Review Selfloss (PS5): beleza melancólica com alguns tropeços

Selfloss não esconde suas intenções. Nos primeiros minutos, você já sente o peso da perda: melancolia, silêncio, uma sensação que gruda na pele. Kazimir, um curandeiro idoso, atravessa um mundo inspirado em folclore eslavo e islandês, usando um cajado de luz para purificar o miasma que corrompe tudo. É bonito, emocionante e, em vários momentos, profundamente frustrante.

A direção de arte é um caso à parte. Cores opacas, cenários desolados, designs de criaturas. tem um ganso gigante que virou favorito aqui. criam uma atmosfera que poucos jogos indie conseguem. A trilha sonora, com corais que lembram cantos de baleia, segura o peso emocional. Quando Selfloss acerta, acerta fundo.

Mas há um abismo entre a intenção e a execução. O cajado não obedece como deveria; o L2 para pular é uma escolha questionável; a câmera isométrica fixa transforma combates em tateios. A sequência de perseguição no capítulo 3 exemplifica: repeti várias vezes não por dificuldade, mas por comandos que não respondiam direito. E para quem depende de legendas em português, o baque é maior: não há localização PT-BR.

Ainda assim, quem valoriza narrativa e atmosfera acima de tudo pode encontrar aqui uma das experiências mais sinceras de 2024. Selfloss não é para todo mundo, mas para quem ele encaixa, encaixa com força. Vamos detalhar o que funciona e o que não funciona.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Selfloss é um jogo de aventura narrativa com foco em exploração e puzzles, ideal para quem valoriza história e atmosfera.
  • A campanha dura entre 7 e 9 horas, dependendo do quanto você explora os colecionáveis.
  • O combate é lento e estratégico, mas sofre com controles imprecisos; espere mais puzzles que ação.
  • O jogo não possui legendas em português brasileiro. apenas inglês e espanhol.
  • A versão PS5 testada roda bem, mas não aproveita os recursos do DualSense (gatilhos adaptativos, feedback tátil).

1. Selfloss (PS5) – Maximum Entertainment / Merge Games

Selfloss é uma jornada emocional que mistura luto e cura em um mundo deslumbrante. Kazimir avança por cenários variados, resolvendo puzzles com seu cajado de luz. lança feixes, cria orbes, até pesca almas. A exploração a pé e de barco é recompensada com colecionáveis que expandem a rica lore eslava. O problema começa quando o jogo exige combate: a mira imprecisa, a câmera fixa e os comandos com delay transformam encontros simples em provações de paciência. Até o chefe final, que pede sincronia total, sofre com a mira vacilante e repetições forçadas. A música é o ponto alto. Composta por Arigto, a trilha orquestral com toques corais dá o tom perfeito. A faixa-título 'Selfloss, Håbets Ven' fica na cabeça. Visualmente, a direção de arte minimalista e melancólica segura o jogo mesmo quando a jogabilidade vacila. Os puzzles, na maior parte, são criativos e bem pensados. especialmente os que envolvem manipular luz e runas. No PS5, Selfloss roda sem grandes bugs, mas as telas de carregamento são longas e a ausência de suporte ao DualSense é sentida. Para quem busca uma história tocante e não se importa com controles travados, é uma recomendação sincera. Para quem prioriza fluidez e combate polido, talvez seja melhor passar longe.

Prós

  • Atmosfera melancólica e envolvente, com direção de arte deslumbrante.
  • Trilha sonora excepcional que reforça o tom emocional.
  • Narrativa profunda sobre luto e cura, com lore rica em folclore eslavo.
  • Puzzles criativos que exploram bem as habilidades do cajado de luz.
  • Boa duração para o gênero, entre 7 e 9 horas com colecionáveis.

Contras

  • Controles imprecisos e com delay, especialmente no combate e plataforma.
  • Combate frustrante, lento e pouco variado; parece um estorvo.

Pegue o cajado, aponte para uma runa e veja a luz se espalhar. Esses momentos são mágicos. A física das ondas no barco, o som do vento, a maneira como os cenários se revelam. Selfloss entende de atmosfera. Os puzzles exigem atenção e criatividade, e cada colecionável encontrado adiciona camadas à história.

Mas então a jogabilidade entra em cena. O combate, que deveria ser estratégico, vira um exercício de paciência: a luz do cajado não acerta onde você mira, a esquiva demora a responder, e você repete encontros simples por causa de comandos imprecisos. A câmera fixa, que funciona bem para exploração, vira um pesadelo em arenas fechadas. E por que pular no L2, sendo que poderia ser um botão dedicado? A sequência de perseguição no capítulo 3 é um exemplo: repeti várias vezes não por dificuldade, mas por comandos que não respondiam direito.

Ainda assim, há momentos de brilho. O chefe final, que exige usar todas as habilidades do cajado, é um acerto. mesmo que a imprecisão cobrasse algumas tentativas extras. E no fim, o que fica é a história de Kazimir, sua jornada de luto e cura. A faixa-título toca nos créditos e, por um instante, você esquece dos controles travados.

Para quem Selfloss realmente encaixa

Selfloss não é um jogo para todo mundo. Se você joga por jogabilidade polida, combate fluido e desafios precisos, é melhor procurar outro título. Mas se você é do tipo que se entrega a uma boa história, que perdoa imperfeições técnicas quando a atmosfera é certa, esse jogo vai te marcar.

Fãs de Inside, Gris, Planet of Lana e Death's Door vão reconhecer o DNA aqui. É uma experiência curta, mas que fica na memória. A falta de legendas em português é um ponto contra, mas quem lê bem em inglês não terá problemas. Para quem joga no PS5, a ausência de recursos do DualSense é uma oportunidade perdida. imagine sentir os gatilhos ao canalizar luz ou o feedback tátil nas ondas do barco.

No fim, Selfloss é um jogo que divide opiniões. Eu saí dele impactado pela narrativa, mas frustrado com a jogabilidade. E dependendo do seu perfil, essa pode ser exatamente a experiência que você procura. ou um motivo para desistir.

Perguntas frequentes sobre review Selfloss PlayStation 5

Selfloss tem suporte a português brasileiro?

Não. O jogo está disponível apenas em inglês e espanhol (textos e menus).

Quantas horas dura Selfloss?

A campanha principal leva entre 7 e 9 horas, podendo chegar a 10 horas para quem busca todos os colecionáveis.

Vale a pena comprar Selfloss no PS5?

Sim, se você valoriza narrativa emocional, atmosfera e puzzles criativos. Não, se controles precisos e combate fluido são prioridade.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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