Metal Slug Tactics: o tático que testa seus nervos (e seu amor pela série)

Metal Slug sempre foi correria, explosão e tiroteio sem pausa. Leikir Studio e Dotemu fizeram algo ousado: transformaram a franquia mais frenética dos fliperamas em um RPG tático por turnos. Parece loucura. Em muitos momentos, funciona como uma boa loucura.

Em vez de correr e atirar, você agora calcula cada passo em um grid isométrico. Andar não é só locomoção: cada quadrado percorrido enche a barra de adrenalina e torna o soldado mais escorregadio. Posicione três personagens no ângulo certo e o ataque SYNC varre o mapa. A pixel art de Tee Lopes é um banho de nostalgia, mas a paciência exigida aqui a série original nunca pediu.

Se você encara isso como uma experiência nova, o jogo entrega dezenas de horas: 110 mapas, 36 armas, 176 modificadores, nove personagens. Se espera a mesma correria de antes, a frustração vem rápido. Vale a pena para quem curte tática e não tem medo de repetir? Sim, se o desafio for seu combustível.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Prepare-se para morrer muito. A primeira run pode acabar em minutos. A dificuldade é alta desde o início.
  • Morte = recomeço, mas upgrades permanentes reduzem o atrito com o tempo. Cada tentativa deixa algo para a próxima.
  • Movimento é recurso crítico: andar gera defesa e energia. Ficar parado é pedir para tomar dano.
  • O conteúdo é generoso: mesmo depois de zerar, há personagens e armas para desbloquear. Rejogabilidade garantida.

1. Metal Slug Tactics PS5

Metal Slug Tactics troca a ação desenfreada por turnos calculados. No PS5, carrega rápido e o visual é impecável, mas a alta dificuldade e a estrutura roguelite afastam quem busca algo casual. Movimentar cada soldado gera adrenalina e esquiva; um ataque SYNC bem-sucedido elimina três inimigos de uma vez. sensação de gênio tático. São 110 mapas artesanais, quatro regiões com chefes, e um posto avançado para upgrades entre as tentativas. A trilha sonora de Tee Lopes e a pixel art fluida são nostálgicas, mas o jogo não esconde sua crueldade: curva de aprendizado íngreme, inimigos que surgem do nada, e um tutorial que termina com reset. Para fãs de tática com estômago para desafio, é prato cheio. Para quem prefere linearidade ou menos punição, melhor passar longe.

Prós

  • Pixel art belíssimo e animações fluidas que homenageiam a série clássica
  • Sistema SYNC de ataques simultâneos recompensa posicionamento estratégico
  • Grande quantidade de conteúdo desbloqueável: 9 personagens, 36 armas, 176 mods
  • Trilha sonora de Tee Lopes é marcante e combina perfeitamente com o clima

Contras

  • Dificuldade alta e punitiva, especialmente nas primeiras horas
  • Estrutura roguelite pode frustrar com repetição e perda de progresso

Cada passo é uma decisão

Andar gera adrenalina. Andar gera esquiva. Andar é sobrevivência. Você controla três soldados em um grid isométrico, dois pontos de ação por turno. Ficar parado é pedir dano. A cobertura reduz o dano em dois pontos, mas a linha de visão trai: inimigos em elevação ou atrás de obstáculos exigem reposicionamento constante. O sistema SYNC é o coração do jogo: quando dois ou mais aliados miram o mesmo inimigo, o disparo simultâneo pode virar o jogo. Um SYNC bem colocado elimina três ameaças de uma vez. pura satisfação tática.

Mas não espere previsibilidade. Inimigos não mostram seus alvos, e o spawn pode colocar tropas ao lado dos seus soldados do nada. A sorte dita a distribuição de recursos entre runs. Há uma função de reiniciar turno (duas por missão) que salva vidas, mas usá-la no momento errado pode significar resetar a campanha inteira. A tensão está em cada movimento.

Conteúdo farta, progressão que testa a paciência

Argun, Herkanet, Soursop, Sirocco: quatro regiões que você vai ver de novo e de novo. Cada uma com cerca de nove missões e um chefe. São 110 mapas feitos à mão, mas a ordem e os objetivos mudam a cada tentativa graças ao roguelite. Você começa com Marco, Eri e Tarma; os outros seis personagens são desbloqueáveis com o tempo, assim como novas armas e modificadores. O Posto Avançado entre as runs permite comprar upgrades permanentes.

Uma run completa dura 45 minutos por região. Morrer? Volta ao início. Você mantém upgrades, mas perde o progresso da missão. Para completar 100%, prepare mais de 50 horas e uma boa dose de sorte. O jogo não esconde que exige dedicação. Se você prefere progresso constante e partidas rápidas, a repetição pode cansar.

Visual e som: um deleite nostálgico

Os pixels gordinhos do Metal Slug estão de volta, agora num tabuleiro isométrico. As animações são fluidas, os chefões são enormes e cada região tem paleta de cores distinta. Impossível não sorrir ao ver aqueles soldados correndo e pulando como nos arcades.

Tee Lopes entrega faixas que grudam no cérebro. Sintetizadores pesados e grooves que lembram SNK, mas com personalidade própria. O som das armas e explosões é satisfatório, e os efeitos de SYNC fazem a tela tremer. Tudo funciona para manter a imersão, mesmo depois de várias derrotas.

Performance no PS5: carregamento rápido, mas com tropeços

Carregamento em segundos, taxa de quadros estável. O pixel art escala em 4K sem perder a nitidez. Mas há tropeços: inimigos que ficam presos em geometria, animações que travam por um frame, ataques que não registram corretamente. Nada que quebre a experiência, mas corta o embalo. A Dotemu já lançou patches, então a tendência é melhorar.

Para quem é (e para quem não é) este jogo

Se você ama tática e não se importa de repetir, Metal Slug Tactics é seu lugar. Fãs de Into the Breach, Wargroove ou XCOM vão encontrar um primo distante com personalidade própria. Também é prato cheio para saudosistas que aceitam ver a franquia por um novo ângulo.

Se prefere campanha linear sem morte permanente, melhor buscar outro jogo. O jogo exige concentração e planejamento, e o tutorial inicial é longo e confuso. termina com um reset que desanima. Não é para casuais.

Perguntas frequentes sobre review Metal Slug Tactics PlayStation 5

Metal Slug Tactics é muito difícil?

Sim, a dificuldade é alta e punitiva, especialmente nas primeiras tentativas. A estrutura roguelite exige aprender com os erros e repetir missões. Há uma curva de aprendizado íngreme, mas upgrades permanentes ajudam com o tempo.

Quanto tempo leva para zerar?

A campanha principal leva cerca de 7 horas, mas para ver tudo (todos os personagens, armas e mods) a estimativa sobe para mais de 50 horas. O jogo é feito para ser repetido.

O jogo tem modo multiplayer?

Não, Metal Slug Tactics é exclusivamente single-player. Não há cooperativo nem competitivo.

Vale a pena para quem não jogou Metal Slug original?

Depende. Se você gosta de RPG tático e roguelite, sim, o jogo se sustenta sozinho. A nostalgia é um bônus, mas não um requisito.

O jogo tem suporte a português?

Sim, o game conta com legendas em português brasileiro, o que facilita a imersão.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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