Lies of P no PS5: o soulslike que não esconde a inspiração em Bloodborne

Poucos jogos chegam com a corda no pescoço de ser comparado a Bloodborne antes mesmo de sair da caixa. Lies of P, da Neowiz e Round8, não só aceita essa comparação como parece pedir por ela. E, para surpresa de quem esperava um clone meia-boca, o bicho entrega com sobras, mas com algumas escolhas questionáveis de design.

Você está na rua de paralelepípedo, lampião a gás tremeluzindo, e um boneco de porcelana parte pra cima com um guarda-chuva que vira lança. O som do impacto, o brilho do Perfect Guard, a barra de postura se quebrando. Krat é um personagem por si só: suja, elegante, decadente. E você é Pinóquio, mas aqui o nariz não cresce; ele vira arma.

O combate é o centro de tudo. Parry, esquiva, bloqueio: o trio de sempre, mas com um timing que exige convicção. Acertar o Perfect Guard não é opcional nos chefes mais brutos, e a sensação de desmontar um inimigo com uma arma que você mesmo montou, misturando lâmina e cabo, é uma satisfação que poucos soulslikes conseguem entregar. Lies of P não reinventa a roda, mas capricha no que se propõe.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Bloodborne e Sekiro são referências diretas: o combate agressivo e a precisão são os mesmos, e você se sente em casa.
  • Exploração aqui é corredor com atalhos, não mapa aberto. Se você gosta de se perder e achar segredos, Krat pode parecer pequena.
  • A dificuldade é alta, mas justa na maior parte do tempo. Picos de frustração existem, mas o jogo recompensa persistência.
  • A campanha principal é densa, com New Game+ e múltiplos finais incentivando rejogadas.
  • A DLC Overture adiciona conteúdo prequela para quem quer mergulhar ainda mais no universo de Krat.

1. Lies of P (PS5): o soulslike da Belle Époque que acerta no essencial

Um chefe gigante avança, o chão treme, e você precisa acertar três Perfect Guards seguidos para quebrar a postura dele. O Legion Arm de fogo queima os lacaios enquanto você prepara o próximo golpe. Lies of P entrega momentos assim com frequência. A montagem de armas é genial: uma lâmina pesada em um cabo rápido cria um moveset híbrido que muda completamente o ritmo. O problema? O level design é quase sempre um corredor bonito, e a câmera, em arenas apertadas, vira inimiga. Ainda assim, para quem quer mais soulslike sem rejogar Dark Souls pela quinta vez, é um dos melhores. A DLC Overture já está disponível e expande a lore com novos chefes e áreas.

Prós

  • Combate fluido e responsivo, com parry e esquiva que exigem precisão
  • Atmosfera e direção de arte impecáveis, com Krat visualmente rica e sombria
  • Sistema de montagem de armas (lâmina + cabo) criativo e que incentiva experimentação
  • Narrativa mais direta que a média dos soulslikes, com referências bem costuradas a Pinóquio
  • Performance sólida no PS5 com carregamentos rápidos e 60 fps consistentes

Contras

  • Level design excessivamente linear, com poucas áreas secretas ou rotas alternativas
  • Derivado ao extremo de Bloodborne: falta identidade visual e mecânica própria

Combate que pede ritmo e convicção

Um boneco de porcelana avança com um guarda-chuva que vira lança. Você aperta L1 no instante certo: o som metálico do Perfect Guard, a postura dele se desfaz, e um contra-ataque abre um rombo na barra de HP. Errou o timing? O dano residual passa, e você sangra um pouco de HP recuperável acertando golpes rápidos. É Bloodborne em essência, mas com uma precisão que exige mais disciplina.

As armas são montadas em duas partes: lâmina e cabo. Uma lâmina pesada com cabo rápido pode ter um moveset híbrido, enquanto um cabo pesado com lâmina leve prioriza alcance. Na prática, você personaliza o estilo de jogo sem ficar refém de uma arma fixa. O Legion Arm, um braço mecânico que substitui a mão esquerda, adiciona opções como lança-chamas, gancho de puxar e um escudo de choque. Cada um tem usos situacionais que podem virar uma luta contra chefe.

Os chefes têm múltiplas fases e exigem leitura de padrões. Um deles começa com golpes lentos e pesados, mas na segunda fase acelera o ritmo e adiciona ataques em área. A arena é geralmente um quadrado com obstáculos, e a câmera pode perder o personagem se você ficar perto da parede, uma reclamação recorrente entre jogadores.

Krat: beleza podre, mas sem atalhos criativos

Luz de gás reflete em vitrais manchados de sangue. Ruas de paralelepípedo levam a becos que terminam em portas trancadas. Krat é linda, mas a exploração é um corredor. Você segue, encontra um atalho que conecta ao checkpoint anterior, e pronto. Não há áreas secretas escondidas, nem rotas opcionais que recompensam curiosidade. Comparado com Anor Londo ou até mesmo a Catedral da Cura, Krat é bonita mas enxuta demais.

O sistema de mentiras é a grande promessa narrativa, mas ele só mostra a cara no final. Durante a maior parte da campanha, suas escolhas entre mentir ou dizer a verdade alteram diálogos, mas a trama principal segue firme até o terceiro ato, onde você desbloqueia um dos três finais. É uma pena que a moralidade não tenha mais impacto nas missões secundárias ou no comportamento dos NPCs: fica a sensação de um recurso subaproveitado.

Onde Lies of P tropeça e onde brilha

Falta um soulslike novo? Lies of P entrega combate tenso, mundo coeso e progressão satisfatória. A DLC Overture expande a história com uma prequela e novos chefes. A comunidade abraçou o jogo como um dos melhores soulslikes não-FromSoftware, e com razão.

Mas a falta de originalidade incomoda. Cada mecânica parece tirada de uma obra-prima do gênero: o parry é de Sekiro, a postura quebrada lembra Bloodborne, os atalhos são Dark Souls puro. Para quem quer algo novo, soa como cover de uma banda que você já ouviu até cansar. A câmera atrapalha em algumas lutas, especialmente quando o chefe é grande e a arena, pequena. E os inimigos comuns são frágeis demais: um combo bem encaixado os atordoa em loop, tirando a tensão de certas áreas.

Perguntas frequentes sobre review Lies of P PlayStation 5

Lies of P é muito difícil?

Sim, a dificuldade é alta, especialmente nos chefes com múltiplas fases. Mas o jogo é justo: você pode ajustar a build, farmar Ergo e aprender os padrões. Não há vergonha em morrer várias vezes, o jogo foi feito para isso.

Vale a pena jogar no PS5?

Totalmente. A versão de PS5 roda a 60 fps estáveis, com carregamentos muito rápidos. Os gatilhos adaptáveis e o feedback tátil do DualSense são usados de forma sutil, mas a performance é o grande destaque.

Quantos finais existem?

Três finais, determinados pela sua escolha de mentir ou dizer a verdade ao longo do jogo (e decisões específicas no terceiro ato). Para ver todos, você precisa de pelo menos três playthroughs ou usar o New Game+.

A DLC Overture é necessária?

Não é necessária para a experiência principal, mas funciona como uma prequela que expande a lore de Krat e adiciona novos chefes e armas. Se você gostou da campanha base, é um complemento excelente.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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