Juicy Realm PS5: arte linda, diversão curta e frutas explosivas

Você invade uma sala cheia de lichias que rolam na sua direção. Um dash rápido desvia, e sua metralhadora transforma o chão em geleia roxa. Juicy Realm, da dupla independente SpaceCan Games, é um twin-stick shooter roguelike que desembarcou no PlayStation 5 com visual colorido de desenho animado dos anos 2000. A premissa é absurda: frutas se revoltaram, você é um soldado e precisa atirar em tudo que é suco e polpa.

A primeira impressão é de um jogo leve, quase brincadeira. Mas entre uma lichia que rola e uma melancia samurai que corre até cansar, Juicy Realm mostra que a bagunça tem método. Mais de 70 armas, 10 personagens com habilidades únicas, e um loop de correr, atirar, dash e repetir que vicia por algumas horas.

A pergunta que fica: esse encanto sustenta o preço? Ou a curta duração e a repetição de salas acabam com a graça antes do esperado? Vamos mergulhar na versão de PS5 para entender onde o jogo acerta e onde tropeça.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Cada run dura de 40 a 60 minutos, e a campanha principal se completa em cerca de 1h30. O modo difícil e os desbloqueáveis estendem a vida para quem curte repetir.
  • Cooperativo local para duas pessoas, mas sem modo online. Se a ideia é jogar com alguém longe, isso é um ponto contra.
  • Texto em inglês, japonês, coreano e chinês, sem legendas em português. A história é simples, mas vale saber.
  • Versão física para PS5 lançada pela PM Studios em maio de 2024. A digital chegou antes, em março. Conteúdo idêntico.

1. Juicy Realm (PS5). Twin-stick shooter roguelike com arte de biboX

Juicy Realm conquista pelo visual e pela proposta descompromissada. A arte hand-drawn é o ponto alto: cada personagem e inimigo tem personalidade, as cores vibram, e as onomatopeias 'Boooom' estampadas na tela dão um charme nostálgico de fliperama. A trilha sonora, infelizmente, não acompanha. É funcional, mas repetitiva depois de algumas runs. Muitos jogadores desligam a música e deixam só os efeitos sonoros, que são bons. O combate twin-stick é fluido. O analógico esquerdo move, o direito mira, e o dash se torna seu melhor amigo. A auto-mira ajuda iniciantes, mas a falta de auto-fire cansa o dedo em sessões longas. Cada personagem tem habilidade passiva e invocação. As armas variam de metralhadoras a teclados que atiram teclas e baguetes hilárias. O problema é que as armas corpo a corpo são praticamente inúteis. Você vai querer ficar na distância. A progressão usa badges e a moeda sementes para melhorar atributos no hub central. Não espere uma árvore de habilidades complexa. É mais sobre encontrar builds legais em cada run. O cooperativo local transforma o caos em diversão compartilhada, mas a ausência de multiplayer online limita o alcance. Para quem busca um roguelike rápido para jogar entre compromissos, Juicy Realm entrega. O problema é que ele não segura por muitas horas. A repetição de salas e inimigos, combinada com uma IA simplória (os frutos mal notam sua presença até você atirar), faz cada run parecer déjà vu. O modo difícil e a caça aos troféus (incluindo a platina rara) estendem a vida, mas não mudam o DNA. No fim, Juicy Realm é prato cheio para quem ama arte vibrante e diversão despretensiosa. Se você encara roguelites como sobremesa, vai se divertir. Se espera um jogo que prenda por dezenas de horas, melhor passar reto.

Prós

  • Arte hand-drawn vibrante e cheia de personalidade
  • Mais de 70 armas criativas e hilárias
  • Cooperativo local divertido e caótico
  • Controles responsivos com dash e auto-mira

Contras

  • Campanha principal muito curta (cerca de 1h30)
  • Armas melee praticamente inviáveis

O visual que rouba a cena

Juicy Realm é um caso raro de jogo que você compra pelo olho e descobre que o resto segura bem o tranco. Cada bioma tem paleta viva, os personagens têm animações suaves e os inimigos frutíferos são um show: uma lichia que foge rolando, uma melancia samurai ofegante depois de uma corrida. Acerto de design que poucos jogos alcançam. A direção de arte de biboX merece todos os elogios, e o prêmio de Excelência em Arte Visual no indiePlay não é à toa.

Os efeitos sonoros são pontuais e satisfatórios, especialmente tiros e explosões. A trilha, porém, cansa. Depois de algumas salas, a mesma música em loop e sem variação. Felizmente, o jogo permite diminuir a música quase a zero, e é assim que a maioria joga.

Outro detalhe: sem dublagem e legendas só em inglês ou idiomas asiáticos. O português ficou de fora. A história é simples, mas o jargão das armas e upgrades pode confundir.

Loop de gameplay: correr, atirar, repetir

Você entra em uma sala, elimina os inimigos, coleta moedas e sementes, segue para a próxima. No fim da área, um chefe. Repita por quatro áreas até o final. Cada run dura entre 40 e 60 minutos, e a graça está na variedade de armas: uma hora uma metralhadora laser, na outra um teclado que cospe teclas ou uma galinha bombardeira. A imprevisibilidade é o tempero.

O sistema de badges adiciona uma camada: cada badge dá um bônus, e acumular o mesmo melhora seu efeito. Você pode trocá-los entre runs, incentivando experimentação. Mas a IA dos inimigos é ingênua. Eles reagem só quando você está na linha de visão e esquecem rápido. Isso reduz a tensão e faz as salas parecerem vazias de desafio.

O cooperativo local é onde o jogo brilha. Ter um amigo ao lado divide os inimigos e multiplica o caos. Dá para combinar habilidades e criar estratégias improvisadas. Falta multiplayer online, porém. Sem parceiro no sofá, perde-se boa parte da diversão.

Para quem Juicy Realm faz sentido?

Se você gosta de roguelites como Binding of Isaac ou Enter the Gungeon, mas quer algo mais leve e menos punitivo, Juicy Realm é um bom encaixe. Não exige reflexos de speedrun nem conhecimento profundo de builds. É um jogo para sessões curtas, desligar o cérebro e rir com armas absurdas.

Agora, se você busca profundidade, progressão significativa ou dezenas de horas de conteúdo novo, a frustração vai aparecer rápido. O jogo não se leva a sério, e isso é parte do charme, mas significa que depois de algumas horas você já viu quase tudo. O modo difícil e a caça aos troféus estendem a vida, mas a repetição das mesmas salas e inimigos pesa.

No fim, é uma experiência honesta: não promete mais do que entrega. Se você entrar sabendo que é um jogo de sobremesa, vai sair satisfeito.

Perguntas frequentes sobre review Juicy Realm PlayStation 5

Quanto tempo dura Juicy Realm?

Cada run leva entre 40 e 60 minutos. A campanha principal completa em cerca de 1h30. Para quem busca 100% dos troféus e completar o modo difícil, pode chegar a 30 horas.

Juicy Realm tem modo cooperativo online?

Não. O cooperativo é apenas local, para duas pessoas no mesmo console. Não há suporte a multiplayer online.

O jogo tem legendas em português?

Não. O texto está em inglês, japonês, coreano e chinês simplificado/tradicional. A descrição na loja pode estar em português, mas o jogo em si não possui tradução para o nosso idioma.

Vale a pena comprar a versão física para PS5?

A versão física, publicada pela PM Studios em maio de 2024, é uma opção para colecionadores. O conteúdo é o mesmo da digital lançada em março. A escolha depende mais do formato que você prefere.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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