Review John Carpenter’s Toxic Commando: caos cooperativo com estilo anos 80 no PS5

John Carpenter emprestou seu nome e sua aura de terror anos 80 para um jogo que não tem vergonha de ser exatamente o que parece: um coop de tiro com hordas, classes e muito caos. Toxic Commando chega pelas mãos da Saber Interactive (World War Z) e da Focus Entertainment, trazendo a promessa de destruir criaturas mutantes ao som de synthwave. Mas será que a execução sustenta a proposta?

Entre tiros, direção e mortes ao lado de amigos, ou de bots que mais atrapalham que ajudam, o veredito é claro: Toxic Commando acerta no essencial, a diversão em grupo. Mas tropeça em repetição, conteúdo enxuto e uma exigência online que pode afastar parte do público.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Esse jogo é feito para ser jogado com amigos: sozinho, a experiência perde muito.
  • A campanha tem cerca de 8 a 10 horas no Normal, com replay em dificuldades maiores.
  • Exige conexão com internet constante, mesmo no modo solo.
  • As 4 classes (Strike, Medic, Operator, Defender) têm sinergia e árvores de habilidade.
  • Veículos são parte central do combate e da locomoção, com física que lembra SnowRunner.

1. John Carpenter's Toxic Commando (PlayStation 5) – FPS cooperativo com hordas e veículos

A primeira impressão é de um tiro certeiro na nostalgia: a abertura já entrega synthwaves, sangue grudento e um tom de filme B que Carpenter sabe fazer bem. Mas o que realmente segura o jogo é a combinação entre tiroteio pesado e o sistema de classes. Cada uma das quatro classes tem habilidades específicas: o Médico cura, o Defensor levanta escudo, o Strike avança no soco e o Operador marca alvos. Jogando em equipe, a sinergia aparece naturalmente: você compartilha munição, revive colegas e coordena ataques enquanto uma horda inteira escorre pelo cenário. Os veículos elevam a brincadeira. Eles não são só transporte: têm habilidades únicas, precisam de combustível e podem atolar na lama, e puxar um companheiro com o guincho vira um mini-game de tensão. A física dos veículos dá peso e personalidade, mas também pode frustrar quando o carro emperra no pior momento. O Swarm Engine da Saber é o show à parte: centenas de inimigos na tela sem engasgos, explodindo em pedaços e criando aquela bagunça deliciosa. O problema é que a repetição chega mais cedo do que devia. São 9 missões em 3 atos, com objetivos que alternam entre defender posição, escoltar algo ou coletar itens. Divertido nas primeiras horas, mas depois da quinta missão o cansaço bate. A história é quase inexistente: Carpenter colaborou na trilha e na atmosfera, mas o roteiro é só desculpa para atirar. A progressão das classes é legal, com árvore de habilidades e armas novas, mas a moeda Sludgite exige grind em dificuldades maiores. No PS5, o desempenho é estável e consistente, sem engasgos perceptíveis. A trilha sonora, composta por GUNSHIP com participação do próprio Carpenter, é o ponto alto: synthwave que gruda na cabeça e combina perfeitamente com a estética suja e radioativa dos cenários. Os menus e legendas estão em português do Brasil, o que ajuda na imersão. Toxic Commando é um prato cheio para quem tem um squad fixo e quer um coop direto, sem frescura. Para quem joga sozinho, a IA dos bots é tão ruim que quase inviabiliza a experiência. E, para quem busca inovação ou narrativa, é melhor procurar outro lado. No fim, é um jogo honesto que entrega o que promete, desde que você não esteja sozinho.

Prós

  • Combate intenso e classes com sinergia que incentivam o trabalho em equipe
  • Trilha sonora synthwave excelente, com a marca de John Carpenter
  • Swarm Engine impressiona com hordas massivas na tela
  • Veículos adicionam profundidade tática e momentos de tensão
  • Crossplay entre plataformas e legendas em português

Contras

  • Exige conexão online constante, sem modo offline
  • Campanha curta (cerca de 8 a 10 horas) e repetitiva

Jogabilidade e classes: mais do que atirar em hordas

O combate de Toxic Commando não é só mirar e atirar. Cada classe tem um papel que muda a dinâmica da equipe. O Strike pode avançar com metralhadora pesada, enquanto o Defender segura a linha com escudo e o Médico mantém todo mundo vivo. As habilidades têm cooldown longo, então você precisa usar no momento certo, torcendo para não estar no meio de uma horda quando a munição acabar. As armas variam entre 16 primárias e 3 secundárias, todas disponíveis desde o início, sem grind para destravar. O que muda é o dano e os mods conforme você sobe de nível.

A exploração nos mapas semiabertos recompensa com Sludgite e itens raros, mas a sensação de repetição aparece rápido. Os objetivos se repetem: defenda o ponto, escolte o veículo, mate todos. Ainda assim, quando o caos engrena, com um Nuker explodindo no meio do time e o Operador marcando alvos do alto de uma viatura, a diversão justifica o resto.

Veículos e exploração: a cereja do bolo tático

Os veículos não são enfeite. Cada um tem habilidades próprias: uma ambulância pode curar, uma viatura tem metralhadora acoplada. Eles funcionam como base móvel: você dirige, atira, atola, reabastece e repara. Puxar um colega atolado com o guincho vira um mini-game de tensão. A física pesada dos veículos dá uma sensação de peso que falta em outros jogos do gênero. Mas também pode ser a causa de momentos de pura frustração, quando o carro fica preso na lama radioativa e a horda se aproxima.

Fora dos veículos, os mapas têm áreas para explorar a pé, com itens escondidos e rotas alternativas. A progressão das classes é individual, e o sistema de prestígio libera cosméticos. É um ciclo sólido: jogue, ganhe XP, desbloqueie upgrades, repita. Funciona melhor em grupo, quando cada um escolhe uma classe e os veículos se complementam.

Vale para quem? O público certo e as ressalvas

Toxic Commando é feito sob medida para quem tem um grupo de amigos disposto a passar a noite atirando em monstros ao som de synthwave. Se você curtiu Left 4 Dead, World War Z ou até mesmo os jogos mais recentes da Saber, vai encontrar aqui uma diversão direta e sem frescura. O crossplay ajuda a reunir a galera independente da plataforma.

Por outro lado, se você joga sozinho, os bots são tão inúteis que a experiência desaba. A campanha curta e repetitiva também não sustenta muitas horas. E a exigência de conexão online constante, sem pausa e sem offline, pode ser um impeditivo. No fim, é um jogo que entrega o que promete, desde que você saiba exatamente o que está procurando: caos cooperativo, sem compromisso com história ou inovação.

Perguntas frequentes sobre review John Carpenter's Toxic Commando PlayStation 5

Precisa de conexão online para jogar?

Sim, Toxic Commando exige conexão constante com a internet, mesmo no modo solo. Não há opção offline e você não pode pausar o jogo durante as partidas.

Dá para jogar sozinho com bots?

É possível, mas a inteligência artificial dos bots é muito fraca. Eles não revivem, não usam habilidades direito e morrem rápido. A experiência solo é frustrante e o jogo foi claramente pensado para o cooperativo com amigos.

Quantas horas dura a campanha?

A campanha principal leva entre 8 e 10 horas no Normal, com 9 missões divididas em 3 atos. Rejogar em dificuldades maiores e explorar os mapas pode adicionar algumas horas extras.

Tem crossplay entre plataformas?

Sim, o jogo oferece crossplay completo entre PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. Você pode jogar com amigos independente da plataforma que eles usam.

Vale para fãs de Left 4 Dead ou World War Z?

Com certeza. A estrutura de hordas, classes e cooperação é bem parecida. Toxic Commando adiciona veículos e uma estética anos 80 com trilha synthwave, mas a fórmula central agrada quem curte esse tipo de experiência.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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