Review Last Time I Saw You no PS5: arte e emoção que grudam na alma

Ayumi acorda de um sonho estranho. A mãe pede cenouras. Cem ienes no bolso, você sai pela vila de Amatsu, e o primeiro quadro já vale o jogo: telhados de cerâmica, montanhas ao fundo, um sol dourado que parece pintado a mão. Last Time I Saw You não esconde suas intenções. é uma aventura narrativa que aposta tudo na beleza visual e na emoção. E, na maior parte do tempo, acerta.

Desenvolvido pelo Maboroshi Artworks e publicado pela Chorus Worldwide, o título chegou em outubro de 2024 para várias plataformas. Testei no PS5. O que encontrei foi uma experiência curta (umas 6 horas de campanha, até 10 com extras), emocionante e, em vários momentos, deslumbrante. Mas o gameplay simples e alguns problemas de ritmo pedem que você saiba exatamente o que está comprando.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Foco total em narrativa e arte: se você se emociona com uma história bem contada e visuais feitos à mão, esse jogo entrega com sobras.
  • Gameplay minimalista: exploração 2D, puzzles leves, combate básico com taco de beisebol. Não espere ação ou desafio mecânico.
  • Duração entre 6 e 10 horas. A campanha principal leva umas 6 horas; com side quests e colecionáveis, chega a 10. Ideal para uma ou duas tardes.
  • Prepare-se para andar. Muito. Não há fast travel, e algumas missões exigem cruzar a mesma tela várias vezes. O backtracking cansa.
  • O minigame '5 Dragons Legend' é brutal. Um platformer 8-bit punitivo. Se você caça troféus, vai suar.

1. Last Time I Saw You – Edição Padrão para PlayStation 5

A mãe manda Ayumi comprar cenouras. Cem ienes, uma caminhada pela vila, e você já está dentro do Japão rural dos anos 80. Cada cenário é uma ilustração viva: os telhados, as árvores, o sorriso do vizinho. A trilha sonora com shamisen e flauta envolve tudo. Parece um filme do Studio Ghibli que você pode atravessar. O gameplay é direto: andar, pular, conversar, coletar itens, bater em sombras com um taco. O combate é simples. bater e desviar. e não evolui. A graça está em explorar, ajudar os moradores, descobrir segredos. O diário de Ayumi organiza missões e colecionáveis com um toque pessoal. Mas a falta de fast travel pesa. Atravessar a floresta pela quinta vez para entregar um objeto cansa. Onde o jogo brilha é na narrativa. A história de amadurecimento, primeiro amor e maldição é contada com sensibilidade. Cada NPC tem personalidade. o amigo Nao, os yokai, os corvos samurai. As referências ao tufão Jebi de 2018 dão uma camada de realismo emocional. O minigame '5 Dragons Legend' é um contraste incômodo: difícil demais, com colisões injustas. Para relaxar, ele trava. Visualmente, é um deleite. As animações são fluidas, o uso de cores é inteligente. No PS5, o jogo roda bem, mas notei quedas de frame em áreas mais densas da floresta. Nada grave. Quem busca emoção genuína e paisagens de pintura vai encontrar um tesouro. Quem espera ação ou desafio, vai se frustrar. Recomendo de olhos fechados para fãs de 'A Space for the Unbound', 'Night in the Woods' e qualquer um que já se perdeu em um quadro do Ghibli.

Prós

  • Arte desenhada à mão digna de Studio Ghibli. cada cenário é uma pintura
  • Narrativa emocionante sobre amor, perda e amadurecimento, com personagens cativantes
  • Trilha sonora relaxante e atmosférica, que casa perfeitamente com o tom
  • Duração na medida certa para uma experiência intensa sem se arrastar
  • Diário e sistema de missões bem organizados, incentivam exploração

Contras

  • Gameplay simples demais para quem busca ação ou desafio
  • Backtracking excessivo sem fast travel, torna algumas partes tediosas

Uma carta de amor aos anos 80 e ao traço japonês

O sol dourado ilumina o telhado da vila quando Ayumi sai de casa. Você esquece que está jogando. Cada árvore, cada muro, cada expressão dos habitantes foi desenhada com paciência de artesão. O estúdio Maboroshi Artworks acertou em cheio na paleta: cores quentes no cotidiano, tons frios no mundo espiritual. A atmosfera é tão poderosa que, mesmo quando o gameplay desacelera, você continua andando só para ver mais um quadro.

As animações dos yokai e dos corvos samurai têm personalidade. Um kappa que rouba objetos, um espírito que dança. tudo contribui para a sensação de que aquela vila respira folclore. A trilha sonora, com shamisen e flautas, completa o quadro. Num momento de silêncio na floresta, o som do vento e dos passos na grama cria uma imersão rara. É o tipo de jogo que você joga com fone de ouvido para não perder nenhum detalhe.

Gameplay: simples por opção, limitado por execução

R1 para correr, X para pular, Quadrado para atacar. Os controles são responsivos, o jogo ensina tudo rápido. Os puzzles são ambientais e raramente exigem mais que usar um item no lugar certo. Funciona para o tom relaxante, mas depois de algumas horas você sente falta de variedade. As missões secundárias são quase sempre fetch quests: vá até a vila, converse com alguém, volte com o objeto. Atravessar a mesma floresta pela quinta vez cansa. e não há fast travel.

O combate é o ponto mais fraco. Enfrentar sombras com golpes de taco não tem peso nem desafio. Você bate três vezes e elas somem. Não há evolução de habilidades ou armas. O jogo claramente prioriza a narrativa, mas um pouco mais de polimento na ação teria ajudado a manter o ritmo. O minigame '5 Dragons Legend' é um contraste brutal: difícil, com colisões injustas, parece que veio de outro jogo. Ele está lá para os caçadores de troféus, mas pode frustrar quem só quer relaxar.

Para quem realmente faz sentido embarcar nessa jornada

Last Time I Saw You não é para todo mundo, e saber disso antes de comprar faz toda a diferença. Ele é um prato cheio para quem ama jogos como A Space for the Unbound, Night in the Woods ou Until Then. aventuras narrativas que colocam história e atmosfera acima da mecânica. Se você se emociona com uma boa história, se encanta com arte feita à mão e não se importa com gameplay simples, vai encontrar aqui um dos jogos mais bonitos do ano. No lado oposto, quem busca ação constante, combate profundo ou plataforma desafiadora vai se decepcionar.

É também um jogo que pede paciência. O ritmo é calmo, os diálogos são longos, e você precisa estar disposto a explorar cada canto. As referências ao Japão dos anos 80. a escola, o videogame 8-bit, as lojinhas. são um mimo para quem curte a estética retrô. E, sim, você pode fazer carinho em um cachorro. Pequenos detalhes que fazem a experiência valer a pena, desde que você saiba o que está procurando.

Perguntas frequentes sobre review Last Time I Saw You PlayStation 5

Quantas horas dura Last Time I Saw You?

A campanha principal leva cerca de 6 horas. Com side quests e colecionáveis, chega a 8 horas. Para completistas que querem todos os troféus, a média é de 10 horas.

Last Time I Saw You tem legendas em português?

O jogo oferece suporte a 8 idiomas, incluindo inglês, espanhol, francês, alemão e japonês. Até o momento, não há confirmação oficial de legendas em português do Brasil.

O jogo é difícil?

O conteúdo principal é bem tranquilo, com combate simples e puzzles leves. O único pico de dificuldade está no minigame opcional '5 Dragons Legend', que é punitivo e pode exigir várias tentativas.

Last Time I Saw You tem modo multiplayer?

Não. É uma experiência totalmente single-player, focada em narrativa e exploração. Não há modos cooperativos ou competitivos.

Vale a pena no PS5 em comparação com outras plataformas?

A versão de PS5 roda bem, com carregamentos rápidos e controles precisos. Há pequenas quedas de framerate em áreas pontuais, mas nada que comprometa a experiência. O jogo é essencialmente o mesmo em todas as plataformas.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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