Godfall: Ascended Edition. Review: combate afiado em um mundo de brilho e repetição

O DualSense trava o gatilho direito. Você aperta mais, sente a resistência vencer, e quando a lâmina encontra o inimigo, o impacto vibra dos dedos até a palma. É um daqueles momentos que justificam o investimento em um novo console. O problema é que Godfall não consegue manter esse pico. A Ascended Edition chega ao PS5 com uma premissa clara: cavaleiro Valorian, armaduras místicas, impedir o apocalipse de Aperion. Até aí, nada novo. Mas o combate, esse sim, é o protagonista.

A Counterplay Games, formada por veteranos de Destiny 2 e God of War, aposta em um sistema corpo a corpo que bebe de God of War (2016) e Monster Hunter. Cinco classes de armas. espadas longas, alabardas, martelos, espadas grandes e lâminas duplas. mudam o ritmo dos confrontos. A progressão é loot: derrube inimigos, colete equipamentos melhores, suba de nível. O loop clássico funciona. O chão que você pisa muda o feedback tátil, ataques pesados exigem pressão extra no gatilho, cada golpe tem peso.

A história, porém, é funcional e esquecível. Missões seguem um padrão repetitivo. Depois de algumas horas, a sensação de 'já vi isso antes' pesa. Godfall é feito sob medida para quem ama grind, loot e combate mecânico, mas não para quem busca narrativa. A Ascended Edition inclui jogo base, primeiro DLC e itens dourados, agregando conteúdo sem mudar a essência.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Curte combate mecânico e loot? Godfall acerta em cheio, com um dos melhores usos do DualSense até hoje.
  • História não é o foco: se você busca narrativa profunda, pode se frustrar com missões repetitivas.
  • O modo cooperativo online de até 3 jogadores melhora a experiência e dilui a repetitividade.
  • A Ascended Edition já inclui o primeiro DLC e cosméticos, sendo a melhor porta de entrada para quem quer o pacote completo.

1. Godfall: Ascended Edition – PlayStation 5 – Combate visceral e DualSense em destaque

Godfall: Ascended Edition é, acima de tudo, um jogo de combate. Ele não esconde que a diversão está em acertar combos, testar armas e ver números de dano subirem. Cada arma tem moveset próprio; os 12 Valorplates oferecem estilos diferentes; o DualSense transforma cada golpe em experiência tátil. O feedback nos gatilhos para ataques pesados é dos melhores, e a vibração do terreno sob os pés adiciona imersão rara. A estrutura é o calcanhar de Aquiles. Missões seguem formato previsível: vá, mate, chefe, loot. História genérica mal justifica a jornada. Para platinar (46 troféus, dificuldade 6/10), prepare-se para repetir fases e grindar. 40 a 60 horas. O coop online de três jogadores ajuda, e os modos endgame (Torre dos Desafios, Dreamstones, Lightbringer) dão motivo para continuar, mas a variedade falta. Visualmente, Godfall é um dos mais bonitos do PS5. Reinos vibrantes, partículas de lava, iluminação dinâmica, armaduras que brilham. Performance sólida, carregamentos rápidos, taxa de quadros estável. Idioma apenas em inglês, o que pode ser barreira. A Ascended Edition é boa escolha para quem espera um looter-slasher competente, com combate excelente, mas sem ilusões sobre suas limitações.

Prós

  • Combate brilhante e viciante, com uso excelente dos gatilhos do DualSense
  • Gráficos deslumbrantes que aproveitam o PS5
  • Variedade de armas e Valorplates dá profundidade ao loot
  • Modo cooperativo online para 3 jogadores

Contras

  • História fraca e missões repetitivas
  • Grinding necessário para platinar

Combate e DualSense: o ponto alto

Pegue uma espada longa. Cada golpe tem timing. Ataques leves saem rápidos; os pesados exigem segurar R2 até sentir a trava ceder. O DualSense comunica peso da arma, resistência do inimigo, tipo de chão. pedra vibra de um jeito, terra de outro. É uma implementação que faz você querer testar cada arma só para ver o controle reagir.

Os 12 Valorplates mudam a jogabilidade: habilidades únicas, bônus passivos, incentivo à experimentação. Foco em dano crítico, vida roubada ou defesa. Troque entre elas conforme o inimigo. A progressão de loot é clássica: cores raras, atributos aleatórios, sets temáticos. Para quem curte Diablo ou Destiny, Godfall entrega o que promete.

Repetitividade e conteúdo: onde o jogo tropeça

Depois das primeiras horas, o padrão fica claro. Hub de diálogo com um personagem flutuante estilo Zordon, seleção de nível, arena ou corredor, chefe, loot. A história é tão fina que mal dá contexto. Não espere reviravoltas. o foco está no grind e na build.

Os modos endgame salvam parte: Torre dos Desafios testa resistência, Dreamstones oferecem modificadores de dificuldade, Lightbringer traz itens amaldiçoados que viram recompensas ao cumprir objetivos. O cooperativo quebra a monotonia, mas a repetição ainda está lá. Para platinar, prepare-se para repetir fases dezenas de vezes. Não é jogo para quem busca variedade, mas para quem encontra prazer em otimizar uma build.

Perguntas frequentes sobre review Godfall: Ascended Edition PlayStation 5

Godfall: Ascended Edition é um jogo de mundo aberto?

Não. O jogo é dividido em missões lineares em diferentes reinos (fogo, água, terra, ar), sem um mundo contínuo para explorar livremente.

Precisa jogar online para aproveitar Godfall?

Não, a campanha principal pode ser jogada inteiramente no single-player. Mas há modos cooperativos online para até 3 jogadores, e alguns conteúdos endgame são mais interessantes em grupo.

Vale a pena para quem joga sozinho?

Depende da sua tolerância ao grind. O combate sustenta bem a experiência solo, mas a repetitividade pode cansar mais rápido sem amigos para dividir a jogatina.

Godfall: Ascended Edition tem suporte ao português?

A versão analisada tem apenas texto e menus em inglês (e outros idiomas, como espanhol e francês). Não há confirmação de localização para português brasileiro.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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