Immortality não é um jogo que se joga no automático. Você liga o PS5, abre o jogo e dá de cara com um clipe aleatório dos anos 60. Uma atriz diz um texto em tom gótico. Você pausa, clica no rosto dela. e é transportado para uma gravação de bastidores duas décadas depois. Sem tutorial, sem mapa. Só você, centenas de vídeos e o fantasma de Marissa Marcel.
Sam Barlow, criador de Her Story, entrega aqui um quebra-cabeça feito de filmagens reais: três filmes nunca lançados, estrelados por Marissa, que desapareceu. A versão de PS5, lançada em janeiro de 2024, usa o DualSense para vibrar quando você passa perto de segredos. Mas a falta de orientação e a dependência do acaso na descoberta de clipes importantes podem transformar a jornada em algo frustrante. Funciona melhor para quem aceita se perder. e para quem ama cinema. Para os outros, pode ser um tédio.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Immortality é um jogo narrativo em FMV: espere assistir e interagir com vídeos, não correr ou atirar.
- A mecânica principal é o match-cut: pause um clipe, clique em algo ou alguém e seja transportado para outra cena relacionada.
- A história se divide em três filmes fictícios de décadas diferentes (1968, 1970 e 1999), todos com a mesma atriz.
- O jogo não tem tutorial: a exploração é livre, e o progresso depende da sua curiosidade e paciência.
- No PS5, o DualSense vibra e emite sons quando há segredos escondidos em determinados trechos.
1. Immortality para PlayStation 5: aventura narrativa em FMV com mais de 200 clipes
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Pauso uma cena de Ambrosio, o drama gótico de 1968. Clico no rosto de Marissa e caio numa gravação de bastidores dos anos 70. A transição é fascinante, mas me sinto perdido. A cada salto, o quebra-cabeça ganha uma peça nova. e a trama sobre a atriz desaparecida se revela em camadas de metalinguagem, imortalidade e os custos da arte. Manon Gage entrega uma Marissa cheia de camadas: vulnerável na cena de maquiagem, ambígua no noir, elétrica no thriller pop. A direção de arte recria com precisão o granulado dos anos 60, o sujo dos 70 e o brilho dos 90. Cada filme tem personalidade, e a trilha de Nainita Desai gruda na cabeça. No PS5, o controle vibra sutilmente quando você rebobina perto de um segredo. um detalhe tátil que ajuda na imersão. Mas a falta de um guia cansa. Ficar clicando em objetos aleatórios e cair sempre no mesmo vídeo desanima. Muitos clipes de bastidores. leituras de roteiro, conversas banais. parecem enchimento. Numa tarde, passei mais tempo vendo takes repetidos do que avançando. Para completistas, encontrar os 202 clipes é uma caça ao tesouro que pode demandar 16 horas, boa parte em repetições. Ainda assim, quando acerta, acerta em cheio. Uma entrevista vira pesadelo ao clicar errado. Um rebobinar quadro a quadro revela uma imagem subliminar que muda tudo. Immortality não é para quem busca ação rápida. Exige entrega, paciência e amor por narrativa experimental. Se você topa, pode ser uma das experiências mais marcantes dos últimos anos.
Prós
- Narrativa em camadas, com atuações impressionantes. destaque para Manon Gage
- Mecânica de match-cut original e viciante quando encaixa
- Reconstituição autêntica de três décadas do cinema
- Uso imersivo do DualSense com vibração e som para segredos
- Localização completa em português brasileiro
Contras
- Falta de orientação e tutorial pode frustrar jogadores menos pacientes
- Progressão depende de aleatoriedade, gerando repetição de clipes
Como a mecânica de match-cut transforma a investigação
Cada clipe é uma peça de um quebra-cabeça. Clicar em um objeto, um rosto ou uma sombra te transporta para outro vídeo relacionado. Num momento, você vê Marissa segurando uma claquete; clica nela e cai numa cena de 1999 onde a mesma claquete está no chão. É como pular entre tocas de coelho num documentário interativo. Essa navegação não linear é legal quando o clique acerta. Mas o jogo não te avisa o que é relevante. O jogo tenta ajudar com sons e vibração quando você passa perto de um segredo, mas a sensação de progresso é frágil. Para quem explora sem pressa, cada descoberta soa como vitória genuína.
A riqueza dos três filmes e a atuação de Manon Gage
Os três filmes fictícios. o gótico Ambrosio, o noir Minsky e o pop Two of Everything. foram rodados com elenco e equipe completos. Cada um tem paleta de cores, enquadramento e granulação próprios. Dá para passar horas só apreciando a direção de arte. Manon Gage é o centro de tudo. Ela passa de um gênero pro outro com naturalidade: frágil no drama de época, magnética no noir, ambígua no thriller pop. A interação com Charlotta Mohlin gera uma tensão que vai além das palavras. É uma atuação rara em jogos e sustenta todo o peso emocional da trama.
Desempenho no PS5 e o papel do DualSense
A versão PS5 roda impecável. Carregamentos praticamente inexistentes, transições entre clipes na mesma tela, sem pausas. O vídeo mantém a qualidade proposta. com granulação e artefatos que combinam com cada época. e o áudio espacial ajuda a sentir os ambientes. O DualSense é bem usado: os gatilhos adaptáveis dão resistência quando você avança ou volta os vídeos, como se fosse uma moviola. A vibração avisa quando tem algo escondido no trecho que você tá rebobinando. Não é nada revolucionário, mas adiciona um toque tátil que melhora a imersão. Para quem valoriza detalhes, jogar no PS5 é a melhor forma de experimentar o mistério.
Perguntas frequentes sobre review IMMORTALITY PlayStation 5
Immortality é assustador? Tem jumpscares?
O jogo tem momentos de tensão e algumas aparições súbitas, principalmente em cenas secretas. Não é um jogo de terror, mas a atmosfera pode ser perturbadora. Se você é sensível a sustos, vá com calma.
Quanto tempo leva para zerar Immortality?
A história principal pode ser concluída em cerca de 6,5 horas. Para encontrar todos os 202 clipes e desbloquear o final verdadeiro, prepare-se para até 16,5 horas, dependendo da sua sorte e paciência.
Precisa ter jogado Her Story ou Telling Lies para entender?
Não, Immortality é uma história independente. Quem conhece os trabalhos anteriores de Sam Barlow vai reconhecer o estilo narrativo fragmentado, mas não há necessidade de background prévio.
O jogo tem legendas em português?
Sim, a versão de PS5 conta com legendas completas em português brasileiro. O áudio original é em inglês, com atores reais.
Vale a pena para quem não gosta de filmes antigos?
Depende. O jogo é uma carta de amor ao cinema e à arte de fazer filmes. Se você não se interessa por reconstituição de época, metalinguagem ou narrativas lentas, pode achar a experiência tediosa.
