Kingdom Come: Deliverance II no PS5: Um épico medieval que exige paciência e recompensa com imersão

Henry acorda nu. Sujo. Em uma cabana de palha, sem memória de como chegou ali. Até ontem, ele era um guerreiro de respeito. hoje, precisa implorar por uma túnica e um pedaço de pão. Kingdom Come: Deliverance II não perde tempo em deixar claro: aqui você começa de baixo. E vai ralar para subir.

A sequência da Warhorse Studios começa minutos após o fim do primeiro jogo. Henry e Hans Capon seguiam para uma missão diplomática quando foram emboscados. Perderam tudo: espada, armadura, dinheiro, até a dignidade. Agora você precisa reconstruir o personagem do zero, usando cada habilidade repetidamente para melhorar. É progressão natural. quanto mais você luta, melhor fica; quanto mais conversa, mais opções de diálogo aparecem. Mas o jogo não facilita: cada erro custa caro, e só dá pra salvar com uma poção rara ou dormindo na sua cama.

Visualmente, o jogo é um colosso. Kutná Hora, uma das duas regiões, parece um cenário vivo: ruas de pedra, igrejas góticas, camponeses que reagem ao seu fedor de semanas sem banho. No PS5, o modo Performance sustenta 60 fps na maior parte do tempo, mas o pop-in nas áreas abertas denuncia a escala do mundo. O modo Fidelity entrega 4K a 30 fps, mas a fluidez do modo Performance é a escolha certa. No PS5 Pro, a experiência é ainda mais nítida, com 60 fps e texturas de alto nível.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • As primeiras horas são lentas. Muito lentas. O jogo te joga nu e sem rumo, e não segura a mão. Se você não tem paciência para tutoriais e progressão gradual, isso vai te irritar.
  • O realismo histórico é um show à parte, mas pode ser uma barreira. Quer ação descomplicada? Esquece. Aqui você precisa pensar antes de agir.
  • O sistema de salvamento é cruel. Salvar custa uma poção (Saviour Schnapps) ou uma cama própria. Prepare-se para refazer trechos longos quando algo der errado.
  • Combate em grupo? Evite. O 1v1 é tenso e gratificante, mas contra três bandidos vira uma bagunça confusa. Use furtividade, diálogo, ou o cão.
  • Conteúdo? Tem de sobra. Mais de 80 horas para a campanha principal com algumas side quests. É um dos RPGs mais densos do ano, então prepare o fôlego.

1. Kingdom Come: Deliverance II – PlayStation 5 – Edição Standard

Kingdom Come: Deliverance II é a definição de uma sequência que faz jus ao original e vai além. A Warhorse Studios entrega um RPG histórico épico, com uma narrativa que prende do começo ao fim, missões secundárias que rivalizam com as principais e um nível de imersão raro no gênero. Henry evolui de um pajem atrapalhado a uma peça chave na guerra civil da Boêmia, e cada escolha sua. desde como você se veste até quem você suborna. tem consequências reais no mundo ao redor. O combate corpo a corpo continua sendo o ponto alto: cada golpe exige leitura de ritmo, gerenciamento de resistência e posicionamento. Um duelo contra um cavaleiro armado até os dentes é tenso e gratificante. O problema surge quando você é cercado por três ou mais inimigos. o sistema de câmera e a falta de indicadores claros transformam o confronto em confusão. Felizmente, o jogo oferece alternativas: envenenar a comida do acampamento, usar o cão para distrair guardas ou simplesmente evitar o combate falando bonito. A ferraria e a alquimia são minigames detalhados que recompensam quem investe tempo. No PS5, a performance é consistente no modo Performance, com 60 fps na maior parte do tempo. O pop-in existe, mas não estraga a experiência. Alguns bugs visuais e de som ainda aparecem, mesmo após patches, mas nada que quebre a jogabilidade. Para quem busca um RPG denso, com história de peso e um mundo autêntico, Kingdom Come: Deliverance II é uma compra obrigatória. Não é um jogo para todos: exige paciência, tolerância a sistemas punitivos e amor pelo período medieval. Se você se encaixa nesse perfil, prepare-se para perder dezenas de horas na Boêmia.

Prós

  • Narrativa densa e bem escrita, com escolhas que realmente impactam o mundo
  • Mundo aberto autenticamente medieval, com duas regiões imensas e detalhadas
  • Missões secundárias de alta qualidade, muitas com múltiplas abordagens
  • Progressão baseada em uso de habilidades, recompensando dedicação
  • Combate 1v1 tático e satisfatório, com melhorias em relação ao primeiro jogo

Contras

  • Combate confuso e desbalanceado contra grupos de inimigos
  • Sistema de salvamento punitivo que pode frustrar nas primeiras horas

Combate e progressão: a arte de não morrer

Você está na floresta. Três bandidos te cercam. Você saca a espada, tenta mirar no líder, mas o segundo já flanqueou. A câmera não consegue focar, os golpes vêm de todos os lados, e sua barra de resistência despenca. Kingdom Come: Deliverance II brilha no 1v1. um duelo contra um cavaleiro blindado é um jogo de xadrez com aço. Mas quando a briga vira confusão, o sistema desmorona. A solução? Evite. Use furtividade, dialogue, suborne, envenene a comida. O jogo recompensa o planejamento, não o ímpeto.

A progressão por uso é um dos maiores acertos. Cada vez que você martela uma lâmina na forja, sua habilidade de ferreiro aumenta. Cada poção que prepara na alquimia, mais receitas desbloqueia. Henry começa fraco. não só na história, mas mecanicamente. e cresce conforme você joga. O sistema de necessidades adiciona realismo: aparecer sujo numa corte te fecha portas; ficar sem comer por horas reduz seu desempenho. São camadas que tornam cada decisão relevante.

Mundo e narrativa: a Boêmia viva

Kutná Hora é a estrela do show. Subindo a colina que leva à cidade, você vê as torres góticas recortadas contra o céu, o movimento de camponeses nas ruas de paralelepípedo, o cheiro de fumaça de lareiras. O mundo reage a você: se sua roupa está rasgada ou suja, guardas te tratam com desdém; se você usa uma armadura cara, comerciantes aumentam os preços. É imersão pura.

A narrativa principal é um novelão de 2,2 milhões de palavras, com mais de 5 horas de cutscenes. Henry e Hans Capon formam uma dupla carismática. os diálogos têm humor tcheco e reviravoltas políticas de verdade. As missões secundárias não são filler: cada uma tem história própria. Numa missão de infiltração num casamento, você pode trabalhar como ferreiro para ganhar acesso, subornar um guarda, ou convencer um bêbado a te ajudar. O jogo não julga. só reage. E suas escolhas ecoam até o final.

Perguntas frequentes sobre review Kingdom Come: Deliverance II PlayStation 5

Preciso jogar o primeiro Kingdom Come: Deliverance para entender a história?

Não é obrigatório, mas é recomendado. A sequência começa exatamente onde o primeiro terminou, e vários personagens e eventos são referenciados. As primeiras horas servem como tutorial, mas você vai perder detalhes importantes se pular o original.

Quanto tempo leva para zerar Kingdom Come: Deliverance II?

A campanha principal leva cerca de 80 horas, e com side quests e exploração, esse número pode passar de 100 horas. Para completistas, espere mais de 150 horas de conteúdo.

O jogo tem modo multiplayer ou cooperativo?

Não. É uma experiência estritamente single-player, focada em narrativa e exploração individual.

Qual a diferença entre os modos gráficos no PS5?

O modo Performance roda a 60 fps com resolução upscaled para 1440p, enquanto o modo Fidelity mantém 30 fps e resolução upscaled para 4K. O modo Performance é mais fluido, mas ambos apresentam pop-in. No PS5 Pro, é possível obter 60 fps com qualidade gráfica superior.

O jogo tem muitos bugs?

Ainda existem bugs, principalmente visuais e sonoros, mesmo após as atualizações. Eles não impedem a diversão, mas podem incomodar em momentos específicos.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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