. Para quem nunca jogou SMT V, este é o ponto de entrada ideal. Para quem já zerou o original, a nova rota e as melhorias justificam uma segunda jornada. É um JRPG denso, punitivo e recompensador, que exige paciência mas devolve cada minuto investido.
Prós
- Combate Press Turn refinado, viciante e estratégico
- Nova rota (Cânone da Vingança) com mais de 70 horas de conteúdo e história melhor
- Melhorias de qualidade de vida: save anywhere, fast travel, auto-battle inteligente
- Localização completa em português brasileiro
- Mais de 270 demônios para recrutar e fundir, com 40 novos
- Performance sólida no PS5 com visuais nítidos e carregamento rápido
Contras
- Cenários repetitivos visualmente após muitas horas
- Interface simplória em comparação com outros JRPGs da Atlus
Combate Press Turn: a dança da estratégia
O combate não perdoa. Acertar uma fraqueza te dá um turno extra, errar uma resistência custa dois. Vengeance poliu essa mecânica até o osso. Agora é possível escolher a dificuldade, ativar auto-battle que mira fraquezas automaticamente e enfrentar ondas consecutivas de inimigos para ganhar bônus. Montar uma party equilibrada, com suporte, causador de dano e um demônio tanque, é recompensador. Chegar em um chefe e descobrir que ele é imune ao seu elemento principal força adaptação na hora.
Negociar com um demônio virou um jogo de blefe. Alguns pedem dinheiro, outros exigem itens raros, e há os que simplesmente somem se você errar o tom. Cada conversa é imprevisível, o que mantém o loop fresco mesmo depois de 50 horas. Otimizar builds no Velho Mundo da Fusão, combinando criaturas para herdar habilidades específicas, é um convite a perder horas. O level cap subiu para 150, então o teto de poder é enorme.
Cânone da Vingança: a história que o original merecia
O original tinha uma trama interessante, mas mal desenvolvida. Vengeance corrige isso com uma rota alternativa que começa cedo e se desdobra em uma campanha com mais de 70 horas. Yoko Hiromine, uma aluna transferida misteriosa, e as antagonistas Qadištu trazem conflitos pessoais e dilemas éticos que tornam a narrativa mais envolvente. O grupo de demônios humanos controláveis ajuda: pela primeira vez, personagens com personalidade ficam ao seu lado durante a maior parte da jornada.
As escolhas têm peso real, e os múltiplos finais refletem as decisões do jogador de forma mais clara. O Demon Haunt, um hub onde você pode conversar com demônios recrutados, adiciona lore e momentos de respiro entre os combates. É um acerto emocional que faltava no original. Para quem já jogou a versão Switch, pule direto para a Vingança. A experiência é diferente o suficiente para justificar uma segunda jogatina.
Performance e apresentação no PS5
No PS5, Vengeance roda com frame rate consistente e resolução nítida. As texturas ganharam detalhes, os modelos dos demônios são mais vivos e os efeitos de luz nas habilidades Magatsuhi impressionam. Os carregamentos são quase instantâneos, e a exploração das grandes áreas se beneficia da fluidez. Pequenas quedas de frame podem ocorrer na região inicial, mas nada que comprometa a experiência. A direção de arte continua o ponto alto: demônios inspirados em mitologias mundiais, com designs que variam do grotesco ao belo.
A trilha sonora, composta por Ryota Kozuka, entrega faixas que misturam sintetizadores agressivos com orquestrações melancólicas. Cada região tem seu tema, e os chefes ganham músicas épicas que elevam a tensão. A interface de usuário não acompanha esse capricho, com menus genéricos e fontes simples que quebram um pouco a imersão. No calor da batalha, isso vira detalhe. O pacote audiovisual é forte e sustenta as dezenas de horas de jogo.
Perguntas frequentes sobre review Shin Megami Tensei V: Vengeance Launch Edition PlayStation 5
Preciso ter jogado o Shin Megami Tensei V original para aproveitar Vengeance?
Não. Vengeance inclui o jogo original inteiro (Cânone da Criação) e uma rota nova. Iniciantes podem começar direto pela Vingança sem perder contexto, pois a história é independente.
A Launch Edition vale a pena?
A Launch Edition traz o jogo em steelbook e dois pacotes de DLC 'Sacred Treasure' com itens cosméticos e de utilidade. Se você curte colecionáveis e quer um bônus extra, é uma boa escolha.
Quantas horas de jogo tem Shin Megami Tensei V: Vengeance?
A campanha principal de uma rota leva cerca de 45 horas. Com side quests e exploração, sobe para 70h. Para fazer 100% das duas rotas e New Game+, ultrapassa 150 horas.
O jogo tem modo multiplayer ou cooperativo?
Não. É uma experiência single-player focada em combate por turnos, recrutamento e fusão de demônios. Não há modo online ou cooperativo.
Vengeance roda bem no PS5?
Sim, com frame rate estável, carregamento rápido e resolução nítida. Pequenas oscilações foram relatadas apenas na área inicial, mas se estabilizam rapidamente. A experiência é fluida e superior ao Switch original.
