Judgment começa com um corpo num beco e um detetive que carrega mais culpa do que orgulho. Em minutos, fica claro que este não é um spin-off qualquer de Yakuza. Takayuki Yagami, ex-advogado que virou investigador particular, arrasta o jogador para um caso de serial killer que mexe com os pilares de Kamurocho. A trama é densa, os diálogos têm peso, e a direção de cena faz cada revelação doer na medida certa. Mas o caminho até o desfecho é pavimentado com investigações que às vezes funcionam, às vezes emperram.
O combate é a cara da série: socos que ecoam, esquivas acrobáticas e uma coreografia de briga de rua que não cansa. Judgment refina a fórmula com dois estilos de luta (Crane para grupos, Tiger para alvos únicos) e adiciona ferramentas de detetive como drone, disfarces e arrombamento. No PS5, o jogo voa: 60fps consistentes, carregamento que some, iluminação que faz Kamurocho brilhar. Mas será que o pacote todo justifica o investimento? A resposta depende de quanto você tolera missões de perseguição tediosas em troca de uma das melhores histórias do gênero.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Se você vibra com reviravoltas que mudam tudo e diálogos que pesam, Judgment é seu jogo.
- Combate de ação com troca de estilos e golpes cinematográficos? Tem de sobra.
- Prepare-se: missões de perseguição e investigação repetitivas podem quebrar o ritmo.
- No PS5, são 60fps, carregamento rápido e todas as DLCs. Mas não há upgrade gratuito da versão PS4.
1. Judgment (PS5): thriller policial com ação visceral e investigação irregular
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Judgment acerta em cheio no que realmente importa: a história. Yagami é um protagonista carregado por um drama pessoal que se entrelaça com o caso de um serial killer que arranca os olhos das vítimas. A narrativa é bem amarrada, cheia de suspeitos críveis e reviravoltas que surpreendem de verdade. Os coadjuvantes, como o parceiro Kaito, têm camadas que vão além do estereótipo, e o roteiro não foge de temas pesados como justiça e redenção. É o motivo principal para encarar as 25 a 30 horas de campanha. O combate? É diversão pura. Dois estilos que se alternam na hora certa e EX Actions que viram espetáculo. O sistema de Ferimentos Mortais força o jogador a gerenciar a vida máxima, adicionando uma camada tática. Mas a árvore de habilidades é tão generosa que logo Yagami vira um soco imparável, e o desafio diminui mais rápido do que deveria. A investigação, infelizmente, é o calcanhar de Aquiles. Perseguir suspeitos por becos estreitos, coletar pistas em cenas de crime e usar o drone para vigilância são ideias legais, mas a execução cansa. As missões de tailing são as piores: você segue um alvo a passo de tartaruga, desviando de obstáculos, enquanto a câmera teima em não colaborar. Felizmente, essas seções não dominam o jogo, mas aparecem com frequência suficiente para arrancar suspiros. Tecnicamente, o PS5 é um show à parte. A resolução fica próxima de 1440p e sobe bem em 4K, com 60fps sólidos. O carregamento cai de 35 segundos no PS4 Pro para seis, praticamente instantâneo. A iluminação repaginada e a paleta mais natural dão nova vida a Kamurocho, e a trilha jazzística completa a imersão. A dublagem em japonês ou inglês (com legendas em ambos) é de alto nível. No fim, Judgment é um prato cheio para quem busca uma aventura narrativa forte com ação visceral. Fãs de Yakuza se sentem em casa; novatos estranham o ritmo mais lento e algumas decisões datadas. Se você encara missões de perseguição como um mal necessário para chegar à próxima cutscene emocionante, não se arrepende.
Prós
- História envolvente com personagens marcantes e reviravoltas genuínas
- Combate fluido com dois estilos distintos e EX Actions espetaculares
- Desempenho excelente no PS5: 60fps consistentes e carregamento quase instantâneo
- Grande quantidade de conteúdo: side quests, minigames, colecionáveis e New Game+
- Localização caprichada com áudio dual (japonês/inglês) e legendas em ambos
Contras
- Investigação superficial: examinar cenas se resume a achar pontos brilhantes, e as perseguições (tailing) são lentas e repetitivas
- Missões de perseguição quebram o ritmo, forçando o jogador a seguir alvos em velocidade de tartaruga
A narrativa que segura o volante
O primeiro capítulo já mostra a que veio: um corpo sem olhos, um detetive atormentado e uma cidade que esconde mais do que revela. A trama de Judgment é densa, cheia de suspeitos que mudam de cara conforme as pistas aparecem. Yagami não é um herói genérico; ele carrega o peso de um erro do passado que o levou a abandonar a advocacia. O caso do serial killer 'A Toupeira' é repleto de pistas falsas e reviravoltas que realmente pegam desprevenido. Kamurocho, com seus becos neon e personagens excêntricos, cria o pano de fundo perfeito para um thriller noir moderno. As cutscenes são longas, mas bem dirigidas e com atuações que sustentam o drama.
Tanto a dublagem japonesa com Takuya Kimura quanto a inglesa são de alto nível, e as legendas em português ou inglês estão disponíveis. A equipe de localização da SEGA América, responsável pela série Yakuza, caprichou nas adaptações, mantendo o tom sério e o humor ácido das missões secundárias. Essas side quests equilibram o drama pesado com situações absurdas e engraçadas, dando respiro entre os momentos mais tensos.
Combate que funciona, investigação que atrapalha
Quando o assunto é porrada, Judgment entrega. Os dois estilos de luta (Crane para grupos, Tiger para alvos únicos) lembram Yakuza 0, mas com movimentos mais ágeis e acrobáticos. Os EX Actions são um show: cada golpe especial tem coreografia própria, e a câmera captura a dramaticidade do momento. O problema? A progressão de habilidades é tão generosa que em poucas horas Yagami se torna um soco imparável, e o desafio se dissipa. Para quem gosta de sentir crescimento, é bacana; para quem busca desafio, a dificuldade decepciona.
Já as mecânicas de detetive… são o ponto fraco. Examinar cenas de crime em primeira pessoa é funcional, mas a lógica de 'encontrar o ponto brilhante' parece coisa de jogo de 2010. As missões de perseguição (tailing) são o maior pecado: você segue um suspeito por becos estreitos, desviando de lixos e guarda-chuvas, enquanto a câmera teima em não colaborar. Felizmente, o uso do drone e os disfarces quebram um pouco a monotonia, mas a investigação nunca deixa de ser uma camada fina sobre um ótimo beat 'em up.
A versão PS5: por que ela é a definitiva
O PS5 transforma Judgment. 60fps fixos, carregamento instantâneo, iluminação que faz cada letreiro de neon brilhar mais. A resolução fica próxima de 1440p e sobe bem em 4K. Entrar e sair de lojas, mudar de área ou reiniciar leva segundos. A remasterização inclui todas as DLCs lançadas. É o pacote completo. Kamurocho nunca esteve tão vivo.
Ausência de suporte ao DualSense? Decepciona, sim. Gatilhos adaptáveis e feedback háptico poderiam elevar a imersão. E não há upgrade gratuito: quem tem a versão de PS4 precisa comprar de novo. Dito isso, para quem está chegando agora ou nunca jogou no PS4, o preço cheio é justificado pelo conteúdo extenso e pela melhor performance possível. Judgment no PS5 é a forma mais redonda de viver essa história intensa, mesmo que alguns tropeços de design ainda doam.
Perguntas frequentes sobre review Judgment PlayStation 5
Judgment é um jogo independente ou preciso conhecer Yakuza?
É totalmente independente. A história é autossuficiente, com novos personagens e trama própria. Está no mesmo universo, mas você não precisa ter jogado Yakuza para entender ou aproveitar Judgment.
Quanto tempo dura a campanha principal?
A campanha principal leva entre 25 e 30 horas. Com side quests e minigames, sobe para 40 a 46 horas. Para completistas, o 100% passa de 95 horas.
Vale a pena no PS5 mesmo já tendo no PS4?
Se o dinheiro não for problema, o salto vale: 60fps, carregamento rápido e iluminação melhorada. Quem tem a versão de PS4 e não quer gastar de novo pode ficar tranquilo, o jogo base já é ótimo.
As mecânicas de detetive são boas?
São funcionais, mas superficiais. Examinar cenas e usar o drone é legal, mas as missões de perseguição (tailing) são repetitivas e frustrantes. O foco principal do jogo está na história e no combate, não na investigação.
Tem modo multiplayer?
Não, Judgment é exclusivamente single-player. Toda a experiência é focada na campanha, side quests e minigames para um jogador.
