The Tale of Onogoro: uma jornada steampunk de puzzles e parceria no PS5

Acordar em uma ilha flutuante, sentir o vento no rosto (mesmo de dentro do headset) e dar de cara com uma sacerdotisa presa a uma pedra. Essa é a primeira impressão de The Tale of Onogoro, um puzzle adventure em VR que tenta misturar Portal com Shadow of the Colossus. A AMATA K.K., mesma de Last Labyrinth, aposta em um steampunk japonês, período Taisho, com visuais que parecem anime interativo.

Você é um protagonista silencioso que precisa ajudar Haru a desativar as barreiras de uma ilha mágica. A mecânica: use uma arma celestial para agarrar e mover a pedra de Haru, ativando mecanismos, queimando obstáculos e enfrentando feras gigantes chamadas Kami. O problema: Haru não para de falar. E quando ela fala, o jogo pausa o gameplay para expor lore repetitiva. Isso quebra o ritmo de um jogo que, nos melhores momentos, entrega puzzles criativos e batalhas épicas.

Depois de algumas horas com o headset, saí satisfeito, mas com ressalvas claras. Onogoro acerta na direção de arte, na sensação de parceria (cuidar de Haru, curá-la de mãos dadas) e na variedade de quebra-cabeças elementares. Mas os controles para mover a personagem com botões faciais podem ser confusos, o combate contra inimigos menores cansa rápido e o boss rush final parece uma muleta para esticar a duração. Para quem ama puzzles em VR e não se importa com diálogos expositivos, é um prato cheio.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • O jogo exige um headset de realidade virtual: funciona com PS VR2 no PS5 (também compatível com PS VR via adaptador no PS5).
  • A campanha principal dura entre 5 e 8 horas, com 32 fases e 5 chefes. Há replay para buscar 3 estrelas e orbs escondidos em cada nível.
  • Opções de conforto incluem locomoção suave, teleporte, virada por clique e viseiras opcionais. Ideal para quem sofre com enjoo em VR.
  • O cross-buy entre as versões digitais do PS VR e PS VR2 está disponível. Quem comprou a versão antiga pode jogar no headset novo sem custo extra.
  • A dublagem japonesa é excelente; a inglesa é criticada. O jogo dá escolha de idioma, mas as legendas em português não são confirmadas.

1. The Tale of Onogoro – PS5 (compatível com PS VR2)

The Tale of Onogoro impressiona logo de cara. A paleta vibrante, o cell-shaded impecável e as animações de Haru são de cair o queixo. Cada nova área traz um tema visual único (fogo, terra, vento) e os puzzles começam simples para depois exigir coordenação fina entre você e a sacerdotisa. As batalhas contra os Kami são o ponto alto: gigantes que parecem saídos de um anime, exigindo que você ataque pontos fracos enquanto protege Haru de ataques. A sensação de escala é algo que só a VR entrega bem. O maior defeito está no excesso de diálogo. Haru comenta tudo o que acontece, muitas vezes repetindo informações que você já captou. Não há um botão de pular cutscene óbvio, e isso transforma momentos de ação em pausas forçadas. Os controles para mover a pedra de Haru também pedem prática: em vez de movimentos naturais, você usa os botões faciais do controle, o que tira a imersão e pode causar erros em momentos críticos. O combate contra inimigos menores (Kenzoku) é simples e repetitivo, servindo mais como enchimento. No fim, Onogoro é um jogo de nicho. Quem já se encantou com títulos como I Expect You To Die ou The Room VR vai encontrar aqui puzzles igualmente bem desenhados e um mundo que pede exploração. Quem busca ação contínua ou não tolera ritmo quebrado por diálogos, melhor pular. Para fãs de VR dispostos a aturar uma parceira tagarela, a recompensa são momentos genuinamente mágicos de interação.

Prós

  • Visuais cell-shaded lindíssimos, com paleta vibrante e mundo imersivo
  • Puzzles criativos que evoluem em complexidade e usam elementos (fogo, terra, vento) de forma inteligente
  • Boss battles épicas contra Kami, que misturam puzzle e ação com escala impressionante
  • Sistema de parceria com Haru bem implementado: curar de mãos dadas e proteger a personagem cria vínculo real

Contras

  • Excesso de diálogos expositivos e cutscenes que interrompem o ritmo constantemente
  • Controles para mover Haru usando botões faciais são confusos e imprecisos

O que esperar do gameplay

A pegada de Onogoro é cooperativa com uma IA. Você move a pedra de Haru, ela usa seus poderes mágicos. Combinando os elementos, você resolve puzzles que vão desde queimar barreiras até redirecionar vento para acionar engrenagens. A progressão é linear: cinco mundos com subníveis, cada um culminando em um chefe. O sistema de 3 estrelas por puzzle incentiva voltar para melhorar o desempenho e encontrar orbs escondidos.

As batalhas contra os Kami são puzzles em si. Você precisa usar o ambiente, atacar pontos fracos com o poder certo e proteger Haru de ataques. A vida dela é compartilhada com a sua; curar exige parar e segurar as mãos dela, um gesto que reforça a parceria. Já os inimigos menores são mais irritantes que desafiadores. Eles aparecem para atrapalhar enquanto você tenta raciocinar.

No quesito conforto, o jogo oferece várias opções: locomoção suave, teleporte, rotação por clique e viseiras escuras nas bordas para reduzir enjoo. Isso é essencial para um jogo que pede movimentos precisos da cabeça e dos braços.

Para quem é (e para quem não é)

The Tale of Onogoro é um prato cheio para quem ama puzzles em VR e curte uma boa direção de arte. Se você gostou de jogos como The Room VR ou I Expect You To Die, vai encontrar aqui quebra-cabeças igualmente bem bolados, com o bônus de uma história mais presente. Também cai bem para quem sente falta de um jogo cooperativo com uma personagem virtual cativante. Haru é bem animada, mesmo sendo repetitiva.

Por outro lado, quem prefere ação contínua, com pouco texto e combate frenético, vai se frustrar. Os diálogos são longos e frequentes, e o combate contra os Kenzoku é tão simples que parece tarefa. Se você não tolera ritmo quebrado ou não curte puzzles, melhor passar longe.

Perguntas frequentes sobre review Onogoro PlayStation 5

Preciso de um PS VR2 para jogar no PS5?

Sim, a versão de PS5 exige o headset PlayStation VR2. Também funciona com o PS VR original no PS5, desde que você tenha o adaptador de câmera.

Quanto tempo dura a campanha?

Entre 5 e 8 horas para a história principal, dependendo do seu ritmo. Completar todos os objetivos (3 estrelas e orbs) pode levar até 8h30.

Tem suporte a cross-buy entre PS VR e PS VR2?

Sim, se você comprou a versão digital para PS VR, pode baixar a versão de PS VR2 sem custo extra.

O jogo tem opções de conforto para enjoo?

Sim, oferece locomoção suave, teleporte, virada por clique e viseiras opcionais. Dá para ajustar bem.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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