Pokémon Legends Z-A: batalhas em tempo real que renovam (e frustram) a franquia

Desde que Pokémon saiu dos turnos pela primeira vez em Legends: Arceus, muita coisa mudou. Mas Pokémon Legends Z-A dá um passo ainda mais ousado: batalhas em tempo real com movimentação livre, recarga de golpes e posicionamento que lembram um mistura de Pokémon UNITE com um RPG de ação enxuto. O cenário é a Cidade Lumiose, cinco anos após os eventos de X e Y, num plano de reurbanização que esconde mais do que parece. A promessa é alta, especialmente para quem sente saudade da Mega Evolução e de uma Kalos revisitada.

Muitas horas explorando becos, telhados e esgotos de Lumiose, participando do torneio Z-A Royale e enfrentando os Rogue Mega Evolution mostram um jogo contraditório: um sistema de batalha que é facilmente o melhor da série, amarrado a uma apresentação técnica que decepciona e uma exploração que, embora vertical, se sente limitada. Se você sempre quis um Pokémon mais ágil e estratégico ao mesmo tempo, esse é o seu jogo. Mas prepare-se para engolir alguns sapos visuais.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Entenda o novo sistema de batalha: não é mais por turnos; você controla o Pokémon em tempo real, com golpes mapeados nos botões e recarga (cooldown). Posicionamento e esquiva são essenciais.
  • Z-A Royale é o coração do jogo: à noite, zonas de batalha aparecem e você sobe do rank Z ao A. Cada promoção exige tickets conquistados em lutas.
  • Mega Evolução voltou com força: 26 novas formas, ativadas ao coletar energia durante a batalha. Chefes Rogue Mega são alguns dos melhores momentos.
  • O jogo é inteiro em Lumiose, com exploração vertical (telhados, ruas, esgotos). Durante o dia você captura Pokémon e faz missões secundárias; à noite, o foco é batalhar.
  • Espere cerca de 25 a 30 horas para a campanha principal, e até 60 horas para completar tudo, incluindo a Pokédex e o pós-jogo.

1. Review Pokémon Legends Z-A para PlayStation 5: Ação em tempo real e Mega Evolução de volta

Logo nos primeiros minutos, a diferença fica clara. Você não fica parado esperando sua vez: corre, desvia, posiciona o Pokémon e ataca no momento certo. Os golpes agora têm área de efeito e recarga, o que transforma cada batalha em um pequeno quebra-cabeça de tempo e espaço. Usar um Growl durante o cooldown de um ataque principal pode virar o jogo, e aquela esquiva no último segundo contra um Hyper Beam é satisfatória. O sistema é tão bom que ofusca quase tudo ao redor. A Cidade Lumiose é o único palco, mas nem por isso pequena. São três camadas (ruas, telhados e esgotos), cada uma com seus segredos e Pokémon selvagens. A exploração vertical traz uma sensação nova para a série, mas esbarra em muros invisíveis e fachadas que não abrem. Você logo percebe que a cidade é mais cenário do que playground. As texturas são simples, os distritos se repetem e a falta de interiores dá a impressão de um palco de teatro bonito, oco. Para quem ama batalhas, o Z-A Royale é um prato cheio. Subir do rank Z ao A rende recompensas e a chance de enfrentar treinadores cada vez mais duros. As missões secundárias (mais de 100) trazem humor e personalidade, algo que a série raramente acertou tão bem. Já a campanha principal demora um pouco para engrenar, com tutoriais excessivos, mas quando a trama dos Rogue Mega e da Team Flare esquenta, fica difícil largar o controle. No aspecto técnico, o jogo roda bem no PlayStation 5 (fluido, sem quedas perceptíveis), mas os gráficos ainda carregam aquele visual de geração passada. A falta de dublagem (e de localização em português brasileiro) dói em cenas emocionais. A trilha sonora, que mistura eletrônico, orquestral e jazz, é um dos pontos altos. Se você veio de Legends: Arceus e esperava mais liberdade, pode estranhar. Mas se quer um Pokémon com combate afiado e estratégia instantânea, Legends Z-A entrega de sobra.

Prós

  • Sistema de batalha em tempo real é o melhor da série: ação combinada com cooldowns e posicionamento gera tensão e estratégia a cada luta
  • Mega Evolução retorna com 26 novas formas, ativada de forma natural e recompensadora durante o combate
  • Missões secundárias criativas e bem escritas, com humor e humanidade que dão personalidade à cidade
  • Trilha sonora eclética e marcante, que acompanha bem o ritmo do jogo

Contras

  • Gráficos e texturas aquém do esperado, com cidade visualmente repetitiva e sem vida
  • Ausência de dublagem e de localização em português brasileiro enfraquece a imersão

O coração do jogo: batalhas em tempo real que funcionam de verdade

A maior mudança está no combate. Você controla seu Pokémon livremente pela arena, enquanto os golpes ficam mapeados nos botões A, B, X, Y e têm recarga própria. Isso obriga a pensar no momento certo de atacar, esquivar ou usar um movimento de status. Um Growl bem aplicado durante o cooldown de um ataque forte pode desorientar o oponente e abrir brecha. O sistema é profundo o suficiente para recompensar quem domina o timing de trocas e o posicionamento, mas também acessível para quem só quer sair batendo. A sensação de controle é muito maior do que em qualquer Pokémon anterior. Cada batalha contra treinadores ou Pokémon selvagens ganha uma tensão nova. Você pode dar ataques surpresa ao se aproximar furtivamente, e os chefes Rogue Mega Evolution exigem desviar de ataques que visam tanto o seu Pokémon quanto você. A Mega Evolução, ativada ao coletar orbs de energia e pressionar o analógico, adiciona um clímax tático a cada luta. É o tipo de sistema que faz você querer enfrentar todo mundo só para testar novas estratégias.

Cidade Lumiose: bonita na ideia, repetitiva na execução

A decisão de passar o jogo inteiro em Lumiose City é ambiciosa. A cidade tem três camadas verticais (ruas, telhados e esgotos), cada uma com seu ecossistema e segredos. Durante o dia, você explora Zonas Selvagens espalhadas para capturar Pokémon, e à noite as Zonas de Batalha aparecem para o Z-A Royale. A ideia de um ciclo dia/noite que separa exploração de combate é inteligente e dá ritmo. O problema é que Lumiose parece um cenário de teatro: as fachadas são bonitas, mas os prédios não têm interiores, os distritos se repetem visualmente e há muros invisíveis demais. Você logo percebe que a cidade é mais um corredor decorado do que um espaço vivo. Quem veio de Arceus e esperava montanhas para escalar vai se sentir apertado. Ainda assim, subir nos telhados e vasculhar os esgotos rende alguns momentos de descoberta genuína, especialmente quando você encontra um parafuso colorido para trocar por um charm raro.

Conteúdo e pós-jogo: vale a jornada completa?

Com a campanha principal durando entre 25 e 30 horas, e um pós-jogo que inclui a caça aos lendários Xerneas, Yveltal e Zygarde, além do Z-A Royale infinito, Pokémon Legends Z-A oferece um pacote honesto. As missões secundárias (mais de 100) são o destaque: muitas têm diálogos engraçados, missões de entrega e pequenas histórias que dão personalidade aos moradores de Lumiose. Coletar os Colorful Screws para a moça dos charms também vira uma caça ao tesouro viciante. A DLC Mega Dimension, lançada pouco depois, adiciona entre 10 e 15 horas com uma nova dimensão e mais Mega Evoluções. Para quem gosta de completar tudo, o total passa fácil das 50 horas. Mas é importante saber: o jogo é sobre batalhar e colecionar Mega Pedras. Se o que te move é explorar um mundo aberto ou ter uma história grandiosa, pode sair frustrado. Para os fãs de combate tático e da nostalgia de Kalos, o pós-jogo é um prato cheio.

Perguntas frequentes sobre review Pokémon Legends Z-A PlayStation 5

Quanto tempo leva para zerar Pokémon Legends Z-A?

A campanha principal leva entre 25 e 30 horas. Para completar 100% (incluindo Pokédex, pós-jogo e DLC), prepare de 50 a 60 horas. O ritmo depende de quanto você se dedica às missões secundárias e ao Z-A Royale.

Preciso ter jogado Pokémon X e Y para aproveitar?

Não é necessário, mas a história se passa cinco anos depois e tem várias referências a personagens e eventos de X e Y. Fãs da geração 6 vão se sentir em casa; novatos podem acompanhar de boa, sem grandes perdas.

Pokémon Legends Z-A tem multiplayer?

Sim, há o Battle Club que permite batalhas online com até 4 jogadores, incluindo partidas ranqueadas. O modo não estava disponível no período de análise, mas promete estender a vida útil do jogo.

O jogo tem dublagem em português?

Não. O jogo possui texto em inglês, espanhol, francês, entre outros, mas sem dublagem em português brasileiro. As cenas importantes são todas legendadas, mas a falta de voz diminui a imersão em momentos dramáticos.

Vale a pena para quem prefere batalhas por turnos?

Se você é apaixonado pelo sistema tradicional, pode estranhar no começo. Mas o novo combate é tão bem projetado que conquista até céticos. A profundidade tática com cooldowns e posicionamento compensa a falta dos turnos.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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