Project Motor Racing no PS5: simulador raiz, mas que exige paciência

Project Motor Racing chega com uma bagagem pesada: Ian Bell, o mesmo nome por trás de Project CARS, assume o volante da Straight4 Studios para tentar recriar a mágica. O resultado? Um simulador que acerta na essência da física e no uso do controle, mas tropeça feio no que deveria ser básico para um jogo de corrida em 2025. É daqueles títulos que você respeita mais do que ama. Pelo menos no lançamento.

No PS5, o jogo tem o DNA certo: pistas escaneadas a laser, mais de 70 carros licenciados, clima dinâmico que realmente muda a aderência e um sistema de danos que transforma cada toque numa conta salgada. Mas também tem uma IA que parece ignorar sua existência, penalidades que punem o jogador por erros alheios e gráficos que parecem de geração passada. Para quem busca simulação pura e está disposto a relevar arestas, há um jogo aqui. Para os demais, melhor dar uma volta e pensar antes de comprar.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Foco em simulação: este não é um arcade. Espere precisão nos controles e paciência para aprender cada carro.
  • Verifique se você prefere volante ou controle: o DualSense entrega boa experiência com hápticos, mas a dirigibilidade varia entre carros.
  • Mods prometem longevidade no PC, mas no PS5 o suporte a conteúdos da comunidade é limitado.
  • A carreira é enxuta: gerencie orçamento e reparos, mas sem modo Time Trial ou prática dedicada.

1. Project Motor Racing para PlayStation 5: simulação bruta com DualSense imersivo e IA problemática

Pisar fundo no Project Motor Racing é uma experiência de contrastes. Nas primeiras curvas com o Mazda 787B em Suzuka, você sente cada ondulação do asfalto através dos gatilhos adaptáveis do DualSense. O motor ronca metálico, os pneus cantam quando você exagera na freada. É visceral. A física Hadron a 720 Hz entrega uma sensação de peso e inércia que falta em muitos concorrentes. Quando o acerto está bom, hotlapping vira vício. O problema é que nem sempre o acerto está bom. Carros mais modernos, como GT3 e LMDh, sofrem com oversteer subido e uma volância que parece trocar de personalidade entre pistas. Você pode passar horas ajustando setup e ainda assim não encontrar o ponto ideal. O modo carreira tenta trazer consequência real: você começa com um orçamento, escolhe patrocinadores e precisa equilibrar desempenho com risco de danos. A ideia é boa, mas a execução peca. Os menus são monótonos, sem apresentação ou cutscenes que motivem a progressão. Pior: a IA adversária tem uma linha fixa e não desvia. Ela vai cruzar sua trajetória como se você fosse invisível, e quem leva a penalidade é você. O sistema de punições é implacável e injusto: um toque besta na traseira de outro carro rende segundos de acréscimo. Em muitos momentos, a corrida vira um exercício de frustração. Graficamente, o jogo fica devendo. A iluminação é plana, e os cenários distantes perdem detalhes. Tem trechos que parecem saídos de Project CARS 2 (2017). Por outro lado, o áudio é um show à parte. Cada carro tem uma assinatura sonora própria, e os comentários da equipe nos boxes ajudam na imersão. O True2Track, com poças que se formam e linha de secagem que evolui, é o melhor sistema climático da categoria. É de tirar o fôlego ver a pista mudar durante a volta. No fim, Project Motor Racing é um jogo de contrastes: quando funciona, entrega uma simulação sem igual no PS5. Quando não, lembra por que o gênero é dominado por nomes mais polidos. Vale para quem busca realismo acima de tudo e tem paciência para lidar com imperfeições. Para quem quer diversão imediata ou gráficos de ponta, melhor esperar uma volta mais redonda.

Prós

  • Física e hápticos do DualSense excepcionais, com sensação de peso e aderência
  • Seleção de carros diversa e bem curada, com raridades como Lotus Elise GT1 e Morgan GT1
  • Sistema True2Track de clima dinâmico é o melhor do gênero, com evolução real da pista
  • Áudio visceral e imersivo, cada carro com som próprio

Contras

  • IA adversária ignora o jogador, causando colisões e arruinando corridas
  • Sistema de penalidades injusto e mal calibrado, punindo o jogador por erros alheios

Dirigibilidade e DualSense: o melhor do jogo

Pegue o Porsche 911 GT3 Cup em Monza. Na primeira curva, você sente os pneus traseiros patinarem enquanto os gatilhos do DualSense vibram avisando que o limite chegou. É o tipo de feedback tátil que transforma cada corrida numa conversa com o carro. O modo Authentic exige entradas precisas: qualquer freada mais brusca desestabiliza a traseira. Já o Classic suaviza o volante e adiciona controle de tração, ideal para quem vem de simuladores mais acessíveis. A física Hadron capta o peso, a inércia e a borracha na pista com uma fidelidade rara. Infelizmente, nem todos os carros recebem o mesmo carinho: os GT3 e LMDh têm uma volância nervosa, que desestimula explorar o potencial. Com paciência e acerto, porém, você encontra momentos de pura conexão com o asfalto.

Carreira e modos: o essencial e o que falta

A carreira é o coração do jogo, e ela tem pulso, mas falta ritmo. Você começa escolhendo um orçamento inicial, patrocinadores e um carro para cada categoria. Cada corrida custa dinheiro: danos, reparos, pneus, e o orçamento apertado força decisões. É um sistema que lembra os melhores simuladores de PC, com risco real de falência. Mas a apresentação é seca: menus estáticos, nenhuma cutscene, nenhuma ambientação. Ainda assim, a progressão por eras e classes dá variedade. Porém, a ausência de um modo Time Trial ou prática dedicada (você precisa montar um Race Weekend personalizado para treinar) é um descuido que irrita. O multijogador tem cross-play e ranked, mas o lobby sofre com bugs de contagem regressiva e o limite de 16 carros no console.

IA, penalidades e gráficos: os pontos que doem

Se a física é o ponto alto, a IA é o buraco negro que engole a diversão. Ela segue uma linha fixa e não reage à sua presença. Você toma um toque por dentro, e quem leva a penalidade é você. O sistema de punições é implacável: duas voltas de acréscimo por forçar os limites da pista, mesmo quando empurrado. Em muitos momentos, você desiste da carreira porque a corrida virou uma série de punições injustas. Graficamente, o jogo parece ter saído de 2017. A iluminação é plana, os cenários distantes são borrados. Há exceções: os carros são detalhados por dentro e por fora, mas o conjunto não convence. O True2Track salva parte da imersão: ver a pista secando, com poças sumindo e borracha acumulada, é visualmente recompensador.

Perguntas frequentes sobre review Project Motor Racing PlayStation 5

Project Motor Racing tem modo cooperativo local?

Não. O jogo oferece apenas single-player e multijogador online com cross-play. Não há opção de tela dividida ou cooperativo local.

Vale a pena jogar com controle no PS5?

Sim, especialmente com o DualSense. Os hápticos e gatilhos adaptáveis dão feedback de aderência e freada. O modo Classic ajuda a suavizar a dirigibilidade. Mas carros mais potentes continuam instáveis.

Os gráficos são tão ruins assim?

Eles são aceitáveis, mas datados. A iluminação é artificial e cenários distantes têm baixo detalhamento. Comparado a Gran Turismo 7 ou Forza Motorsport, fica para trás. O clima dinâmico impressiona, porém.

Project Motor Racing é melhor que Gran Turismo 7?

Depende do que você busca. GT7 é mais polido, com carreira envolvente e gráficos lindos. Project Motor Racing tem física mais crua e clima dinâmico superior, mas perde em IA, conteúdo e apresentação.

Ainda tem bugs depois das atualizações?

A versão 2.0 (março de 2026) corrigiu muitos problemas, como menus e física de pneus. A IA e as penalidades melhoraram um pouco, mas ainda são pontos frágeis. Bugs de lobby online podem aparecer.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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