Sabe aquele jogo que parece feito sob medida para um grupo específico de fãs, mas acerta tanto no tom que conquista até quem só conhece o personagem de passagem? RoboCop: Rogue City é exatamente isso. Ele não tenta ser o próximo blockbuster do ano. Prefere caprichar na essência: você é um tanque de metal e carne, anda devagar, absorve tiros como se fossem palmadinhas e mete bala na corja com a Auto-9. E sim, tem a marcação vermelha dos filmes no primeiro combate.
A Teyon, estúdio responsável, não veio para meias medidas. A história se encaixa entre RoboCop 2 e 3, e Peter Weller reassume o papel, voz e rosto de volta. O resultado é um FPS que mescla tiroteio pesado, investigação e escolhas que pesam. Mas o orçamento médio aparece: texturas que lembram outra geração, animações faciais quebradas e um ritmo que cansa na segunda metade. Para quem cresceu com os filmes, a diversão é genuína.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Fã da franquia? Cada canto de Detroit esconde uma referência, e a atuação de Peter Weller é um presente. A compra é quase automática.
- Quem busca ação frenética vai estranhar o peso do personagem. RoboCop não corre, ele marcha. Se você curte jogos mais lentos e táticos, vai se adaptar.
- No PS5, os modos Performance e Qualidade funcionam bem, mas bugs pontuais podem aparecer. Nada que estrague a experiência.
- A campanha rende entre 11 e 15 horas, dependendo do seu envolvimento com side quests, que incluem desde multar veículos até interrogar suspeitos.
- Se ainda não comprou, a Collection com a expansão Unfinished Business é a melhor porta de entrada.
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Você é RoboCop. Anda devagar, atira com precisão, absorve dano. O jogo não se desculpa pela lentidão, ela é a fantasia. A Auto-9 estraçalha tudo, e o desmembramento traz aquela satisfação suja de filme B. A física dos corpos e objetos é um show: arremessar um bandido contra a parede produz um estalo seco; explodir barris com um tiro bem colocado nunca cansa. O bullet time, liberado com upgrades, transforma o combate em coreografia mortal, você mira na cabeça de três inimigos em câmera lenta e cada tiro encontra o alvo. O conteúdo é generoso para um AA. São cerca de 30 missões principais e mais de 20 secundárias, muitas envolvendo tarefas policiais como emitir multas, interrogar suspeitos e investigar cenas de crime. Essas side quests dão personalidade ao mundo e fazem você se sentir um protetor da cidade, não apenas uma máquina de matar. A árvore de habilidades permite especializar em combate, dedução ou engenharia, e o minigame de placas de circuito para upgrade da Auto-9 é um charme. De quebra, as escolhas morais afetam o desfecho da história e a reação dos cidadãos. Por outro lado, o jogo tropeça em pontos esperados de uma produção de orçamento médio. As texturas são irregulares, as animações faciais beiram o caricato em algumas cutscenes, e a inteligência artificial dos inimigos não exige muito do jogador. O ritmo desacelera na segunda metade, com algumas missões que se arrastam e um vilão que não assusta tanto quanto deveria. Para quem não é fã da franquia, a falta de polimento e a lentidão podem ser obstáculos. Mas para quem quer matar a saudade de RoboCop com um jogo que respeita o material original, Rogue City é um achado. No PS5, a performance é sólida, com opção de priorizar resolução ou fluidez, e a versão Collection ainda inclui a expansão Unfinished Business, que adiciona mais horas de conteúdo.
Prós
- Adaptação fidelíssima aos filmes, com direito a marcação vermelha e tiros que desmembram
- Combate pesado e satisfatório que faz você se sentir um tanque indestrutível
- Peter Weller de volta como voz e semelhança, elevando a autenticidade
- Missões secundárias criativas, como emitir multas e interrogar cidadãos
- Sistema de escolhas que impacta a narrativa e os finais
Contras
- Movimentação muito lenta pode frustrar quem busca ação ágil
- Texturas e animações faciais mostram o orçamento AA
Combate e movimentação: a arte de ser um tanque
Você não corre. Você marcha. Cada passo ecoa no asfalto, e cada tiro da Auto-9 sai com precisão cirúrgica. O jogo não se desculpa pela lentidão, ela faz parte da fantasia. Quando um bandido tenta te acertar e você simplesmente continua andando, a sensação de poder é imediata. Arremessar um criminoso contra a parede ou explodir barris com um tiro bem colocado nunca cansa. O bullet time, liberado mais adiante, adiciona um tempero extra, permitindo acertar vários alvos em câmera lenta como nos filmes.
A progressão recompensa escolhas. Invista em vida, dedução ou engenharia, cada ramo desbloqueia habilidades como escudo, granadas de luz e munição explosiva. Como os pontos são limitados, você precisa decidir o que priorizar. E o upgrade da Auto-9? Um minigame de montar placas de circuito que transforma a arma em uma máquina ainda mais letal.
Narrativa e fã-service: um presente para quem cresceu com RoboCop
Entre os filmes 2 e 3, a Teyon constrói uma história que respira nostalgia. Cada esquina traz um pôster, uma frase, um personagem clássico. Peter Weller entrega uma atuação que parece ter saído diretamente dos anos 80, com o tom robótico, o humor seco, a indignação controlada. E as escolhas morais não são de enfeite: tratar um cidadão com rigidez ou compaixão pode mudar o rumo de uma missão e até o final da campanha.
Multar veículos, atender ocorrências, interrogar suspeitos, cada side quest reforça seu papel de protetor da cidade. A sessão de terapia opcional rende diálogos excelentes. O vilão principal, infelizmente, não assusta. Mas para quem ama a franquia, Detroit esconde referências que compensam.
Desempenho no PS5 e público ideal
No PS5, você escolhe entre Performance a 60 fps e Qualidade com resolução superior. Ambos se mantêm estáveis, mas áreas abertas com muitos efeitos podem causar pequenas quedas. As texturas e modelos mostram o orçamento AA, mas a direção de arte compensa, pois Detroit é suja, escura e violenta do jeito que a franquia pede. O HUD em verde CRT é um toque genial.
Fãs de RoboCop vão se sentir em casa. Quem curte FPS com elementos de RPG e escolhas também. Já quem busca ação frenética, gráficos de ponta ou história inovadora pode se decepcionar. Não espere um game do ano, mas um dos melhores exemplos de como tratar uma licença com carinho e competência.
Perguntas frequentes sobre review RoboCop: Rogue City PlayStation 5
Quanto tempo dura RoboCop: Rogue City?
A campanha principal leva entre 10 e 12 horas. Se você fizer todas as missões secundárias, o total fica entre 15 e 20 horas. Para completar todos os troféus, o tempo sobe para cerca de 17 horas.
O jogo é muito difícil?
Não. A dificuldade está mais na paciência com a lentidão do que em reflexos. O protagonista absorve muito dano, e a Auto-9 é precisa. Há opção de New Game+ com um modo mais punitivo para quem busca desafio.
RoboCop: Rogue City roda bem no PS5?
Sim. O PS5 oferece modos Performance (60 fps) e Qualidade (resolução maior). A experiência é estável, com poucas quedas de frame. As texturas são limitadas em alguns cenários, mas nada que comprometa a diversão.
Vale a pena para quem não conhece os filmes?
Depende. Se você curte FPS com ritmo mais lento, exploração e escolhas, pode gostar. Mas grande parte do apelo está no fã-service e na fidelidade aos filmes. Sem a nostalgia, os defeitos técnicos e a previsibilidade da história pesam mais.
