Você desenha a dungeon carta por carta. Encaixa uma Sala de Fogo perto de um corredor longo, sabendo que a tocha vai pedir reforço no meio da exploração. Cada noite começa com Pontos de Construção no bolso e um grid vazio. Posicionar um Arsenal antes de uma área de combate transforma os primeiros segundos de luta. Colocar uma Biblioteca num canto estratégico garante buffs que duram a noite inteira. A fase de construção é um quebra-cabeça que recompensa paciência e visão espacial.
Depois, o guerreiro celta caminha sozinho pelos corredores, atirando em inimigos sem que você precise apertar um botão. A tocha vai se apagando. Nos últimos 30%, o alcance visual encolhe e o medo do escuro aperta. O problema é que esse combate automático não explode como Vampire Survivors. As armas demoram a ficar boas, e a sensação de poder nunca chega de verdade. Ainda assim, a proposta criativa e a atmosfera celta fazem deste um roguelike que merece atenção, especialmente para quem curte planejar mais do que executar.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Pergunte-se: você se diverte mais montando o cenário do que atuando nele? Into the Restless Ruins é um jogo de estratégia disfarçado de roguelike. Se a ideia de encaixar salas em um grid e gerenciar recursos te anima, é um prato cheio.
- O folclore escocês está em cada detalhe: a Hen Wife troca relíquias, o Wulver surge nas sombras, e a trilha sonora mistura bit-pop com gaitas de foles. Se isso te atrai, o jogo ganha pontos extras.
- A barreira de entrada existe. As primeiras runs podem parecer confusas, com cartas que não se encaixam e trinkets que mais atrapalham. Mas depois que o sistema de sinergias clica, a profundidade aparece.
- A duração média de 14 horas para o básico e 37 para completistas é honesta. Mas o combate monótono pode fazer você largar antes. Se tolera ação passiva em troca de construção rica, vá fundo.
1. Into the Restless Ruins – PlayStation 5 – Edição Padrão
Fonte: Amazon.com.brInto the Restless Ruins – PlayStation 5
Confira os detalhes completos diretamente na Amazon.
Into the Restless Ruins ousa inverter o papel: você não só enfrenta masmorras, você as desenha. Com um baralho de salas e corredores, gasta Pontos de Construção para criar um caminho até o chefe. Colocar uma Fogueira perto de uma reta longa salva quando a tocha começa a falhar. Posicionar um Arsenal antes de uma sala de batalha pode ser a diferença entre viver e ser engolido pela escuridão. A fase de exploração, com combate automático no estilo bullet heaven, é funcional, mas fria. Você controla o movimento e a mira, mas o grosso do trabalho é passivo. O problema é que as armas demoram para ficar realmente boas, e algumas salas, como a que dá a Cauda de Lagarto que aumenta a corrupção, parecem mais castigo que recompensa. Ainda assim, o conjunto impressiona: mais de 100 cartas, seis masmorras, 40 modificadores e localização completa em PT-BR. A pixel art com inspiração celta é de encher os olhos. A tocha que acelera nos últimos 30% gera tensão genuína. Para quem gosta de pensar antes de agir, é uma experiência única. Para quem busca ação explosiva, talvez não seja o destino certo.
Prós
- Mecânica inovadora de construir sua própria dungeon com cartas, que exige planejamento estratégico e recompensa criatividade
- Pixel art encantadora e atmosfera de folclore escocês bem amarrada, com NPCs carismáticos como Hen Wife e Wulver
- Alta rejogabilidade: mais de 100 cartas, 6 níveis e 40 modificadores garantem runs diferentes por dezenas de horas
- Localização completa em português do Brasil, além de opções em gaélico escocês e galês para quem curte imersão cultural
Contras
- Combate automático monótono e sem a sensação de poder exponencial que o gênero costuma oferecer
- Algumas salas e trinkets são desbalanceadas ou de utilidade duvidosa, podendo frustrar runs promissoras
A mecânica que divide opiniões: construção de masmorras vs combate automático
Construir a dungeon com cartas é um puzzle delicioso. Você encaixa formatos, conecta portas e decide se vale gastar Pontos de Construção num corredor extra para alcançar um tesouro. Colocar uma Biblioteca perto de um longo caminho garante buffs duradouros. Um Arsenal antes de uma área de combate intensa transforma os primeiros segundos de luta. Esse raciocínio espacial é o brilho do jogo.
O problema é que toda essa preparação desemboca num combate que você praticamente assiste. O personagem atira automaticamente, e seu papel se resume a desviar e posicionar. Não há combos, não há timing. Comparado a Vampire Survivors, a curva de poder não explode. As armas demoram a ficar interessantes, e a sensação de 'virar um deus' nunca chega. Em algumas runs, a parte criativa dura 10 minutos e a execução se arrasta por mais 15 minutos.
A morte não é tão punitiva. O medidor de corrupção enche, mas você compensa nas runs seguintes. Quem prefere desafio tenso pode achar as penalidades leves. Quem só quer explorar a construção de mapas vai achar o equilíbrio justo. No fim, é um jogo que pede um tipo específico: aquele que se diverte mais planejando do que executando.
Para quem é (e para quem não é) esse roguelike
Into the Restless Ruins é prato cheio para fãs de Slay the Spire que querem algo diferente, mas com a mesma ênfase em estratégia. Também agrada quem curte gerenciamento de recursos e posicionamento em grid, como em jogos de tabuleiro. A ambientação no folclore escocês é um charme extra: nomes das salas, NPCs como Hen Wife e Wulver, e a trilha que mistura sintetizadores com gaitas de foles criam uma identidade forte.
Por outro lado, quem busca ação frenética, combates com impacto e uma progressão de poder que faça sentir invencível vai se decepcionar. O combate é quase um simulacro de bullet heaven, sem a densidade de projéteis ou sinergias malucas. A história também é minimalista: você busca a Donzela da Ceifa para realizar um desejo, mas o texto é ralo e facilmente ignorado. Se narrativa é seu foco, melhor procurar outro lugar.
No fim, o jogo se sai melhor como um quebra-cabeça estratégico com roupagem de roguelike. Se você topa esse compromisso, Into the Restless Ruins vai te prender por horas. Se não, a monotonia do combate vai aparecer rápido.
Perguntas frequentes sobre review Into the Restless Ruins PlayStation 5
Into the Restless Ruins tem modo multiplayer ou cooperativo?
Não. O jogo é exclusivamente single-player, focado na experiência solo de construção e exploração.
O jogo está disponível em português do Brasil?
Sim, a localização completa em português do Brasil está presente, incluindo menus, textos e diálogos. Também há opções em gaélico escocês e galês.
Preciso de conexão com a internet para jogar?
Não. Into the Restless Ruins é um jogo offline. Nenhum recurso online é necessário.
Quantas horas leva para zerar?
Em média, a campanha principal com extras leva cerca de 14 horas. Para completistas, o tempo sobe para aproximadamente 37 horas, dependendo do ritmo e das runs.
Vale a pena para fãs de Vampire Survivors?
Depende. Se você gosta mais da parte de progressão e upgrades insanos de Vampire Survivors, pode se frustrar com o combate menos explosivo. Se curte a estratégia de construção de mapas, vai encontrar um jogo diferente e bem feito.
