O ataque no carro já entrega o tom: sangue, gritos e uma filha sequestrada. Minutos depois, Ethan Winters corre desesperado por um vilarejo europeu enquanto Lycans uivam e saltam das sombras. Essa abertura brutal define Resident Evil Village, um jogo que mistura ação explosiva com terror atmosférico de forma quase sempre certeira. A Gold Edition, lançada em outubro de 2022, reúne o jogo base, um modo terceira pessoa, a expansão Shadows of Rose e novos personagens para o Mercenaries. É a versão mais completa, mas o conteúdo extra é curto e caro, o que pode deixar quem já zerou o original com um gosto amargo.
A campanha principal, com suas 10 horas de duração, continua sendo um dos melhores acertos da Capcom na atual geração. Ethan busca a filha em uma série de cenários que mudam de estilo a cada capítulo: do castelo gótico de Lady Dimitrescu à mansão silenciosa e perturbadora de Beneviento, passando por uma fábrica infernal. O combate em primeira pessoa é fluido, os inimigos são variados e o gerenciamento de recursos traz de volta a essência do survival horror, ainda que o foco seja mais na ação. Os quebra-cabeças são fracos. parecem estar ali só para cumprir tabela. e alguns chefes decepcionam, mas a jornada inteira prende do início ao fim.
Quem espera um survival horror puro, com puzzles complexos e escassez severa, pode se frustrar. Village é mais acelerado, mais próximo de Resident Evil 4 do que do remake do 2. Mas para quem quer uma aventura intensa, com variedade de terror e uma execução polida, é um prato cheio. A Gold Edition adiciona camadas interessantes, mas não essenciais.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Campanha principal dura cerca de 10 horas; completistas passam de 30 horas explorando tudo.
- Modo terceira pessoa pode ser alternado livremente durante a campanha, mas cutscenes permanecem em primeira pessoa.
- Expansão Shadows of Rose dura aproximadamente 3 horas e se passa 16 anos após o jogo base.
- Mercenaries adicionais incluem Chris Redfield, Karl Heisenberg e Lady Dimitrescu com habilidades únicas.
- Gold Edition é a única forma de obter o modo terceira pessoa e a expansão, sem upgrade gratuito para quem já tem o jogo base.
1. Resident Evil Village Gold Edition (PS5): jogo base com expansão Winters, modo terceira pessoa e novos mercenários
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A Gold Edition é o pacote definitivo para quem ainda não jogou Village. O modo terceira pessoa transforma a experiência: a câmera sobre o ombro facilita os tiroteios e revela detalhes do cenário, mas a tensão some em áreas como a mansão Beneviento. Shadows of Rose é uma DLC curta, de umas 3 horas, com ideias legais e poderes sobrenaturais, mas a história é quase um spin-off, desconectada do arco principal. Os mercenários extras são pura diversão. Chris dando socos, Heisenberg com martelo e Dimitrescu com garras -, mas o conteúdo total é enxuto para o preço cobrado. Para quem já terminou o jogo base, o extra pode não valer o investimento. A Capcom fez um bom trabalho, mas a sensação é de que a Gold Edition deveria ter mais carne.
Prós
- Campanha principal variada, com ritmo intenso e atmosfera impecável
- Modo terceira pessoa bem implementado, que renova a experiência sem quebrar o jogo
- Expansão Shadows of Rose tem narrativa interessante e uso criativo de poderes
- Mercenaries adicionais são divertidos e cada personagem tem mecânicas únicas
Contras
- Conteúdo adicional curto, cerca de 3 horas para a DLC, e caro para quem já possui o jogo base
- Modo terceira pessoa reduz a tensão em áreas de terror, como a Mansão Beneviento
O jogo base: ainda assustador e cheio de personalidade
A campanha de Resident Evil Village é uma montanha-russa de estilos de terror. Você começa fugindo de Lycans em um vilarejo em ruínas, passa por um castelo digno de Drácula, enfrenta um boneco assustador numa mansão silenciosa e termina em uma fábrica infernal. Cada área tem seu próprio ritmo e inimigos, o que mantém o jogo sempre fresco. O combate em primeira pessoa é responsivo, com direito a desmembramentos, tiros na cabeça e uma boa variedade de armas. O sistema de criação de itens e as melhorias do Duque dão aquela sensação de progressão que vicia. Exploração é recompensada com dinheiro, munição e segredos: a obsessão por loot lembra os melhores dias da série. Se você curte ação com pitadas de horror, Village é prato cheio.
O tempo de campanha de 10 horas para a história principal é ideal: não se arrasta nem te deixa com fome. Para quem quer 100%, tem segredos, desafios e colecionáveis que esticam o jogo para mais de 30 horas. Os chefes, com exceção de alguns, são mais coreografados do que desafiadores, e os puzzles são tão simples que parecem estar ali apenas por formalidade. Nada que estrague a experiência, mas quem veio de RE7 ou RE2R pode sentir falta de quebra-cabeças mais elaborados.
Modo terceira pessoa: uma nova lente sobre o horror
A possibilidade de jogar toda a campanha em terceira pessoa é o principal atrativo da Gold Edition. A câmera sobre o ombro dá uma visão mais ampla, facilita os tiroteios e torna a exploração mais confortável. Mas a tensão diminui: momentos que em primeira pessoa gelavam a espinha, como a casa de bonecas da Beneviento, perdem parte do impacto quando você vê o ambiente de fora. As cutscenes continuam em primeira pessoa, criando um contraste estranho. A Capcom caprichou nas animações de Ethan, que agora se movimenta com naturalidade, embora em espaços apertados a câmera possa engasgar. Para quem sofre com enjoo em jogos em primeira pessoa, o modo terceira pessoa é um alívio; para os fãs de terror imersivo, talvez não valha a troca.
O modo pode ser ativado e desativado a qualquer momento no menu: você pode alternar entre as perspectivas dependendo da área, usar primeira pessoa para os momentos de suspense e terceira para as batalhas mais intensas. Essa flexibilidade é um ponto positivo, mas a própria existência do modo como conteúdo pago gerou críticas. Muitos jogadores consideram a opção de câmera uma questão de acessibilidade, e cobrar por ela soou mal. A Gold Edition resolve isso para quem compra o pacote completo, mas quem já tinha o jogo base precisa pagar à parte.
Shadows of Rose e Mercenaries: extras que dividem
A expansão Shadows of Rose coloca você no papel de Rosemary Winters, filha de Ethan, 16 anos após os eventos de Village. Com poderes sobrenaturais, Rose enfrenta uma dimensão bizarra cheia de memórias e monstros. A campanha curta de umas 3 horas é bem escrita e com design que tira proveito da terceira pessoa, já que foi feita pensando nela. Os poderes de Rose, como paralisar inimigos e lançar projéteis, dão um gostinho de jogo diferente. O problema é que a história parece desconectada do arco principal, quase um spin-off, e não acrescenta muito ao lore da série. Se você esperava respostas sobre o destino de Ethan, talvez se frustre.
O modo Mercenaries ganha novos personagens jogáveis: Chris Redfield, que esmaga inimigos com socos; Karl Heisenberg, que usa martelo e magnetismo para puxar adversários; e Lady Dimitrescu, que ataca com garras e invoca insetos. Cada um tem habilidades únicas e transforma o modo arcade em uma brincadeira mais caótica e divertida. A crítica é que o conteúdo é pouco para justificar o valor da expansão avulsa, e muitos sentem falta de mais personagens ou estágios. Ainda assim, para quem curte o modo original, os novos mercenários são um plus bem-vindo.
Perguntas frequentes sobre review Resident Evil Village Gold Edition PlayStation 5
A Gold Edition inclui o jogo base e todos os DLCs?
Sim, a Gold Edition reúne o jogo Resident Evil Village, o modo terceira pessoa, a expansão Shadows of Rose e os Mercenaries: Ordens Adicionais. É a versão mais completa disponível.
O modo terceira pessoa pode ser usado do começo ao fim?
Sim, você pode ativar o modo terceira pessoa no menu e jogar toda a campanha assim. As cutscenes, porém, continuam em primeira pessoa.
A expansão Shadows of Rose vale o investimento?
Depende. Se você é fã da história de Village e quer mais tempo com os personagens, sim. Mas a duração de cerca de 3 horas e a trama desconectada podem não justificar o valor para quem busca conteúdo essencial.
O jogo roda bem no PS5?
Sim, a versão de PS5 roda suavemente na maior parte do tempo. Com ray tracing ativado, pode haver algumas quedas de quadros, mas nada que comprometa a experiência.
Para quem já tem o jogo base, a Gold Edition compensa?
Se você já zerou Village e não sente falta de rejogar em terceira pessoa, talvez não compense. O conteúdo adicional é curto e o valor da expansão avulsa é elevado. Para quem busca novidades, a experiência pode ficar aquém.
