O som do truck raspando no corrimão é seco, metálico. Você tentou aquele noseslide por vinte minutos e finalmente saiu. Session: Skate Sim não é sobre combos fáceis. É sobre sentir cada impacto, cada erro, cada acerto. A promessa é deixar de lado a fantasia arcade e mostrar o skate de rua como ele é: sujo, difícil e incrivelmente recompensador quando você finalmente acerta.
Desenvolvido por skatistas e financiado via Kickstarter em 2017, o jogo da crea-ture Studios chega ao PS5 com a missão de ser a simulação definitiva. E, em muitos aspectos, consegue. O problema é que o preço da autenticidade é alto: uma curva de aprendizado brutal, missões mal explicadas e falhas técnicas que minam a imersão. Para quem encara, Session é um paraíso. Para quem só quer se divertir depois do trabalho, talvez seja um pesadelo.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Curva de aprendizado acentuada: você vai cair dezenas de vezes antes de acertar um ollie limpo. A paciência é obrigatória.
- Sem multiplayer: não há disputa online nem partidas com amigos. É você contra o skate.
- Bugs frequentes: truques que você acertou podem não ser reconhecidos. A frustração é parte do pacote.
- Mundo aberto sem vida: as cidades são bonitas e fiéis, mas sem pedestres ou trânsito. A imersão sofre.
- Personalização profunda: mais de 250 peças para montar seu skate e 200 itens de roupa. Cada componente muda a física do shape.
1. Session: Skate Sim (PS5). Simulação de skate de rua ultra-realista
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Session: Skate Sim não é um jogo para se jogar no piloto automático. Cada stick do controle representa um pé, e os gatilhos viram o shape. Na primeira meia hora, você cai, o ollie não sai, e o tutorial só mostra o básico. Mas quando o clique acontece, a sensação é única. Acertar um varial heelflip no Brooklyn Banks depois de vinte tentativas, ver o replay com filtro olho de peixe e a trilha sonora anos 90: isso é mágico para quem ama skate. A física é implacável. O peso do skatista, a transferência entre os sticks, cada componente do skate (deck, trucks, rodas) altera o comportamento. O jogo oferece quatro níveis de dificuldade, mas mesmo no mais fácil, o timing é rigoroso. Manobras avançadas pedem combinações que lembram jogos de luta. O sistema de manual catch, que exige segurar o truque até o fim, adiciona realismo e tensão. O ponto fraco são as missões. Skatistas no mundo dão tarefas mal explicadas, o diálogo não se repete, e o jogo às vezes não reconhece o truque que você acabou de fazer. Você reinicia, tenta de novo, e a frustração cresce. O mundo aberto com três cidades (Nova York, São Francisco, Filadélfia) é autêntico nos locais: Black Hubbas, FDR Park. Mas está morto: sem pedestres, carros ou outros skatistas. A ausência de multiplayer é sentida. A personalização ajuda a aliviar a frustração. Montar seu skate com marcas reais, ajustar a altura do pop, escolher entre regular ou goofy: tudo influencia o gameplay. O editor de vídeo é outro acerto. Com filtros, lentes olho de peixe e ângulos de câmera, você cria clipes que parecem filmagens reais dos anos 90. As atualizações pós-lançamento, como board snapping e o DLC colaborativo das Tartarugas Ninja, mostram cuidado da crea-ture Studios. Mas os bugs de física e detecção persistem. Session é uma carta de amor ao skate de rua. Se você cresceu vendo vídeos de Mike Vallely ou sonhando em andar de skate, vai se apaixonar depois de passar raiva. Para quem busca entretenimento rápido e descompromissado, melhor ficar com Tony Hawk. Mas para o público certo, não existe simulador mais fiel. É isso que importa.
Prós
- Controles inovadores que imitam os pés no skate com precisão
- Satisfação genuína ao dominar manobras complexas
- Personalização profunda do skatista e equipamento que afeta a jogabilidade
- Editor de vídeo robusto com filtros nostálgicos
- Mapas autênticos recriando locais lendários do skate
Contras
- Curva de aprendizado extremamente íngreme e punitiva para iniciantes
- Bugs de física e detecção de truques frequentes
Controles que imitam os pés no skate e cobram cada movimento
Esqueça apertar um botão para fazer um flip. Em Session, cada pé é controlado por um analógico. Quer fazer um ollie? Puxe o stick de trás para baixo e depois para cima, enquanto o da frente controla o nariz do shape. Parece complicado? É. Mas aí está a graça. Depois de algumas horas, o movimento vira intuição: você começa a pensar em termos de peso, ângulo e timing. Um varial heelflip exige que o stick de trás vá para o lado oposto enquanto o da frente faz um movimento circular. Se você errar o ângulo, o skate gira descontrolado e você cai. O som metálico dos trucks ao acertar um grind limpo, a animação fluida quando tudo dá certo: isso não tem preço.
O jogo oferece opções de dificuldade que ajustam a altura do pop e a margem de erro, mas o essencial não muda: você precisa aprender a andar de skate virtual. Para quem vem de jogos como Tony Hawk, o choque é imediato. Mas para quem sempre quis sentir o que é mandar um noseslide no Brooklyn Banks, Session é a coisa mais próxima de estar lá.
Missões e mundo: autenticidade nos cenários, vazio na alma
As três cidades foram recriadas com carinho. O FDR Park na Filadélfia, o Brooklyn Banks em Nova York: cada corrimão, cada escadaria parece tirada de um vídeo de skate real. Você pode passar horas só explorando, achando spots escondidos e gravando suas linhas. O editor de vídeo, com filtros e lentes olho de peixe, transforma isso em algo quase cinematográfico. É nesse momento que o jogo brilha: sem pressão de missões, só você, o skate e a pista.
O problema é que as missões da campanha não acompanham essa liberdade. Elas são dadas por personagens no mapa, mas a descrição é vaga e não pode ser repetida. Você chega no local, tenta o truque, o jogo não reconhece. A frustração toma conta. Felizmente, o free roam sempre está ali, e para muitos jogadores, ignorar as missões e simplesmente andar é a melhor experiência. A falta de vida no mundo, no entanto, incomoda. Cidades sem pedestres, carros ou outros skatistas parecem cenários de fotografia, não lugares vivos.
Para quem Session: Skate Sim realmente é indicado
Esse não é um jogo para todo mundo. Se você busca ação rápida, combos infinitos e uma diversão descompromissada, Tony Hawk's Pro Skater 1+2 continua sendo a melhor escolha. Session é para o jogador que quer sentir o peso de cada manobra, que está disposto a passar horas tentando um único trick até acertar, que valoriza a estética do skate de rua dos anos 90 acima de tudo. É um jogo feito por skatistas para skatistas, e isso fica claro em cada detalhe, desde a física até a personalização do shape.
A falta de multiplayer e de modalidades como vert skating limita o escopo, mas o núcleo é forte o suficiente para segurar quem compra a proposta. As atualizações gratuitas, como o board snapping e o mapa das Tartarugas Ninja, mostram que a crea-ture Studios continua apoiando o jogo. Se você se encaixa no perfil, Session é uma experiência que nenhum outro jogo entrega. Se não, talvez seja melhor assistir a um vídeo de skate real.
Perguntas frequentes sobre review Session: Skate Sim / PlayStation 5
Session: Skate Sim tem multiplayer?
Não. O jogo é exclusivamente single-player, sem modo cooperativo, competitivo ou online. A experiência é focada no free roam e na campanha solo.
Qual a duração aproximada do jogo?
A campanha principal leva cerca de 6 horas, mas explorar e fazer tudo pode passar de 40 horas. O free roam e a personalização adicionam horas quase infinitas para quem curte.
É mais difícil que Tony Hawk's Pro Skater?
Muito mais. Enquanto Tony Hawk é arcade e indulgente, Session exige timing preciso e conhecimento dos controles de duplo stick. A curva de aprendizado é íngreme e frustrante no início.
O jogo tem suporte a grabs (agarres)?
Não. Session não inclui grabs nem modalidade vertical (vert skating). O foco é no skate de rua e nas manobras de chão e corrimão.
Vale a pena comprar Session: Skate Sim no PS5?
Se você é fã de simulação e disposto a enfrentar bugs e dificuldade, sim. É o simulador mais realista disponível. Caso contrário, a frustração pode superar a diversão.
