Prince of Persia: The Lost Crown. o metroidvania que a Ubisoft precisava fazer

Sargon desliza por um corredor estreito, desvia de uma lâmina giratória e encaixa um combo aéreo em um inimigo, finalizando com um Athra Surge que ilumina a tela. Em segundos, o combate vira dança: parry, esquiva, novo combo, respiro. Prince of Persia: The Lost Crown não perde tempo te apresentando o que faz de melhor. Ele joga você no Monte Qaf e espera que você aprenda a voar. Depois de 14 anos, a franquia volta às origens 2D, mas não por nostalgia. A Ubisoft Montpellier. o estúdio por trás de Rayman Legends. construiu um metroidvania que rivaliza com os grandes do gênero. A movimentação é fluida, o mapa é um labirinto de biomas que se conectam de maneiras surpreendentes, e cada novo poder transforma áreas antes inacessíveis em playgrounds de possibilidades. Não é exagero dizer que The Lost Crown é o melhor jogo da Ubisoft em muito tempo. Mas nem tudo é perfeito. A narrativa, que tenta embrulhar uma trama de tempo distorcido e deuses persas, tropeça em diálogos expositivos e reviravoltas que mais confundem do que surpreendem. Os personagens. exceto o próprio Sargon. são subutilizados, e o ritmo da história quebra nas longas cutscenes iniciais. Para quem veio da trilogia Sands of Time, o choque pode ser maior. Para quem quer um metroidvania com combate de respeito, isso é detalhe.

A pergunta aqui não é se o jogo é bom. Ele é. A pergunta é: ele é para você? Se você curte Hollow Knight, Ori ou Metroid Dread, a resposta é sim, praticamente sem ressalvas. Se você espera uma história profunda ou um gameplay mais contemplativo, talvez bata de frente com a agressividade dos chefes e a densidade do backtracking. que, por sinal, foi resolvido de forma brilhante com os Memory Shards, um sistema que permite capturar a tela e marcar no mapa o local de um baú ou parede quebradiça. No fim, The Lost Crown acerta tanto no que faz bem que os erros parecem pequenos. E é isso que importa.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Metroidvania 2D/2.5D com foco em exploração e combate técnico.
  • Campanha principal leva entre 15 e 20 horas; completista passa de 30 horas.
  • Possui dificuldade customizável e opções de acessibilidade, incluindo pular seções de plataforma.
  • Dublagem em persa com legendas em português. a imersão é um show à parte.
  • Performance no PS5: 4K 60fps estável, sem quedas perceptíveis.

1. Prince of Persia: The Lost Crown (PS5). Metroidvania com ação refinada e level design exemplar

Sargon empunha duas lâminas e uma vontade férrea de resgatar o príncipe Ghassan. O que começa como uma missão de resgate vira uma jornada pelo Monte Qaf, onde o tempo se comporta como um elástico partido. A movimentação é um espetáculo à parte: dash aéreo, wall jump, deslizamentos e um pulo que responde ao menor toque no controle. Combinado com um sistema de combate que mistura parry (alertas amarelos são contra-atacáveis; vermelhos, inevitáveis), combos terrestres e aéreos, e as poderosas Athra Surges. ataques especiais que consomem uma barra própria -, o jogo entrega uma das experiências mais satisfatórias do gênero. O mapa é vasto e repleto de segredos. Cada região. de florestas encantadas a bibliotecas submersas. tem sua própria identidade visual e um conjunto de inimigos que força você a adaptar sua estratégia. Os chefes, especialmente a Rainha da Floresta, exigem paciência e estudo de padrões; um erro de timing no parry pode custar metade da vida. Mas a morte nunca é punitiva demais: as árvores Wak-Wak funcionam como checkpoints e lojas de amuletos, e os Memory Shards eliminam a frustração de se perder no backtracking. Você simplesmente tira uma foto do local e segue em frente. Se há um calcanhar de Aquiles, é a história. O roteiro tenta abraçar mitologia persa com viagens no tempo, mas as reviravoltas são previsíveis e alguns personagens. principalmente femininos. são deixados de lado. As cutscenes têm coreografia fraca, o que contrasta com a fluidez do gameplay. Ainda assim, para quem joga metroidvania pela exploração e pelo combate, The Lost Crown é quase uma obra-prima. Ele acerta no feijão com arroz, mas erra o molho. E, honestamente, feijão com arroz bom já é um excelente prato.

Prós

  • Combate fluido e profundo, com parry, combos e ataques especiais variados
  • Level design brilhante, com mapa interconectado e repleto de atalhos
  • Plataforma precisa e responsiva, comparável aos melhores do gênero
  • Memory Shards inovam ao eliminar a frustração do backtracking
  • Ótimas opções de acessibilidade e dificuldade customizável
  • Performance sólida no PS5: 4K 60fps sem quedas

Contras

  • Narrativa previsível e confusa, com personagens subutilizados
  • Dificuldade abrupta em um chefe específico (Rainha da Floresta)

O combate que te puxa para dentro

Sargon não é um herói frágil que morre com dois golpes, nem um tanque que ignora dano. Ele está no meio do caminho: agressivo, mas dependente de reflexos. O parry é a alma do sistema. Inimigos com ataques amarelos podem ser contra-atacados, abrindo uma janela para combos devastadores. Já os ataques vermelhos exigem esquiva. e errar o timing significa levar um golpe que quebra sua barra de vida e sua confiança. É um equilíbrio que lembra Sekiro, mas com um ritmo mais próximo de um jogo de luta 2D. As Athra Surges são o tempero extra. Acumule a barra especial e desbloqueie golpes que varrem telas, curam ou atordoam. Cada uma tem um uso tático, e você pode equipar duas por vez. Combinar um parry bem-sucedido com uma Surge na sequência transforma qualquer encontro em um espetáculo visual. E quando você domina o dash aéreo e o wall jump, os cenários viram playgrounds: é possível cruzar armadilhas em segundos, alcançar plataformas distantes e surpreender inimigos pelo alto.

Um mapa que recompensa a curiosidade

O Monte Qaf é um personagem à parte. Cada bioma. do Deserto Abrasador à Biblioteca do Conhecimento. tem uma paleta de cores distinta e quebra-cabeças ambientais que exigem manipulação do tempo. Você encontrará portas trancadas que só abrem com uma habilidade específica, baús escondidos atrás de paredes ilusórias e atalhos que conectam regiões aparentemente distantes. O jogo não segura sua mão: ele oferece um mapa básico, mas cabe a você explorar e marcar os pontos de interesse. A grande sacada são os Memory Shards. Cansou de não lembrar onde viu aquela parede quebradiça? Segure um botão, e o jogo tira um screenshot e fixa no mapa. Horas depois, com a habilidade certa, você volta direto ao ponto sem perder tempo. Parece simples, e é. Mas é uma daquelas ideias que fazem você se perguntar por que nenhum outro metroidvania pensou nisso antes. A frustração do backtracking, que sempre foi um ponto fraco do gênero, aqui é quase zero.

Perguntas frequentes sobre review Prince of Persia: The Lost Crown PlayStation 5

Prince of Persia: The Lost Crown tem modo cooperativo ou multiplayer?

Não. É uma experiência estritamente single-player, focada em campanha e exploração individual.

O jogo tem suporte a português brasileiro?

Sim. O jogo conta com legendas e interface em português do Brasil, além de dublagem em persa. uma escolha de imersão que funciona muito bem.

É necessário ter jogado os Prince of Persia anteriores para aproveitar?

Não. A história é independente e ambientada em um novo cenário com novo protagonista. Fãs antigos vão reconhecer elementos, mas não há barreira de entrada.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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