Gloomy Eyes no PS5: uma fábula sombria que encanta mais pelo visual do que pelos desafios

O sol desistiu. A noite eterna caiu, e o que sobrou da humanidade se agarra a uma luta silenciosa entre vivos e mortos-vivos. Gloomy Eyes mergulha nesse crepúsculo perpétuo com dois protagonistas improváveis: Gloomy, um zumbi de olhos dourados que derrete na luz, e Nena, uma garota humana que foge do próprio tio, líder de uma seita caçadora de zumbis. A missão deles? Encontrar o sol e viver um romance proibido que atravessa a fronteira entre mundos. Adaptado de uma experiência VR premiada no Festival de Annecy de 2019, o jogo chega ao PS5 trocando a imersão em primeira pessoa por dioramas tridimensionais giratórios e uma mecânica self-coop que alterna entre os dois com um toque de R1. O resultado é irregular, mas o charme estético segura a atenção.

A alternância é instantânea. Gloomy arrasta caixotes, arremessa ossos contra paredes; Nena pula, aciona interruptores, evita zumbis. O ritmo flui em puzzles simples de timing: arraste um caixote com Gloomy, mude para Nena, suba, puxe a alavanca, volte. Mas a câmera fixa é traiçoeira. Você gira o diorama com o analógico e, de repente, uma parede engole o caminho. Um personagem fica preso num pixel. Checkpoints frequentes salvam, mas os soft-locks que exigem reiniciar o capítulo irritam.

Jogo analisado

O que observar antes de comprar

  • Você prefere jogos contemplativos, com foco em história e atmosfera, em vez de ação e desafio constante.
  • É fã da estética de Tim Burton, Coraline ou contos de fada sombrios.
  • Curte puzzles simples que não exigem reflexos rápidos nem soluções complexas.
  • Tem paciência para câmeras fixas e uma rotação de diorama imperfeita.
  • Está disposto a pagar por uma campanha curta (3 a 6 horas) com qualidade artística acima da média.

1. Gloomy Eyes (PS5): aventura narrativa com quebra-cabeças e mecânica self-coop

Cada um dos 14 capítulos de Gloomy Eyes é um diorama feito à mão. A árvore reluzente do capítulo 5, com folhas brancas e plantas bioluminescentes, faz você querer parar e girar o cenário para ver cada detalhe. A trilha sonora de Cyrille Marchesseau. cordas melancólicas que acompanham a narração do lendário Colin Farrell (ou do Coveiro em português). transforma o jogo numa fábula noturna. A mecânica self-coop, que obriga você a controlar Gloomy e Nena sozinho, é a grande sacada. Ela lembra Brothers: A Tale of Two Sons, mas mais casual: arraste um baú, ative um interruptor, troque de personagem na hora certa para evitar luzes ou zumbis. Funciona bem até o sétimo capítulo, quando o loop fica previsível. você sabe que vai precisar de um caixote aqui, um osso ali, e a dificuldade raramente escala. A duração é o calcanhar de Aquiles. Em cerca de 5 horas. ou menos se for direto. a história termina, deixando um gosto de "quero mais". Para quem caça memórias colecionáveis e tenta a platina, o tempo sobe para umas 8 horas, mas ainda é curto para o preço sugerido. A câmera, teimosa, atrapalha: a rotação do diorama nem sempre funciona, o zoom tem limites, e em alguns momentos a visão fica obstruída por elementos do cenário. Um ou outro bug de soft-lock (personagem preso no ambiente) aparece, embora os checkpoints frequentes amenizem a frustração. No fim, Gloomy Eyes acerta em cheio no que se propõe: uma fábula visual interativa, tocante e estilosa. É para quem valoriza arte e atmosfera acima de desafio e duração. Se você se encaixa nesse perfil, vai encontrar um dos títulos mais bonitos do catálogo do PS5. Se prefere ação, puzzles complexos ou campanhas de 20 horas, passe longe.

Prós

  • Direção de arte deslumbrante, com dioramas detalhados que parecem saídos de um filme do Tim Burton
  • Narração cativante (Colin Farrell ou dublagem em português) e trilha sonora melancólica de alto nível
  • Mecânica self-coop criativa, com alternância instantânea entre personagens com habilidades distintas

Contras

  • Câmera fixa e rotação do diorama problemáticas em vários momentos, podendo esconder caminhos
  • Campanha curta (3 a 6 horas para a história principal), com preço que pode pesar para alguns

A dança dos dois lados: como funciona a mecânica self-coop

Gloomy é o tanque: levanta caixotes, arremessa ossos para quebrar obstáculos, atravessa áreas infestadas de zumbis sem ser notado. Nena é a engenheira: pula plataformas, aciona alavancas, desvia de inimigos que a perseguem. Você alterna entre eles com um toque em R1, e o pulo do gato está em coordenar os dois para resolver situações como "Gloomy empurra um baú até a luz, Nena sobe nele e alcança o interruptor". A câmera, porém, não ajuda. Em vez de uma visão dinâmica, você depende da rotação manual do diorama com o analógico direito. Quando os personagens se separam, fica difícil acompanhar os dois. Em momentos de tensão. como fugir de um holofote que gira. a rotação lenta pode custar uma morte besta. Felizmente, os checkpoints são generosos, e a morte de um personagem não reinicia o capítulo inteiro, apenas o reposiciona alguns metros atrás.

O sistema de diorama merece um aparte. Herança direta da versão VR, ele proporciona uma vista de "casa de bonecas" que encanta. Você pode girar o cenário para encontrar itens escondidos, admirar os detalhes das construções ou simplesmente apreciar a ambientação. Mas em níveis mais fechados, como minas e corredores, a rotação perde o sentido e a câmera fixa volta a reinar. com todas as suas limitações. É uma ferramenta que funciona bem para exploração visual, mas que falha como auxílio de navegação precisa.

Uma obra de arte jogável? O acerto visual e o tom narrativo

Se Gloomy Eyes peca em mecânica, compensa com sobra na apresentação. Cada diorama é um quadro vivo: o parque de diversões abandonado com carrossel enferrujado e luzes piscando, a mina escura onde Gloomy quebra paredes com ossos, a árvore gigante com folhas brancas e plantas bioluminescentes. A influência de Tim Burton é explícita. os personagens têm olhos grandes e expressivos, o mundo é torto e exagerado, e a paleta mescla tons sépia com estouros de cor em pontos estratégicos. Dá para passar minutos parado só observando a construção do cenário. A narrativa, contada em terceira pessoa por um Coveiro (na dublagem em português) ou pelo próprio Colin Farrell (no áudio original), funciona como um conto de fadas macabro. O texto é poético sem ser rebuscado, e a história de amor entre um zumbi e uma humana, com todos os obstáculos sociais e literalmente mortais, consegue emocionar nos momentos certos. A trilha sonora de Cyrille Marchesseau, que alterna cordas suaves e pianos melancólicos, casa perfeitamente com cada mudança de capítulo. É raro ver um jogo tão coeso na identidade audiovisual.

O nível da árvore, em particular, é um dos pontos altos. Nena precisa subir plataformas enquanto Gloomy se esconde de holofotes que varrem o chão. A direção de arte aqui atinge o pico: folhas que brilham, raízes que serpenteiam, uma atmosfera que mistura perigo e maravilha. É o tipo de experiência que justifica o preço do ingresso para quem valoriza o visual acima de tudo.

Para quem Gloomy Eyes realmente encaixa (e quem deve passar longe)

Gloomy Eyes é um jogo de nicho. Ele não tenta agradar todo mundo e não se desculpa por ser curto, lento e contemplativo. O público ideal é quem busca uma noite tranquila no sofá, com um controle na mão e vontade de se perder numa história visual bonita. Pais podem jogar com filhos (a classificação E10+ é justa: não há jump scares, violência gráfica ou terror pesado). Fãs de animação stop-motion, do estilo de Coraline ou O Estranho Mundo de Jack, vão se apaixonar pelos dioramas. E quem curte puzzles leves, sem pressão de tempo, também encontra aqui um refúgio. Por outro lado, jogadores que esperam desafios consistentes, campanhas de mais de 10 horas ou uma narrativa cheia de reviravoltas vão se decepcionar. A simplicidade dos puzzles pode entediar quem vem de títulos como The Legend of Zelda ou mesmo Little Nightmares (com quem o jogo é frequentemente comparado, mas sai perdendo em gameplay). A câmera teimosa e os pequenos bugs técnicos também testam a paciência de quem valoriza polimento. No fim, Gloomy Eyes é uma joia para quem sabe o que está levando: uma experiência artística curta, envolvente e visualmente deslumbrante, mas que tropeça nos próprios pés quando tenta ser um jogo tradicional.

Perguntas frequentes sobre review Gloomy Eyes () PlayStation 5

Quanto tempo dura Gloomy Eyes no PS5?

A campanha principal leva entre 3 e 6 horas, dependendo do ritmo e da exploração. Para quem busca a platina com coleta de todas as memórias, o tempo sobe para cerca de 8 horas.

Gloomy Eyes tem dublagem em português do Brasil?

Sim. O jogo oferece dublagem completa em português do Brasil, com o Coveiro narrando a história. Também é possível jogar com o áudio original em inglês com a voz de Colin Farrell. Menus e legendas estão totalmente traduzidos.

A câmera do jogo é realmente um problema?

Em alguns momentos, sim. A visão fixa e a rotação manual do diorama não são precisas, e podem esconder caminhos ou dificultar a navegação. A maioria dos jogadores se acostuma, mas é um ponto de atrito que não desaparece completamente.

Vale a pena para quem jogou a versão VR original?

Sim, se você quer revisitar a história com uma perspectiva nova. A versão para consoles adapta os dioramas para controle tradicional, mantendo a essência visual e narrativa, mas com mecânicas diferentes da experiência imersiva original.

O jogo tem modos cooperativo local ou online?

Não. A mecânica self-coop exige que um único jogador alterne entre os dois personagens. Não há suporte para multiplayer local ou online. É uma experiência individual.

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Rodrigo Santos

Sobrevivente da era da internet discada, treinado na arte de assoprar cartuchos. Hoje, meu esporte favorito é debater por horas se o jogo de tabuleiro adapta bem o filme ou se o remaster estragou o clássico. Do analógico ao digital, traduzo minhas madrugadas de jogatina e muita cafeína em análises diretas e sem enrolação.

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