Hell is Us: sem mapa, sem pena, e por isso inesquecível

Hell is Us coloca você num cruzamento sem placas. Sem mapa. Sem marcador. Só a dica de um NPC sobre uma abadia perto de um globo dourado. É um tiro ousado num mercado que acostumou o jogador a seguir setas. Desenvolvido pela Rogue Factor e publicado pela Nacon, o título coloca você na pele de Rémi, um ex-pacificador que volta a Hadea, um país fictício devastado por guerra civil, em busca dos pais. O que encontra lá é um cenário brutal, cheio de criaturas chamadas Hollow Walkers e uma narrativa densa sobre conflito e mitologia.

Passei mais de um dia jogando no PS5, e Hell is Us não é para todo mundo. Ele exige paciência, memória e uma certa disposição para se perder. Mas quando você se entrega à sua lógica, a recompensa é imersiva de um jeito que poucos jogos conseguem hoje. Vamos ver se essa jornada é pra você.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Leve um caderno. Sem mapa, você vai anotar pistas de NPCs e documentos. isso salva horas de backtracking.
  • Explore cada canto. O jogo recompensa a curiosidade com lore, itens e missões secundárias que enriquecem a experiência.
  • Combate é simples. Não espere profundidade tática; o foco está na exploração e na narrativa.
  • Preste atenção em diálogos e textos: eles são a chave para resolver puzzles e progredir.

1. Hell is Us. PlayStation 5: Uma Aventura Old-School que Exige Paciência

Hell is Us é daqueles jogos que ou você ama ou simplesmente não consegue engolir. No começo, você está num cemitério, enfrentando um Hollow Walker. A esquiva funciona, o ataque cronometrado devolve vida, mas você já viu aquele padrão antes. A proposta de eliminar completamente o HUD e os marcadores é ousada, e na prática funciona muito bem para quem valoriza a descoberta. Você realmente precisa parar, ouvir NPCs e anotar pistas. Lembra jogar um RPG dos anos 90, mas com gráficos modernos e uma direção de arte impressionante. O cenário de Hadea, com planícies cobertas de neblina, bunkers abandonados e vilas arrasadas, é de uma beleza melancólica rara. Cada área parece ter uma história, e os documentos espalhados preenchem as lacunas da trama principal e das subtramas sobre Sabinianos e Palomistas. O combate, infelizmente, é o elo mais fraco. Você tem armas corpo a corpo. espadas, machados, alabardas. e um drone (KAPI) que ajuda a distrair inimigos e resolver puzzles. O sistema de stamina e a cura baseada em tempo após acertar golpes são ideias interessantes, mas na prática os confrontos se resumem a esperar o momento certo, atacar e recuar. Com apenas cinco tipos de Hollow Walkers e pouquíssimos chefes, a repetição bate forte já na metade da campanha. Se você busca ação variada e desafio tático, vai se decepcionar. Por outro lado, a duração é generosa. A história principal leva entre 20 e 30 horas, mas quem quiser fazer todas as Good Deeds (missões secundárias) e explorar cada canto pode passar mais de 50 horas imerso nesse universo. O jogo oferece New Game+ e múltiplos finais, o que incentiva uma segunda jogada. A performance no PS5 é sólida, com dois modos gráficos (qualidade e desempenho) e carregamentos rápidos. Os modelos de personagens secundários são um ponto baixo, com expressões meio rígidas, mas nada que quebre a imersão. No fim, Hell is Us é um jogo feito para um público específico: aquele que sente falta de ser tratado como adulto, que quer usar o próprio cérebro para encontrar o caminho. Se você se encaixa aí, prepare o caderno de anotações e embarque. Se prefere ritmo acelerado, melhor procurar outro título.

Prós

  • Exploração recompensadora e sem mão-guia, que respeita a inteligência do jogador
  • Atmosfera densa e direção de arte impressionante, com cenários brutais e imersivos
  • Narrativa profunda sobre guerra e mitologia, com lore rico espalhado pelo mundo

Contras

  • Combate repetitivo e sem profundidade, com pouca variedade de inimigos
  • Falta de qualidade de vida: ausência de mapa e diário de missões útil, exigindo anotações externas

Exploração sem mapas: a beleza de se perder

Você para em uma encruzilhada. Sem mapa, sem marcador, apenas a descrição vaga de um NPC sobre uma abadia perto de um globo dourado. No começo, é desorientador: você anda em círculos, abre portas erradas, volta para áreas já visitadas. Mas depois de algumas horas, algo muda: você começa a prestar atenção em detalhes que antes passariam batido. Cada documento, conversa ou símbolo gravado numa parede vira uma pista. O jogo te força a criar seu próprio mapa mental. E quando você finalmente encontra aquele local mencionado por um mercador no início da campanha, a satisfação é genuína. Hell is Us quebra com o design moderno que trata o jogador como alguém que precisa ser guiado o tempo todo. Ele respeita sua capacidade de dedução e recompensa a paciência com momentos de descoberta que poucos jogos entregam hoje.

Combate e variedade de inimigos: o preço da ousadia

O combate frustra porque repete o mesmo padrão até a exaustão. As armas. espadas, machados, alabardas. têm movesets parecidos. O drone KAPI ajuda a distrair inimigos ou acionar mecanismos, mas não muda a dinâmica dos confrontos. A mecânica de cura, que exige apertar um botão no timing certo após causar dano, é criativa, mas a repetição dos mesmos cinco tipos de Hollow Walkers tira o brilho. Você rapidamente decora os padrões de ataque e o combate vira um vai-e-vem de bloquear, esquivar e golpear. Os chefes são raros e, quando aparecem, não trazem grandes desafios. A falta de variedade fica ainda mais evidente em uma campanha de 25 horas. É uma pena, porque a ambientação merecia inimigos mais icônicos. Se você é do tipo que joga mais pela ação do que pela história, prepare-se para uma experiência morna. O jogo funciona melhor quando você encara os combates como obstáculos entre uma área de exploração e outra, não como o prato principal.

Narrativa e atmosfera: guerra, mitologia e um mundo que respira

Hell is Us constrói Hadea com detalhes brutais. O país fictício vive uma guerra civil entre Sabinianos e Palomistas, e a chegada de uma entidade sobrenatural chamada Calamidade só piorou as coisas. O jogo não esconde a brutalidade do conflito: você encontra valas comuns, prédios destruídos e civis que perderam tudo. A influência do filme Aniquilação (2018) é clara na estética dos Hollow Walkers e na sensação de estranheza que paira sobre o cenário. A história pessoal de Rémi, no entanto, é o ponto mais fraco. Seus pais desapareceram, e a motivação para segui-los parece genérica. Os personagens secundários, apesar de carregarem o lore, são esquecíveis. Felizmente, o que salva é a maneira como a trama principal se entrelaça com o mito da Calamidade e as escolhas que você faz nas Good Deeds. O jogo tem múltiplos finais, e o verdadeiro desfecho só aparece se você completar todas as missões secundárias. É um incentivo e tanto para quem gosta de mergulhar de cabeça no universo do jogo.

Perguntas frequentes sobre review Hell is Us PlayStation 5

Hell is Us tem modo multiplayer?

Não. É uma experiência exclusivamente single-player, sem qualquer modo cooperativo ou competitivo. O foco está na exploração e na narrativa individual.

Preciso jogar com caderno e caneta?

Não é obrigatório, mas ajuda muito. O jogo não tem mapa nem diário de missões funcional, então anotar pistas de NPCs e puzzles facilita a progressão e evita backtracking desnecessário.

O jogo tem legendas em português?

Sim, Hell is Us conta com legendas em português do Brasil. A dublagem original é em inglês e francês, mas você pode escolher o áudio que preferir com as legendas ativadas.

Quantas horas leva para zerar a campanha principal?

A história principal leva entre 20 e 30 horas. Para quem quer fazer todas as missões secundárias e explorar cada canto, o tempo pode passar de 50 horas, dependendo do ritmo.

Hell is Us é um soulslike?

Não exatamente. Ele se inspira em elementos como stamina e esquiva, mas o combate é mais simples e o foco está na exploração e nos puzzles. É mais uma aventura de ação com pegada old-school.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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