No meio da neve, sua tribo nômade avança lentamente, coletando alimentos enquanto você decide o próximo passo. É silencioso, quase contemplativo. Até que você completa os turnos e avança de era. Aí vem a escolha: babilônios para turbinar ciência ou egípcios para construir rápido? Essa é a mágica de Humankind: montar sua civilização peça por peça. No PC, o conceito rendeu elogios. No PS5, a execução faz você querer abraçar a ideia e xingar a adaptação.
A versão de consoles chegou em agosto de 2023 com a Heritage Edition, que já inclui expansões. Só que adaptar um 4X de turnos para controle não é fácil. A Amplitude Studios tentou, mas o resultado é um jogo que brilha na profundidade estratégica e tropeça na interface, nos comandos e na estabilidade. A pergunta que fica: vale a paciência?
Se você é fã de estratégia por turnos e tem paciência para menus confusos e travamentos eventuais, Humankind no PS5 pode render dezenas de horas. Se a prioridade é fluidez, fique no PC ou passe longe.
Jogo analisado
O que observar antes de comprar
- Antes de comprar, pergunte-se: quanta paciência você tem com bugs? O jogo trava, tem transições que nunca terminam e bugs de som que surgem do nada. Mapas menores ajudam, mas o problema existe.
- A interface foi feita para mouse e teclado. No PS5, você vai esbarrar em menus escondidos atrás do touchpad e informações mal organizadas. Prepare-se para procurar onde está o botão de pular turno.
- O conteúdo é generoso: 60 culturas, 6 eras, DLCs inclusos na Heritage Edition e multiplayer para até 8 jogadores. Rejogabilidade altíssima, mas só se você aguentar os problemas técnicos.
- Se busca um 4X mais polido, Civilization VI no console é alternativa menos problemática.
- O combate tático manual é confuso no controle. O auto-resolve funciona, mas tira a graça. Você provavelmente vai usar o automático na maioria das batalhas.
1. Humankind Heritage Edition. PlayStation 5
Fonte: Amazon.com.brHumankind Heritage Edition – Ps5
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A Heritage Edition é o pacote mais interessante para quem quer mergulhar no Humankind sem sentir falta de conteúdo. Ela inclui as expansões Cultures of Africa, Cultures of Latin America e o pacote Notre-Dame, além do jogo base. No papel, é um presente para fãs de 4X: sessenta culturas distribuídas em seis eras, mais de um milhão de combinações possíveis e um sistema de fama que unifica a vitória. Na prática, jogar no PS5 é um exercício de paciência. Os problemas começam no tutorial, que atrapalha mais do que ajuda. Você tenta mover uma unidade e a câmera trava; o touchpad esconde atalhos; a produção de alimento fica enterrada em menus. O combate tático, que no PC é um destaque, aqui se arrasta em menus confusos. Muitas vezes é melhor deixar no automático. A cereja do bolo: travamentos, transições infinitas e bugs de som que cortam o áudio do nada. Quando o jogo funciona, ele encanta. A liberdade de montar uma civilização única a cada era é viciante, e as partidas longas prendem a atenção. Mas o port claramente foi feito às pressas, e quem não está acostumado a engolir bugs pode desistir antes da metade.
Prós
- Conteúdo vasto com 60 culturas e DLCs inclusos
- Sistema de combinação cultural é inovador e dá alta replayabilidade
- Partidas longas e envolventes para quem curte estratégia profunda
- Multiplayer online estável para até 8 jogadores
Contras
- Controles desajeitados e interface confusa no PS5
- Travamentos, transições infinitas e bugs de som
A mecânica que faz a diferença
Você começa no Neolítico com uma tribo nômade, explorando o mapa e coletando recursos. Ao atingir as Estrelas da Era, avança e escolhe uma nova cultura entre dez opções. Cada uma dá bônus específicos: babilônios turbinam ciência, egípcios puxam indústria, hunos incentivam guerra. O resultado: você nunca fica preso a um único estilo. Pode começar focado em conhecimento e depois migrar para o expansionismo militar.
Só que, com o tempo, os objetivos (milestones) começam a se repetir: pesquise 60 tecnologias, construa 5 maravilhas. Vira um grind. No PS5, a interface não ajuda a acompanhar rapidamente o que falta. Você fica tateando menus, e a IA inimiga parece desligada: às vezes passa 100 turnos sem declarar guerra, do nada aparece com tudo.
O combate tático em campo é complicado no controle. No PC, você posiciona unidades em um grid, considera terreno e flancos. No controle, a câmera briga com você, os comandos não respondem na hora e o pathfinding é confuso. Resultado: a maioria das batalhas termina no auto-resolve, que resolve rápido mas tira a graça. É uma pena, porque quando o sistema funciona, ele lembra um X-COM mais leve.
O port do PS5: o ponto fraco
O DNA de mouse e teclado está em cada canto da interface. Você vai passar metade do jogo procurando onde está a informação de produção de alimento ou o status da sua religião. O tutorial, que deveria guiar, faz o contrário: joga texto em cascata na tela e larga você lá.
Tecnicamente, o game oscila entre o aceitável e o frustrante. Mapas grandes engasgam, com travamentos a cada 10 ou 15 turnos. Transições de turno que nunca terminam exigem reiniciar o save e rezar para não ter perdido progresso. Bugs de som (áudio que corta ou loops infinitos) também aparecem com frequência. Em mapas menores, a performance melhora um pouco, mas ainda longe do ideal. Para um gênero que exige foco e imersão, cada travamento quebra o ritmo.
É claro que patches podem melhorar o quadro. Mas, na data desta análise, a versão PS5 ainda está longe de ser a experiência definitiva. Se você tem um PC que roda o jogo, a recomendação é clara. Se não, prepare-se para um caso de amor e ódio.
Conteúdo e longevidade
A Heritage Edition capricha no volume. São três DLCs inclusos, que adicionam culturas africanas, latino-americanas e o cenário da Notre-Dame. No total, 60 culturas que se combinam em mais de um milhão de possibilidades. A campanha padrão leva umas 10 a 12 horas, mas se você for completista, prepare mais de 200 horas para ver tudo.
O multiplayer online funciona bem, com até oito jogadores em partidas que podem durar dias. A diplomacia, apesar de rasa, pelo menos permite acordos e traições. O editor de cenários e o suporte a modding (via PC) são um plus que a versão de console não aproveita, mas quem fica só no PS5 perde essa flexibilidade.
No fim, o que segura Humankind no PS5 é o conteúdo. A ideia é boa, a execução é que deixa a desejar. Se você está disposto a engolir os defeitos por uma proposta original, o jogo entrega. Caso contrário, é melhor esperar por uma versão mais polida ou investir em outra plataforma.
Perguntas frequentes sobre review Humankind PlayStation 5
Quanto tempo dura uma partida de Humankind?
Uma campanha padrão de 300 turnos leva entre 10 e 12 horas. É possível aumentar para 600 turnos, esticando para mais de 20 horas. Jogadores completistas passam mais de 200 horas explorando todas as culturas e combinações.
A versão PS5 é muito pior que a de PC?
Sim, em termos de controles, interface e desempenho. O PC oferece uma experiência mais fluida e com melhor gerenciamento de menus. No PS5, você enfrenta travamentos, bugs e comandos desajeitados. Se tiver opção, escolha o PC.
Vale a pena comprar a Heritage Edition?
Sim, pelo conteúdo extra. Ela já vem com três DLCs que expandem as culturas disponíveis e um cenário adicional. É o melhor custo-benefício para quem quer mergulhar no jogo, desde que esteja ciente dos problemas técnicos.
O multiplayer online é estável?
Sim, para até 8 jogadores. As partidas podem ser longas e exigem conexão estável. A IA nos jogos single-player é que deixa a desejar, não o multiplayer em si.
